TRÍPLICE–COROA SOB O SIGNO DA FRUSTRAÇÃO E DA ESPERANÇA
No próximo domingo à tarde, no Hipódromo da Gávea, o turfista carioca viverá a emoção da segunda etapa da tríplice–coroa. O coração dos verdadeiros aficionados do esporte estará dividido entre a frustração, com a ausência de Just Like, potranca de criação e propriedade do Haras Santa Maria de Araras, no GP Diana, depois do seu triunfo em estilo avassalador do GP Henrique Possolo. E, de outro lado, a expectativa pela performance de Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago, no GP Francisco Eduardo e Linneo de Paula Machado, agora o único puro–sangue com chance de lutar pela tríplice–coroa.
A lesão da filha de Wild Event e Beach Ball, no casco do posterior esquerdo, foi um balde de água fria para os fãs da coudelaria de Júlio Bozzano. A pensionista de Christiano Oliveira havia encantado a todos com a exibição de gala na primeira prova da coroa. Menos mal, a divulgação de que a lesão no casco não teve maior gravidade. Entretanto, o impedimento dela disputar a prova mais importante da trajetória de qualquer potranca, o tradicional GP Diana, tem impacto irreparável no seu currículo. Principalmente para uma representante de coudelaria de tamanha magnitude.
Agora, o protagonista será o consistente potro, Oceano Azul, do modelar, Haras Figueira do Lago. A seu favor, a experiência do consagrado treinador, Dulcino Guignoni, um mestre da profissão, acostumado a tensão e a responsabilidade deste gigantesco desafio. Com Virginie e Be Fair, dos Haras São José e Expedictus, Guignoni comemorou duas vezes a conquista. E, com Bal A Bali, do Stud Alvarenga, pulverizou os adversários com a sua tamanha superioridade. Oceano Azul é a bola da vez. Superada a próxima etapa, neste domingo, apenas o GP Cruzeiro do Sul, o Derby do dia 10 de abril, estará entre ele e a glória de ser tríplice–coroado.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Venâncio Nahid brilhou na apresentação de Jet Class, defensor do Stud Instante Mágico, um filho de Put It Back e Ensign First Class, por Wild Event, criado no Haras Santa Maria de Araras. Estava uma pintura no galope de apresentação e bem montado pelo recordista mundial, Jorge Ricardo, obteve triunfo incontestável na pista de grama leve, raia predileta dos puros–sangues de sua origem. Jet Class parece ter temperamento difícil, um tanto quanto nervoso, quando tem a raia pela frente. Por isso, a torcida para que a maturidade o acalme na sequência de atuações.
JOQUEADA DA SEMANA
Volta a frequentar a nossa coluna, o bridão gaúcho, Claudinei Farias. No dorso de Sugar Daddy, de criação e propriedade do Haras Doce Vale, ele teve o mérito de conseguir amansa–lo, o que lhe permitiu atuar com mais seriedade, sem disparar, e com isso derrotar um lote de bons e experientes corredores, na Prova Especial Waldmeister, em 2500 metros, na grama. Outra apresentação de luxo de Venâncio Nahid. Farias tem tido bom desempenho nos animais da coudelaria, do saudoso Alfredo Grumser. Sugar Daddy agora está à frente dos adversários em termos de preparo para o Derby.
PERSONAGEM
O treinador Roberto Morgado Neto atingiu a marca de 700 vitórias, aos 38 anos. O feito foi conquistado num páreo de claiming com Ouvidoria, do Haras Figueira do Lago, momento em que ainda formou a dupla, com Tapioca, do Haras Cariri PE. Porém, a cereja do bolo, aconteceu logo depois, no triunfo 701, com Tenacious, do Stud Ilse, criado no Haras Las Madres, brilhante ganhador da Prova Especial Helíaco, em 1500 metros, na areia. Betinho tem pedigree. Pertence a família tradicional do turfe brasileiro, o clã dos Morgados. Árvore genealógica prodigiosa de grandes treinadores, em que reluziu a estrela do seu pai, Roberto Morgado Júnior, um profissional genial, intuitivo e estudioso. Parabéns pelo feito. Jovem e apaixonado pela profissão, o treinador tem anos gloriosos pela frente.
MARCELO BORIONI
Depois de um divórcio amigável de 1 ano de 2 meses, o treinador, Marcelo Borioni, está de volta ao Stud Nunes de Miranda, farda tradicional do turfe carioca. Na primeira passagem, Marcelo ficou mais de oito anos cuidando dos puros–sangues da coudelaria. Muitas vezes, aos sábados pela manhã, estive com ele e o general, no alto das arquibancadas, marcando o tempo dos seus cavalos nos treinos de distância. Marcelo atravessa boa fase, embora tenha poucos animais sob sua responsabilidade. Recentemente, com Bombardier, de Luís Carlos de Melo, obteve três vitórias consecutivas em curto espaço de tempo. Agora vem o reforço de 13 puros–sangues do Stud Nunes de Miranda. Boa sorte.
JOSÉ SEVERO
O turfe paulista tem apresentado bons jóqueis na sua nova safra de pilotos. Ruberlei Viana e Idevaldo Silva têm brilhado constantemente, inclusive, em provas do calendário clássico. Nesta semana chamou bastante a atenção o jovem José Severo, contratado pelo Haras Phillipson. Esteve no Tarumã e brilhou, e, no dia seguinte, em Cidade Jardim, somou pontos para a farda que lhe contratou, com Qual Que É, treinamento de Ermelindo Sampaio, Pablito Power, e Odete Dete, treinados por Antônio Flório Barbosa. Bom largador, bem tranquilo no percurso, Severo tem mostrado bastante rigor nos momentos decisivos dos páreos de Cidade Jardim.
FRANCISCO LEANDRO DE VOLTA
Depois da aventura de uma semana na Arábia Saudita para participar da Saudi Cup, Francisco Leandro voltou ao turfe argentino com a corda toda. O jóquei brasileiro alcançou a marca de 82 vitórias até ontem à tarde, em Palermo. Leandro precisa manter uma média de 40 vitórias por mês, para chegar a 480 pontos, até o final da temporada, e bater o recorde sul–americano de Jorge Ricardo, conquistado na Gávea, com 477 vitorias. No ano passado, ele somou 400 triunfos, mas, durante o ano, teve dois acidentes graves, com fraturas de clavícula e tornozelo.
LATINO SE APROXIMA
Jumping Flight, do Stud Best Friends, segue na preparação para representar o turfe brasileiro, no próximo Clássico Associação Latino–americana de Jockeys Clubs, no Hipódromo do Chile, em abril. Ildefonso Souza está entusiasmado com o corredor, que só faz evoluir. Os argentinos tiveram muitas baixas nas últimas semanas. Village King, ganhador do GP Carlos Pellegrini foi para a reprodução, Miriñaque foi correr em Dubai, Dalbornell, que havia sido indicado, sofreu lesão e está fora. E Store Front, indicado pelo Hipódromo de Palermo, correu esta semana, e chegou num apagado quarto lugar. A indicação de Atlético Eculano, pelo turfe uruguaio, pode ser presença incômoda na prova.
