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Junho | 2022

Páreo Corrido, por Paulo Gama
22/06/2022 - 08h45min

MAIS UM GRANDE PRÊMIO BRASIL EM NOSSAS VIDAS

A história da disputa da maior prova do turfe nacional, o Grande Prêmio Brasil, se confunde com a própria trajetória da vida de cada indivíduo ligado, de uma maneira, ou de outra, a esta corrida que nos provoca incrível paixão. O encanto milenar, e incondicional, do homem pelo puro–sangue de corrida, o acompanha durante toda a sua caminhada na vida social, em família, e na intimidade. E, com relação ao brasileiro, este sentimento aflora, dentro do peito, na semana da realização do GP Brasil. O indivíduo se lembra do cavalo ganhador no ano do seu casamento. Do outro, que se consagrou no dia em que nasceu o seu primeiro filho. E, ainda, daquele craque, que infelizmente, alcançou a glória na ocasião do falecimento de um amigo inseparável, ou, então, de um ente querido. E, assim, a nossa vida fica marcada, e compartilhada, para sempre, com os cavalos de exceção. Os bólidos de quatro patas, de uma relação privilegiada que conquistou este páreo mágico.

No próximo domingo, dia 26 de junho de 2022, será escrito mais um capítulo desta gloriosa história, que começou em 1933, com Mossoró. E o triunfo, deste, ou daquele competidor, vai impactar, de maneira diferente, no dia a dia, dos personagens relacionados ao puro–sangue que cruzar o disco no primeiro lugar. Há jóqueis e treinadores, presentes no campo da prova, que já experimentaram esta emoção inesquecível uma única vez, como Waldomiro Blandi, agora jóquei de Osprey, do Stud Red Rafa, que comemorou com Barolo, do Haras Santa Rita da Serra, em 2015.

Outros, como o gaúcho, Claudinei Farias, jóquei de Sugar Daddy, do Haras Doce Vale, vivem a expectativa, e o sonho, de ganhar pela primeira vez. E, ainda outros, tais como o treinador Venâncio Nahid, que treinava Barolo, e agora apresenta Sugar Daddy. Neném já ganhou tantas vezes a prova mais importante do turfe nacional, que surpreende viver agora a mesma ansiedade dos inúmeros triunfos anteriores. Venâncio comemorou com Flying Finn, Velodrome, Jeune–Turc, Barolo, My Cherie Amour e Pimper’s Paradise. Mudam as circunstâncias, e aquele momento de nossas vidas. Porém, o cenário é o mesmo. O belo e deslumbrante Hipódromo da Gávea. E existe aquela emoção do dever cumprido, e da consagração profissional. Estes sentimentos são sempre os mesmos. Deixam o sujeito leve e de alma lavada.

Carlos Lavor, tricampeão com Troyanos, em 1989, e Villach King, em 1991 e 1993, sonha em ganhar num ano de final par, pela primeira vez. Quem sabe 2022? E o jovem Henderson Fernandes, que faturou com enorme azarão, Belo Acteon, em 2011, e George Washington, agora, no ano passado, em 2021, 10 anos depois. E ainda existem pilotos vitoriosos na profissão presentes no páreo, mas que ainda não conseguiram alcançar a glória do GP Brasil. 

Valdinei Gil e Acedenir Gulart, por exemplo. E os garotos, Leandro Henrique e Bruno Queiroz, que estão no início da caminhada profissional. Depois de tentar quebrar o encanto, se faz necessário esperar um ano inteiro, para fazer outra tentativa de novo. Ano após ano. Alguns, só viveram a emoção uma vez. E não terão a oportunidade de reviver esta alegria. É o caso de Dalto Duarte, que ganhou em 2010, com Moryba. E, infelizmente faleceu num acidente automobilístico. Ou Alex Mota, ganhador com Thingnon Boy, em 2004, e agora já pendurou o chicote.

AUSÊNCIAS SENTIDAS

E existe ainda o caso curioso de Jorge Ricardo. Aos 60 anos, ele já viveu a emoção de ganhar o Grande Prêmio Brasil, com dois craques inesquecíveis, Falcon Jet, em 1992, e Much Better, em 1994, segundo ele próprio afirma, os dois melhores cavalos que montou em 45 anos de carreira. Desta vez ficou a pé. Head Office, corredor do turfe paulista, sofreu contratempo, duas semanas antes da corrida. Sem previsão ainda de se aposentar, o recordista mundial, entretanto, tem plena consciência, de que poderia ser a sua última chance de viver esta emoção indescritível. E, para o Jockey Club, Ricardinho representa um desfalque lamentável de última hora. No próximo domingo, quantos frequentadores do prado, pouco conhecedores de turfe, mas que curtem o evento uma vez por ano, não vão perguntar. Qual o cavalo o Ricardinho vai montar? Ele tem chance? E o Juvenal? Ele parou de montar? Não me diga uma coisa dessa...

Se Jorge Ricardo será ausência sentida na raia, o alagoano Juvenal Machado da Silva seria um convidado muito aplaudido no domingo. Recordista de vitórias da prova, Aporé, Gourmet, Grimaldi, Bowling e Flying Finn, ele possui legião de fãs. O Jockey Club Brasileiro deveria traze–lo no colo, de Delmiro Gouvêa, onde cuida de sua fazenda, e de seus bois, além de trabalhar na lavoura, para ser aplaudido de pé pela multidão que vai lotar as arquibancadas no domingo. Vocês têm ideia do que seria este pódio com Jorge Ricardo e Juvenal Machado da Silva, lado a lado, para entregar a taça ao jóquei ganhador deste Grande Prêmio Brasil de 2022? 

Todos os verdadeiros turfistas iriam sair de casa para ver isso de perto. Seria um momento único no Festival. Os duelos entre eles, durante anos, elevaram a história deste páreo. Ainda dá tempo. Coloca o Nanau no avião. A esta altura da vida seria um momento inesquecível para ele. E para todos nós turfistas também. Se o Silvestre de Souza não vem. Trazer o Juvenal seria sensacional. E custaria bem menos. Os turfistas da nova geração não têm a menor ideia do que este cara fez na raia. Um gênio na arte de montar. Proporcionou direções magistrais para todos os amantes do esporte. Um cara muito carismático e generoso. Tudo de bom.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Kombi, de criação e propriedade do Haras Santa Rita da Serra, esteve a passeio no Hipódromo de Cidade Jardim, e acelerou para vencer. Bela apresentação do treinador Roberto Morgado Júnior, que escreve bela história nesta difícil profissão de treinador. A temporada se encerra com expressivo resultado do filho prodígio do nosso querido Bebeto, o Roberto Morgado Júnior, um homem que dedicou a sua vida ao puro–sangue de corrida. Deve estar bastante orgulhoso do garoto.

JOQUEADA DA SEMANA

Jeane Alves, a "munheca de aço", como narra semanalmente o craque, Roberto Casela, brilhou no dorso de Love Now, de criação do Haras Cifra, e propriedade do Stud Brave Heart. Em forma atlética exuberante, ela dá canseira nos marmanjos do turfe paulista há duas temporadas, e agora derrotou o nosso Bruno Queiroz. E os jóqueis cariocas devem colocar as barbas de molho. Roxoterra só tem contra a proximidade entre dois páreos tão importantes. Mas, como se trata de um cavalo no auge da forma, pode repetir Grimaldi, que em 1986, ganhou o GP São Paulo, e veio até aqui, e também levantou o GP Brasil.

PERSONAGEM

Francisco Leandro voltou a montar no turfe argentino, recuperado de fratura no ombro direito. O brasileiro estava disparado na ponta da estatística, mas a ausência de 1 mês e meio das competições, permitiu a aproximação do bom jóquei argentino, William Pereyra. A vantagem a seu favor, que era de 41 pontos, caiu para um ponto apenas. Agora, os dois pilotos têm travado um duelo de tirar o fôlego nos três principais hipódromos portenhos, Palermo, San Isidro e La Plata. Placar atual: F. Leandro 157 x W. Pereyra 155. O cearense, Francisco Leandro Fernandes Gonçalves, ganhou as quatro últimas estatísticas na Argentina. Em 2018 foi campeão, com 387 vitórias, em 2019, com 390, em 2020, 193 (pandemia), e em 2021, 400.

FELIZ ANIVERSÁRIO

O locutor Thiago Guedes completou 38 anos ontem. Parabéns para ele. Profissional dedicado, carismático, e apaixonado pelo que faz, merece todos os elogios de minha parte. Ele, e o seu colega de transmissão, o também gabaritado, Fernando Cury, assumiram a responsabilidade, de uma hora para outra, de substituir três locutores de turfe experientes, consagrados e famosos, Ernani Pires Ferreira, Oscar Vareda e Luiz Urubatan Carlos. Não deixaram a peteca cair, e, aos poucos, evoluem a cada segundo, o que é comum numa tarefa profissional tão árdua e difícil como esta. Thiago, um abraço carinhoso a você e parabéns pelo seu aniversário.

 



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