Jorge Antônio Ricardo, 60 anos, continua a ampliar sua vantagem no topo do ranking mundial de vitórias, segundo o ranking oficial, divulgado no site especializado em pesquisas, números e recordes do turfe internacional, www.paginadeturf.wordpress.com. Na relação, dos 10 primeiros jóqueis melhores colocados, apenas ele, recordista mundial, com 13.169 pontos, o peruano, Edgar Prado, 58 anos, sétimo do mundo de todos os tempos, com 7.410, o japonês, Fumio Matoba, nono colocado, com 7.377, aos 66 anos, e o americano, Perry Wayne Ouzts, 68 anos, 10º do ranking, com 7.246, seguem em atividade nos hipódromos oficiais do mundo. Os outros seis pilotos, Russel Baze(2º), Laffit Pincay Jr(3º), William Shoemaker(4º), Pat Day(5º), Pablo Falero(6º) e David Gall(8º), já se afastaram das competições há um bom tempo.
Depois de bater o recorde mundial, 12.845 vitórias, Ricardinho já ampliou bastante a sua vantagem sobre o vice–líder, o canadense, Russel Baze, com 12.844. Não que isso fosse necessário. Afinal, depois de sofrer fratura de clavícula, Baze, que sempre foi um osso duro de roer, decidiu por um ponto final em sua vitoriosa trajetória, e se aposentou das corridas de Golden Gate, nos Estados Unidos, onde montava preferencialmente. Do dia em que bateu o recorde de Baze para cá, Jorge Ricardo já ganhou mais 325 páreos, entre o turfe argentino, onde esteve radicado, por 14 anos, e o nacional, para onde retornou depois desta experiência bem sucedida.
Curiosamente, no turfe brasileiro, Ricardinho tem sido mais prestigiado no turfe paulista. No Hipódromo da Gávea, onde obteve a maioria dos triunfos do seu aparente, inalcançável recorde mundial, nem tanto. Nas últimas três semanas, Ricardo obteve nas raias de Cidade Jardim, três triunfos consecutivos na esfera clássica, com Bien Sureño, Love My Dream, e, ontem, com Bellawatch. Nesta semana, o campeão do mundo, assinou sete montarias, em Cidade Jardim, até mesmo em páreos de cavalos árabes, num único dia de corridas. Enquanto na Gávea, a sua casa, em três programações, assumiu compromisso em apenas quatro páreos, dois hoje, e dois, na terça–feira. Na reunião de segunda–feira, sem estar suspenso, não lhe foi oferecida uma montaria sequer.
Apesar desta circunstância inusitada, em relação ao turfe carioca, onde construiu uma história gloriosa e extraordinária, Jorge Ricardo navega em águas tranquilas no topo do mundo. E, não seria leviano afirmar, que o seu recorde, talvez seja o mais difícil de ser batido, entre todos os recordistas mundiais de outros esportes no planeta. Basta fazer as contas. Hoje, Jorge Ricardo possui 5.759 vitórias a mais do que Edgar Prado. Está com 5.792 vitórias a frente de Fumio Matoba, e 5.923, de vantagem, sobre Perry Wayne Ouzts. As outras lendas das rédeas saíram de cena. Resta a possibilidade de surgir um jóquei com talento, persistência, obstinação, e, acima de tudo amor à uma profissão tão arriscada, que esteja disposto a montar por 45 anos consecutivos. Enfrentar e sobreviver a inúmeros acidentes nas raias, driblar um câncer, e, depois disso tudo, ainda vibrar, como um menino, com qualquer simples triunfo num páreo de turma. Jorge Ricardo é um fenômeno como atleta, e, também como ser humano.
Por Paulo Gama