LATINO–AMERICANO É DESTAQUE TURFÍSTICO NA AMÉRICA DO SUL
No próximo sábado, dia 2 de abril, no tradicional, Hipódromo do Chile, em Santiago, será disputado, o Clássico Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs. O turfe brasileiro tem papel de protagonista na trajetória histórica da competição, com 10 vitórias. Os chilenos, nesta edição, os donos da casa, e os peruanos, ganharam o importante páreo 9 vezes, os argentinos, sete, e os uruguaios, em duas oportunidades, a última com um cavalo brasileiro, Aero Trem, radicado em Montevidéu, páreo disputado, no último mês de outubro. Foi o chamado Latino–americano da pandemia. Na relação dos ganhadores da prova, apenas um cavalo, ganhou duas vezes, Much Better, do Stud TNT, em 1994, no Hipódromo de La Plata, e em 1996, na Gávea. Só João Luiz Maciel, o seu saudoso treinador, aparece com dois triunfos. E o jóquei com maior número de vitórias é Jorge Ricardo, com cinco. O próprio Much Better, duas vezes, Falcon Jet, Jimwaki, e no dorso do uruguaio, Good Report, representando o turfe portenho.
Jumping Flight, defensor da bela farda do Stud Best Friends, é o nosso representante nesta oportunidade. O filho do reprodutor Catch A Flight, criado no Haras Santa Maria de Araras, atravessa o melhor momento de sua campanha. Deu um show de poderio locomotor na seletiva realizada no hipódromo carioca. Derrotou um especialista na raia de areia e nos percursos de fundo, Kopenhagen, do Haras Springfield, ganhador do GP Paraná, e segundo colocado no GP Bento Gonçalves. Na ocasião, o pensionista de Ildefonso Souza não lhe deu a mínima oportunidade. Fez boa viagem, adaptou–se bem a raia de areia do prado chileno, onde fez um apronto espetacular. Terá a honra de representar o nosso turfe, que já brilhou neste páreo com Duplex, Derek, Old Master, Falcon Jet, Jimwaki, e Much Better, entre outros campeões.
A favor do corredor brasileiro será enfrentar puros–sangues argentinos do segundo escalão. Henestrosa se credenciou num páreo só de fêmeas, e sem grande representatividade, em Buenos Aires. E Storefront, o outro nome portenho, ainda não saiu do páreo para perdedores, embora tenha tido início de campanha promissor, que nunca se transformou em realidade. Os chilenos tem cavalos inscritos, sem maiores credenciais. Entretanto, devem ser olhados com atenção sempre. Os corredores locais têm fama de jogarem bem em casa, apoiados pelas condições climáticas, a altitude, a Cordilheira dos Andes, próxima do hipódromo, como se fosse um anjo da guarda. Tive o privilégio de assistir um Latino conquistado por Pátio de Naranjos, em que derrotou na fotografia o argentino, El Sembrador, que foi o ganhador do Grande Prêmio Brasil de R$ 1 milhão, em 1995. Os chilenos são turfistas apaixonados e quase botaram o prado abaixo naquela oportunidade.
Mas nem tudo serão flores para Jumping Flight. Os uruguaios inscreveram apenas dois representantes. Porém, eles são muito bons. Atlético Eculano, treinado pelo brasileiro, Antônio Luís Cintra, o Tolú, foi segundo colocado para Aero Trem, no último Latino, em outubro. E foi apostado como favorito. Justice Cat, o outro nome oriundo de Montevidéu, neste mesmo dia, levantou a puro galope a milha internacional uruguaia. Dizem que demonstrou boa adaptação ao aumento de percurso. Os peruanos, com muita tradição na prova, mandaram cinco representantes, entre eles, Super Nao, de origem argentina, filho dor reprodutor, Super Saver, com campanha em Monterrico, hipódromo em que foi eleito, "O cavalo do Ano", no Peru. A expectativa dos seus responsáveis é das maiores. Um detalhe curioso sobre ele foi a recusa do convite para participar do páreo. Os seus proprietários agradeceram a indicação, mas afirmaram que o cavalo só participaria da prova se conquistasse na raia este direito. E foi o que aconteceu, com um triunfo esmagador sobre os rivais.
DUBAI WORLD CUP
A transmissão na TV Turfe da Dubai World Cup foi bem legal. Imagens lindas, tomadas espetaculares, e vale o registro da condução dinâmica, serena e eficiente do jovem Lucas Eller, conhecedor e interessado em filiação. Os páreos, com largada em cima do horário, as informações precisas, as entrevistas bem colocadas, enfim, um momento mágico para quem é apaixonado pelo esporte. E, o triunfo de Country Grammer, montado pelo extraordinário jóquei, Lanfranco Dettori, com preparo do consagrado treinador, Bob Bafert, interrompeu uma sequência extraordinária de triunfos do turfe japonês. O mesmo fenômeno havia acontecido, 30 dias antes, por ocasião da Saudi Cup, na Arábia Saudita. Investimento alto, organização absurda e resultados inquestionáveis. Os americanos e europeus estão visivelmente incomodados com a canseira que têm levado, nas principais provas, pelos cavalos radicados do Japão.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O treinador Mário André brilhou em Cidade Jardim na apresentação de sua pupila, Bellawatch, do Stud Vinícius Roehrs/Stud Los dos Amigos. O triunfo no Clássico Presidente Luiz Nazareno Teixeira de Assumpção sobre a potranca On Upon A Time, do Stud Nicholas &Enrico Jarussi foi dramático, mas emocionante. A veterana corredora tem sido mantida em forma exuberante e o tempo parece não passar para ela. A filha de Watchmon esteve aqui na Gávea e ganhou 4 corridas, mas nunca se imaginou que pudesse cumprir campanha tão destacada quanto essa que realiza em Cidade Jardim. Parabéns ao profissional por sua competência.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Intuito Campeão, do Stud Escorial, o bridão A. M. Silva, esteve impecável, e obteve um triunfo de chamar atenção. Oriundo da Escola de Aprendizes de Cidade Jardim, de onde se transferiu na época, para o Rio de Janeiro, veio com ótimas recomendações, do instrutor e professor, Gabriel Meneses. Já faz algum tempo. Porém, me lembro de ter conversado, por telefone, com o "Gringo", que tanto brilhou aqui na Gávea no dorso dos puros–sangues da família Paula Machado. "Este garoto é promissor. Tem talento e calma para correr. Mas ele é tímido e retraído. Por isso, talvez tenha alguma dificuldade aí na Gávea. Os cariocas são extrovertidos e falantes. Mas ele leva jeito", comentou na ocasião. Nos 200 metros finais, cabeça a cabeça, com Henderson Fernandes, um dos melhores do turfe nacional, no dorso de Cromwell, A. M. Silva, não perdeu a calma. Ajustou o seu conduzido, não deu sequer uma chicotada, e com tocada vistosa levou o seu potro até o disco. Por uma fração de segundo, lembrei do inesquecível, "Rolê do Gringo", como narrava o locutor, Ernani Pires Ferreira, nas vitórias de Gabriel Meneses.
PERSONAGEM
Suspenso na corrida do próximo domingo aqui na Gávea, Jorge Ricardo assinou apenas três compromissos de montaria na segunda–feira. Baby Shark, Máquina do Raul e Journal El Try, treinados por Arno Hodecker Jr., Igor Botelho e Venâncio Nahid, respectivamente. Por outro lado, no sábado, em Cidade Jardim, o recordista mundial de vitórias, 13.170, vai montar em todos os páreos para puros–sangues. São eles, Dragolina, Hulk do Jaguaretê, Gato Lindo, Youdobest, Pingos nos Is, Jeito Nosso, Jicarilla, Afleet West e Expert, num total de nove. E até assinou Hallmarck Rach, no páreo Extra, para cavalos da Raça Árabe. Como dizia, o saudoso jornalista, João Saldanha: "É vida que segue".
MOVIMENTO DE APOSTAS
O Movimento Geral de Apostas (MGA) dos três dias de corridas na Gávea não teve maiores novidades. No domingo, com apenas oito páreos disputados, o JCB arrecadou R$ 545.115,84. Na segunda–feira, com um páreo a mais, o faturamento cresceu em R$ 100 mil, ou seja, foi para R$ 645.148,08, o maior da semana. A terça–feira, também com 9 provas, teve resultado parecido, com R$ 638.859,39. A reunião de domingo passa por situação parecida da antiga corrida de sábado, que hoje não existe mais. Parece fadada a extinção. Os turfistas preferem apostar nos dias úteis. E, por uma série de fatores, família, filhos, e opções diferentes de entretenimento, dividem o foco dos aficionados.
