CIDADE JARDIM REVIVE MAGIA E TRADIÇÃO DO GRANDE PRÊMIO SÃO PAULO
O turfista brasileiro, nesta segunda semana do mês de maio, tem compromisso marcado com a paixão e a mística da disputa de mais um Grande Prêmio São Paulo. Para os mais vividos, como é o meu caso, trata–se da oportunidade de viajar no tempo, e reviver emoções inesquecíveis. Algumas das mais belas páginas do turfe nacional foram escritas na raia de grama paulistana, pelas quatro patas de puros–sangues campeões. Na grama do Hipódromo de Cidade Jardim já desfilaram cavalos da mais alta qualidade. Craques espetaculares, conduzidos por jóqueis lendários, muitos já aposentados, e outros, que já partiram do nosso convívio. Treinadores de renome, verdadeiros magos, na arte de preparar cavalos de corridas para competir. Em nossas mentes, ainda flutuam as fardas de criadores e proprietários, que sumiram da presença visual na raia. Porém, elas ainda desfilam no coração de cada turfista que um dia pisou no majestoso hipódromo paulistano. Vida eterna para o turfe bandeirante!
Depois da tempestade vem a bonança. Era a frase preferida do meu saudoso avô, Moacir. Discreto, solidário e parceiro. Silenciosamente, ele um belo dia me revelou que era turfista apaixonado. Um segredo guardado por ele a sete–chaves do resto da família. Possuía amor incondicional pelos cavalos de corrida. Ninguém jamais soube disso. Nem mesmo a minha avó, Zuleida, com quem viveu por mais de 50 anos. Com a desculpa de me levar ao Maracanã, ou ao cinema, nos transitávamos, discretamente, na Tribuna Especial do Hipódromo da Gávea. Ele morreu do coração e só eu, que ele carinhosamente chamava de Paulinho, o seu neto preferido, soube, um dia, da sua paixão turfística. Na verdade, aquele neto, que ele conversava por horas seguidas na sala do seu apartamento, era o álibi perfeito, para voos mais altos. Quando era preciso, as escondidas, pegar o ônibus da Viação Cometa, e ir até Cidade Jardim para ver o Derby Paulista ou o GP São Paulo. Ao seu lado, eu vi Grimaldi, levantar o Grande Prêmio São Paulo, montado pelo lendário Juvenal Machado da Silva. Fã incondicional do piloto alagoano, ele não quis perder esta oportunidade. Meu querido avô Moacir. Que saudade!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Numa semana bastante proveitosa, Dulcino Guignoni brilhou nas apresentações de Kali Mah, do Stud Embalagem, Olympic Kremlin, do Stud H & R, Isla Formentera, do Stud Globo, e Justice Force, do Stud H & R. Destaco a beleza e desenvoltura do galope de apresentação, Isla Formentera. Um privilégio para quem milita no turfe ver um profissional com tamanha experiência, sucesso e tantas glórias conquistadas, se manter motivado, competente e tão preparado para competir em alto nível sempre.
JOQUEADA DA SEMANA
O aprendiz W. Pereira pareceu um veterano no dorso de Honest Boy, do simpático Stud Gata da Serra, e treinamento de Jairo Borges. Acompanhou de perto os dois jóqueis que brigam pelo topo da estatística, Bruno Queiroz, no dorso de Quick Draw, e Leandro Henrique, com Valdez. Manteve o seu pilotado colado à cerca interna. Na entrada da reta, ao perceber que Quick Draw saiu um pouco da cerca, fez partida mais cedo do que o esperado, e num movimento para lá de ousado, passou por dentro do atual líder do ranking, para vencer linda carreira. Boa posição, coragem e ousadia, fatores imprescindíveis na profissão. Começa a amadurecer. Só precisa caprichar mais nos páreos de grama. Esta raia é mais difícil de correr no início de carreira. Menção honrosa para Victória Mota, no dorso de Justice Force. Estava com a joqueada nas mãos até o penúltimo páreo. Mas, aí, o garoto W. Pereira exagerou. Fez gol de placa.
PERSONAGEM
O venezuelano, Sonny Leon, no dorso de azarão Rich Strike, cotado a 80 por 1, calou o Hipódromo de Churchill Downs, com a presença de mais de 150 mil turfistas, segundo os comentaristas da ESPN. Não se intimidou com a presença dos melhores jóqueis do mundo, ao seu lado, na prova. Saiu na última baliza, encostou o seu cavalo, aos poucos, se aproximou de alguns dos mais cotados. Nos instantes finais da tradicional prova, ao perceber que o milagre poderia acontecer, não pensou duas vezes. Dominou dois dos melhores jóqueis do mundo, numa mesma tacada, Joel Rosário e Flavien Prat. O desconhecido cavalo Rich Strike, que recentemente havia corrido um claiming, derrotou Epicenter e Zandon, dois dos melhores potros de 3 anos dos Estados Unidos. Que momento mágico!
MOVIMENTO DE APOSTAS
A reunião de domingo na Gávea teve Movimento Geral de Apostas (MGA) de R$ 535.190,20, com 9 páreos. No dia seguinte, segunda–feira, com os mesmos 9 páreos, a arrecadação foi de R$ 704.928,59. Ou seja, uma derrota em todos os parciais. O que será mais fácil? Recuperar o interesse dos turfistas pela reunião do fim de semana, ou aproveitar o interesse e a disponibilidade maiores dos apostadores nas reuniões programadas para os dias úteis?
JORGE RICARDO VAI MONTAR 40 PÁREOS
O recordista mundial, Jorge Antônio Ricardo, vai montar um total de 40 páreos, de quinta–feira, em Porto Alegre, no Hipódromo do Cristal, quando assinou 8, dos 9 páreos da reunião gaúcha, até segunda e terça–feira, na Gávea, quando atuará, em 10 páreos, nos dois dias de corridas. Em Cidade Jardim, na sexta–feira, montará em cinco provas, no sábado, em 8, e no domingo, em 7, num total de 20. Somados a estes 38 páreos de puros–sangues, os dois páreos de cavalos da raça árabe, promovidos em São Paulo, este incrível atleta, aos 60 anos, vai desfilar seu talento e competência em 40 oportunidades.
