O povo argentino é apaixonado por turfe. O seu cotidiano cultural se divide, e se alimenta, pelo imenso amor que possui por tango, chimarrão, futebol e as corridas de cavalos. Tudo isso, com amor e intensidade semelhantes. A diretoria do Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, trabalhou duro no início da semana, e, através de sua Comissão de Corridas, conseguiu organizar reunião dominical com 15 provas. A largada do páreo de abertura será às 13h, e o sentimento dos dirigentes do clube hípico é jamais deixar os aficionados pelo esporte sem corridas.
Esta circunstância, como acontece hoje, na tarde de domingo do Brasil, sem a disputa de um páreo sequer nos principais hipódromos nacionais, deixaria os Hermanos em pé de guerra. Seria considerado um tremendo insulto a coletividade. Nesta semana foi realizado um censo no país, medida governamental, e, evidentemente, não foram disputadas corridas. Os burreros, os mais fanáticos turfistas portenhos, não ficaram nada satisfeitos com isso. Tiveram que entubar a situação, porém com bastante chio pelas ruas de Buenos Aires. O Clássico Velocidad, em 1000 metros, na grama, 8º páreo de hoje, é a prova central da maratona de 15 páreos.
A estatística de jóqueis também é acompanhada com interesse pelos argentinos. Nos seus mínimos detalhes. O brasileiro, Francisco Leandro, conta com a simpatia dos burreros por sua postura e talento. Mas, a fratura sofrida no ombro direito, permitiu a aproximação gradativa do argentino, William Pereyra, muito admirado por eles. O placar, de 151 a 123, vai ser diminuído ainda mais. Leandro só deve voltar a competir daqui a duas semanas. A outra disputa acompanhada por eles acontece entre Juan Villagra, terceiro colocado, com 105 vitórias, e Brian Enrique, em quarto, com 104. A cada triunfo de um deles, as arquibancadas, divididas, provocam o outro lado das tribunas.
Por Paulo Gama