Hoje à tarde, no Hipódromo da Gávea, o mais belo do mundo, às 17h, o turfista brasileiro vai ter o privilégio, e também, o orgulho, de desfrutar, pela 90ª vez, na história, do Grande Prêmio Brasil. Quatorze puros–sangues estarão alinhados na seta dos 2400 metros, na grama, em busca da glória, de entrar para a galeria de vencedores da prova de turfe mais tradicional e importante, do país. A lendária trajetória deste páreo foi escrita por personagens extraordinários, entre puros–sangues notáveis, sempre protagonistas do espetáculo, jóqueis famosos e talentosos, e treinadores competentes e carismáticos. A história do Grande Prêmio Brasil se confunde com a própria história do turfe no solo nacional. Hoje, dia 26 de junho de 2022, é um dia para lá de especial. Pelo menos, para quem tem no peito um coração que bate no ritmo apaixonado por este esporte imortal.
A prova desta tarde não tem favorito. E, este caráter de equilíbrio de forças aumenta a ansiedade. O perfil técnico da competição, com bolsa de R$ 561 mil, sendo R$ 250 mil, para o proprietário do cavalo ganhador, causa expressivo encantamento. A presença do favorito destacado produziria temor, e a certeza de que só possível calamidade impediria o seu sucesso. Na prova com possibilidades divididas, todo mundo consegue sonhar com a consagração. O que existe hoje são os puros–sangues mais cotados devido ao que produziram, anteriormente, para merecer estar candidato a conquista da glória. Neste caso, entre os mais novos, estão:
Sugar Daddy, do Haras Doce Vale, ganhador do Derby, e treinado por Venâncio Nahid, recordista de triunfos na prova, ao lado do lendário Ernani de Freitas, com seis conquistas. Conhece bem o caminho. On Line, do Stud Verde, corredor fiel, e visitante contumaz no placar dos clássicos, com a chancela de Luiz Esteves, com quatro vitórias recentes na prova. Don Cambay, do Stud H&R, adquirido por quantia extravagante, na véspera da corrida, e atropelador, fator a ser considerado positivo, numa prova em que a precipitação é visitante ilustre e habitual. E Jorel, do Stud Pedudu, ganhador da preparatória em marca expressiva, e conduzido pelo campeão da estatística carioca, Leandro Henrique, com a confiança lá no céu.
Não podem ser esquecidos, porém, os mais experientes e consistentes. É o caso de Osprey, do Stud Red Rafa, que, muito apostado, a 4 por 1, em Cidade Jardim, fracassou na maior prova do turfe bandeirante. Agora vai jogar em casa. Alguns puros–sangues são assim. Como times de futebol que rendem mais com o apoio da torcida. E há o visitante ilustre, e campeão do Grande Prêmio São Paulo. Roxoterra, do Haras Fazenda Boa Vista. Além da sua volúpia e apetite para atropelar, vai carregar em seu dorso, Jeane Alves, uma mulher capaz de derrotar o preconceito. E ele possui tamanho gigantesco no turfe. Ela foi capaz de ganhar uma estatística, em que todos os rivais são homens. E, para provar, não ter sido obra do acaso, ela acabou de bisar o feito e ser bicampeã paulista. É bom respeitar a "Munheca de Aço", como alerta sempre, Roberto Casela, o locutor oficial do Hipódromo de Cidade Jardim. Vale lembrar, que pode ganhar algum cavalo não citado. O turfe tem dessas coisas. E, por isso, é sensacional.
Por Paulo Gama