Tive com o Nilsinho, este papo em 2020, em circunstâncias não muito usuais: ele a caminho de Londrina onde leiloaria gado e eu do supermercado, onde reabasteceria minha casa para a chegada do Hurricane Isaias. Resumindo, ambos a procura de suas respectivas sobrevivências. Ai vai parte dele, o diálogo, não o Nilsinho.
"... nós temos um mercado totalmente diferente, um mercado no hemisfério norte até se deslocando mais para o Oriente do hemisfério, para os países asiáticos, além do tradicional que tínhamos dos Estados Unidos. Europa nunca foi um grande mercado, até poderia ter sido, você sabe muito bem que levou cavalos (brasileiros) para correr páreos que eram impensáveis de correr para um cavalo brasileiro, enfim, a única forma de nós fazermos este nosso mercado aqui do puro sangue brasileiro se mover e trazendo estas referências. Evidentemente que você tem um prêmio em Cidade Jardim de R$5,000, que você não recebe, um prêmio no hipódromo da Gávea, reduzido a 40%, que já não era uma maravilha, e penso como você pode vender um potro de R$100,000? Um potro de R$100,000, menos mal remunera o criador, já que no frigir dos ovos é cerca de US$15,000. Então, uma boa criação hoje de um potro, não sai a menos de US$10,000 e para este mercado girar eu preciso no mínimo que este criador recupere parte de seu investimento, porque o dinheiro volta para o mesmo lugar, para o mesmo haras. Se ele vende um pouco melhor, ele compra uma égua melhor e é disto que a gente vive. Logo eu tenho que fazer estas referências.
... a idéia é você vai tirar um produto destes, e vai pagar todo o investimento, Assim, se a gente não tiver esta referência que você tem um mercado que a gente possa multiplicar por 20, 30, 40 ou até 50 vezes, aquele valor que você está atribuindo a um produto nacional, não haveria nenhuma razão de ser. E também não estou inovando. É tudo questão de observação de vivência.
Por exemplo, a raça de puro sangue árabe no Brasil, que é um criatório pequeno, que consegue ser menor que o do Puro Sangue Inglês, hoje devem nascer 800 potros árabes, o que é menos da metade do PSI, mas ela é toda focada, nas vendas internacionais. Então se você tira uma potranca boa, vem um sheikh árabe, paga US$400.000, US$500,000 e isto movimentas o mercado. Como o cavalo árabe se mantém no Brasil, porque a pessoa ainda cria, sendo tão desestimulante? E porque está visando uma possível venda internacional, de um possível animal de exceção".
Confesso que fiquei com este rápido diálogo na cebeça e me perguntei: O que eu ainda estou fazendo num mercado como estes? E a resposta foi imediata: Paixão. E paixão é a forma pelo qual o Nilsinho exerce sua profissão na venda de PSIs, talvez a que o menos remunere profissionalmente.
Hoje, as 21.00 horas na plataforma da Revista Horse, no You Tube, nós da live do Ninho do Albatroz, teremos a oportunidade de ouvir o Nilsinho com seu testemunho, de quem em minha opinião, mais conhece o nosso mercado. Eu não perderia se fosse você e aproveitaria para saciar minhas dúvidas, interagindo. Clique no link abaixo e ative o sininho de aviso.
https://youtu.be/fcGhon–26jg
Renato Gameiro – Edson Alexandre – Marcel Bacelo