JOCKEY CLUB TEM ARRECADAÇÃO DE QUASE R$ 5 MILHÕES COM GP BRASIL
A diretoria do Jockey Club Brasileiro, presidida por Raul Lima Neto, pode comemorar o sucesso absoluto, em vários aspectos, com o Festival da semana do Grande Prêmio Brasil, encerrado, na reunião de ontem à noite, no Hipódromo da Gávea. Porém, não há como negar, em tempos difíceis, que o gol de placa aconteceu no âmbito financeiro. O Movimento Geral de Apostas (MGA), no dia da disputa da maior prova do turfe nacional, no último domingo, atingiu a expressiva marca de R$ 1.969.664,08, com 12 páreos. Ou seja, por muito pouco, não bateu R$ 2 milhões. No dia anterior, sábado, o MGA alcançou retorno financeiro de R$ 1.193.142,12, com 11 páreos. Na sexta–feira, primeiro dia do festival, com apenas 9 provas, faturou R$ 737.577,60. E, ontem no encerramento, com a maioria das delegações de outros estados já fora do Rio de Janeiro, bateu R$ 865.851, 36, com apenas 10 páreos. A somatória destes valores alcança um retorno aos cofres do JCB, de R$ 4.776.135, 16. Um luxo!
Houve um trabalho de equipe impressionante, entre os diversos setores do Jockey Club Brasileiro, um dos clubes hípicos mais importantes e aristocráticos da América do Sul. A turma vestiu a camisa. O estilo jovial, carismático, e aberto ao diálogo, do novo presidente conquistou a simpatia e a confiança dos funcionários e subordinados. Todos fizeram questão de jogar por ele. Como num time de futebol, quando os jogadores apreciam o treinador, e falam em jogar por ele, depois de maus resultados no campo, para evitar a sua demissão. Não por que Raulzinho estivesse demissionário. Longe disso. No estatuto do JCB, o presidente tem plenos poderes. Muito mais do que o presidente da República, que precisa de apoio da Câmara e do Senado, além de estar afinado com outros poderes.
Depois de décadas de comando de senhores competentes, porém de estilo mais sisudo, conservador e de pouca paciência para escutar as reclamações dos seus correlegionários, Raulzinho apareceu com maneira mais suave de presidir um clube elitista e preconceituoso. A primeira coisa que fez foi abrir o seu escritório, dentro do hipódromo, para receber a todos. Enquanto os presidentes anteriores ficavam no suntuoso gabinete, no centro da cidade. No prédio luxuoso da Avenida Presidente Antônio Carlos, o que já diminuía e desencorajava as pessoas simples a tomar aquele rumo. Raulzinho não. Recebia treinadores, jóqueis, e até cavalariços, no seu gabinete. Fez reuniões com os profissionais, ouviu as suas queixas, e abriu para todos problemas graves do clube. Dívidas, questões burocráticas, e dificuldades conjunturais. Ninguém foi enganado por ele sobre as dificuldades pela frente.
Da mesma forma que tratou a sua equipe, se aproximou dos outros presidentes dos clubes hípicos mais importantes do país. A exemplo de D’Artagnan, personagem do romance de Alexandre Dumas, trouxe para perto, os presidentes dos Jockeys clubes da São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, como se fossem Athos, Portus e Aramis, em "Os Três Mosqueteiros". Um por todos, e todos por um. E unidos, todos ficaram mais fortes. Abriram mão de datas. Nos dias das provas mais importantes destes clubes, os outros abriram mão de dar corridas, etc e tal. O ambiente entre os homens que comandam os clubes ficou mais leve e confiável entre eles. E assim, desta maneira suave, atenciosa, e gentil tocou o barco para frente e o deixou navegar. Por isso esta galera, que antes trabalhava com temor, desconfiança e preocupação correu uma barbaridade para fazer um Grande Prêmio Brasil a altura de suas tradições.
JOQUEADA DA SEMANA
O jovem Ruberlei Viana foi o personagem principal do triunfo de Nautilus, criado pelo Stud Quintella, e defensor da farda do Stud Valentin & Jarussi, em sua vitória no Grande Prêmio Brasil. A sua joqueada, no momento decisivo da carreira, foi genial. Manobra audaciosa e decisiva, que lhe rendeu a primeira vitória na prova mais importante do país. De agora em diante, no início da carreira, ele já se encontra em outro patamar. Maravilhoso preparo de Nilson Lima, um batalhador da profissão, e que sugeriu ao proprietário, a loucura de vir ao Rio de Janeiro. Estava certo.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
London Moon, de criação e propriedade do Haras Anderson, resume bem a semana maravilhosa do fantástico treinador, Adélcio Menegolo, que suspenso, passa praticamente anônimo, representado nos programas oficiais, pelo seu fiel escudeiro, e segundo–gerente, Lúcio F. Vaz. London Moon, um craque espetacular, que corre ao sabor do vento, e ignora as adversidades das competições, como esta baliza 12, numa raia pesada, de onde saiu para conquistar um Grupo 1.
In Essence, de criação e propriedade do Haras Santa Maria de Araras, divide espaço, aqui, com London Moon, o que deve ser considerado uma honra para ambos. Christiano Oliveira, depois da frustração da desclassificação na preparatória, injusta para ele, e para a égua, que não participaram das touradas na raia. Agora, com caminho livre, e a corrida limpa, a craque acelerou para ser bicampeã do Grande Prêmio Major Suckow. Parabéns a toda a equipe deste competente treinador.
PERSONAGEM
Se o presidente, Raul Lima Neto, foi o personagem do evento fora da raia. Dentro dela, vou puxar a sardinha para o meu lado. O meu amigo, Jorge Ricardo, recordista mundial de vitórias, teve postura espetacular dentro dela. Apesar de triste e frustrado, nesta reta final de sua carreira, por ficar de fora do Grande Prêmio Brasil. Head Office, que seria a sua montaria, ficou fora por contratempo, ele não deixou a peteca cair. Nas suas três vitórias conquistadas, deu um show de competência e valor, por não perder o foco, apesar do aborrecimento. No dorso de Drawing, de Diego Chaves/Jairo de Almeida, foi o vencedor de um duelo titânico entre três potros, com Leblon e Dodge Dollar. No dia seguinte, levantou o GP OSAF, numa direção antológica, no dorso de Hang Loose, do Stud By Winner’s. E, no dia da maior prova do turfe nacional, encerrou a sua participação, com direção impecável, no potro Bob Will, do Stud Instante Mágico.
E, por muito pouco, não teve a montaria de Nautilus. Ele estava entre as opções de escolha dos proprietários do campeão, que optaram pelo jovem, Ruberlei Viana por ele já conhecer o cavalo de São Paulo. "Eles tomaram a decisão certa. O cavalo ganhou por que o garoto foi perfeito. Talvez comigo, ou com outro jóquei, que eles escolhessem, o cavalo não conquistasse o triunfo. Eu tentei a montaria, por que revi o filme do Grande Prêmio São Paulo e achei a corrida dele muito boa. Era um páreo em aberto e que seria decidido em detalhes. E o Ruberlei arrebentou", afirmou com a humidade que o ajudou a conquistar 13.206 vitórias.
