GP SÃO PAULO 2022. A HISTÓRIA ESCRITA POR GRANDES PERSONAGENS
Realizar um evento turfístico com a tradição e a magnitude do Grande Prêmio São Paulo exige abnegação, esforço e desprendimento. Por isso, parabéns a diretoria do Jockey Club de São Paulo. A grama estava bem cuidada. O Hipódromo de Cidade Jardim, impecável em sua totalidade. O tempo bom, também ajudou bastante. E os artistas da festa, puros–sangues de corrida, e profissionais de turfe brilharam intensamente. Sem dúvida, proporcionaram belo espetáculo. O cavalo de corrida é sempre o maior protagonista do evento turfístico. Nenhum ser humano pode ser colocado acima dele. Portanto, todos os elogios a jóqueis, treinadores, criadores e proprietários estão sempre atrelados ao desempenho dos puros–sangues nas pistas.
JEANE ALVES
Num esporte de indiscutível predominância do signo da masculinidade, a heroína do festival da maior prova do turfe bandeirante foi uma mulher. A joqueta cearense, Jeane Alves, foi a dona da festa. Na longa história do GP São Paulo, ela foi a primeira mulher a quebrar o tabu do páreo só ser conquistado por homens. Roxoterra, do Haras Fazenda Boa Vista, tinha no seu dorso autêntica guerreira. Uma mulher forte, predestinada, talentosa e com a obstinação dos verdadeiros campeões. Ela deu um tapa na cara dos preconceituosos. Jeane saiu do interior do Ceará, da cidade de Acopiara, para mudar a história do turfe paulista. Líder da estatística, num dos hipódromos mais importantes da América do Sul, ela é a única mulher na raia. Agora, no auge dos seus 31 anos, realizou o sonho de ganhar o Grande Prêmio São Paulo.
EMERSON GARCIA
O treinador Emerson Garcia brilhou intensamente também. Profissional conhecido por nós, aqui no Rio de Janeiro, onde teve passagem das mais promissoras, ele agora consolidou a sua carreira no turfe paulista. Responsável pela apresentação de três puros–sangues ganhadores clássicos no domingo, Roxoterra, na prova central, Bien Sureño, do Neverending Stud, no Grande Prêmio Presidente da República, e Neto Ernesto, do Stud Orit, na Prova Especial Quartier Latin, teve postura modesta e digna, em sua entrevista, depois da prova. Desconfortável ao microfone, e emocionado pelo recente falecimento do irmão, Eduardo Garcia, que treinava Roxoterra, simplificou o triunfo. "Eu não fiz nada. Meu irmão se foi e deixou o cavalo pronto nas minhas mãos. Preferia que ele estivesse aqui, ao meu lado e realizasse o sonho de ganhar este páreo", desabafou com sinceridade.
ANTÔNIO OLDONI
Nas últimas semanas turfísticas nacionais, o treinador Antônio Marcos Oldoni, responsável pelo treinamento dos puros–sangues do Haras Rio Iguassu, tem dado as cartas com avalanche de vitórias. Sinto–me confortável para escrever sobre o ele. Teve passagem das mais proveitosas aqui no turfe carioca, numa seção montada pela coudelaria no Centro de Treinamento do Vale do Itajara. Os titulares desta fábrica de campeões permitiram com esta iniciativa, que ele amadurecesse e ficasse pronto para brilhar no cenário nacional. O cara é uma fera. Modesto, simples, gentil e dedicado, Oldoni vive com paixão o dia a dia da sua profissão. As duas inéditas dobradas, ponta e dupla, nos Grandes Prêmios de Grupo 1, João Cecílio Ferraz e Juliano Martins, na sexta–feira, do festival, com Punta do Iguassu e Pérola do Iguassu, e Play do Iguassu e Pelé do Iguassu, respectivamente, foi incrível. E o que dizer da velocista Oriana do Iguassu? Um assombro a regularidade de suas apresentações.
VALDINEI GIL
No dorso das máquinas do Haras Rio Iguassu aconteceu o importante resgate profissional do excelente piloto Valdinei Gil. Durante muitos anos, jóquei contratado do Haras Santa Maria de Araras, onde construiu linda história, teve enorme queda na sua trajetória, com certeza impactado pela saída de lá. A chance de ter preferência nos corredores da coudelaria paranaense, apareceu em sua vida, como se fosse o "último trem para Berlim". E o popular "Dragão", que de bobo não tem nada, tratou de embarcar logo na primeira estação. Trabalhei com Gil, como o seu agente de montarias, por quase três anos. Dócil, calmo, brincalhão e com rara capacidade técnica. Montar cavalos de corrida para ele tem a dificuldade semelhante com a de chupar um picolé. Um craque!
REGISTROS IMPORTANTES
Alguns desempenhos individuais também foram dignos de destaque. O pouco espaço, porém, não permite me estender demais. Fernando Larroque, com Bien Sureño e Neto Ernesto, Marcos Ribeiro, no dorso de Deusa, Jagermeister, Royal Lady, Oceania Go, e Chiky Light. José Severo, com All Obsession, Mamba Mentality, Oba Oba, Y Gold, e Pool Game. Ruberlei Viana, com Zezé Corredor, Bruno Queiroz, com Play do Iguassu, Albinoni (Leonardo Reis), e José Ignácio. E Ricardinho, ganhador da Prova Especial Off The Way, com Rosa Maria, Youdobest, e mais quatro provas no Cristal. Entre os treinadores, muitos brilharam. Tiago Haydar pode representar os seus colegas de profissão, nas apresentações vitoriosas dos estreantes In–Uky, War Secretary e In The Sand, do Haras San Francesco, e Urban War, War Secretary e Urbana Lover do Haras Kigrandi. Duas promessas de craque.
