JUMPING FLIGHT ESTÁ PRONTO PARA FAZER HISTÓRIA NO CHILE
O potro de 3 anos, Jumping Flight, de propriedade do Stud Best Friends, e com a benção da criação do Haras Santa Maria de Araras, deu um show na Prova Especial Much Better, prova seletiva para o Clássico Associação Latino–americana de Jockeys Clubs, que será disputado, em abril, no Hipódromo do Chile, em Santiago. Jumping Flight sempre produziu treinos espetaculares no Centro de Treinamento do Vale do Itajara. Por isso, as suas primeiras inscrições foram feitas na pista de grama, e contra os melhores de sua geração. Porém, ele decepcionou. O staff do Stud Best Friends concluiu que o melhor seria direcionar a sua campanha para a raia de areia. E aí, sim, surgiu um corredor de excelência.
O triunfo do último domingo, na marca de 1m57s95 não deve ser subestimado. A volúpia do seu desempenho causou silêncio desconfortável no prado carioca. Aconteceu a proximidade do recorde de Autobelle, assinalado em 20 de dezembro de 1996, período em que houve mudança na raia carioca, com a introdução de areia dura e avermelhada, que permitiu tempos espetaculares, e recordes em várias distâncias. Posteriormente, devido a quebra de vários corredores por causa do terreno ser muito duro, tudo voltou ao normal. Jumping Flight deu show. Massacrou os rivais. Para todos os envolvidos, o jóquei, Alexandre Correia, o treinador, Ildefonso Souza, e o proprietário, Serginho Best Friends, não houveram surpresas. Os exercícios de Jump Flight só poderiam ser comparados aos do craque Pimper’s Paradise, do Haras Doce Vale, ganhador do Grande Prêmio Brasil.
Malas prontas para o Latino–americano. Existe uma Cordilheira dos Andes para escalar. Porém, a confiança tem de ser absoluta. Já estive lá. Presenciei o triunfo de Pátio de Naranjos sobre El Sembrador, num dia em que Much Better correu pouco. Os chilenos são nacionalistas, passionais, o clima é de muita competitividade. Mas a receptividade é muito boa, a gentileza também. O país é politizado, a população educada e acolhedora. Entretanto, que ninguém se iluda. Eles não gostam de perder. Sem problemas. Jumping Flight está no auge de sua campanha. O turfe brasileiro tem tradição no Latino. Nenhum país ganhou tantas taças na América do Sul. No dia 2 de abril, o filho de Catch A Flight estará no último furo para defender as cores verdes e amarelas.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Ildefonso Coelho Souza tem currículo. No início de carreira era o braço direito do saudoso Wilson Pereira Lavor, numa época em que a coudelaria de Júlio Bozzano começava a dar as cartas na América do Sul. Wilson se foi muito cedo, e Souza não deixou a peteca cair. Nos últimos meses tem apresentado em forma magnífica os seus pensionistas. Jumping Flight estava um quadro a óleo no galope de apresentação. Tomou a ponta resoluto, autoritário e correu como barbada que era. Os supostos adversários sucumbiram ao seu ritmo poderoso, com aceleração vistosa e incontrolável. Uma exibição de gala. Sem dúvida, a mais incontestável de 2022. Parabéns Souza!
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso da potranca Suddenly, do Haras Doce Vale, o bridão gaúcho, Claudinei Farias, líder no Hipódromo do Cristal, demonstrou o acerto de sua transferência para o turfe carioca. Percurso impecável, confiança lá em cima, e a precisão de uma partida curta de 400 metros, no momento exato. Sem chance de reação dos potros ao seu lado, numa apresentação espetacular de Venâncio Nahid para a filha de Put It Back e Double Trouble, por Wild Event.
PERSONAGEM
O turfe brasileiro perdeu um aficionado dos mais entusiastas e apaixonados pelo esporte. E, eu perdi um grande amigo. Se foi o egípcio, de origem albanesa, e com passaporte italiano, Numy Tsitsimitse, proprietário do inesquecível alazão, Flying Finn, ganhador do Grande Prêmio Brasil, o quinto da carreira, do extraordinário bridão, Juvenal Machado da Silva. Numy viajou pelo mundo inteiro, a sua atividade na área de exploração de petróleo, exigia isso. Mas foi na cidade do Rio de Janeiro que encontrou a felicidade. Amante do turfe, do futebol, era torcedor do Flamengo e do Manchester United, com a mesma paixão, do carnaval, do chope, e da picanha fatiada, com batatas fritas, no El Cid, em Copacabana. Um homem de bem. Um boêmio convicto. Um parceiro para todas as horas. Que saudade!
F. LEANDRO NA ARÁBIA SAUDITA
Francisco Leandro chega hoje a Riad para viver o sonho das mil e uma noites, no próximo sábado. Campeão absoluto, nos últimos anos, no turfe argentino, o brasileiro vai desfilar a sua classe e potencial absurdo em três provas clássicas, na Arabia Saudita. Zuran Zuran, Miriñaque, e o velocista, Rudy Tiger, todos puros–sangues de origem argentina, estão inscritos em provas bem complicadas, porém, o cearense de Sobral, está pronto para grandes desafios.
POUCA MUNIÇÃO
Poucos cavalos, pouca munição. Depois de duas semanas de boas programações, os turfistas cariocas terão pela frente semana com apenas dois programas, acertadamente marcados para segunda e terça–feira, com apenas 9 páreos, em cada reunião. Portanto, serão apenas 18 provas para o turfista carioca, que durante longos anos, teve sempre 4 reuniões, de no mínimo 10 provas, em cada um deles. São tempos difíceis. Porém, existe a esperança da luz no final do túnel. A liberação do jogo pode acontecer no Congresso Nacional. Tem gente trabalhando para isso. Os dirigentes turfistas precisam estar preparados e começar a estudar a logística desta possibilidade e se estruturar. Da noite para o dia, o sol pode voltar a brilhar no horizonte do turfe nacional. A torcida é grande.
MIKE SMITH
De olho nas corridas da Argentina, ao vivo, no computador, a minha esquerda, no simulcasting da TV Turfe, de rabo de olho, pude ver duas direções magníficas de Mike Smith, no Hipódromo de Santa Anita. Na primeira, no dorso de um favorito, com a precisão habitual. E a outra, numa joqueada espetacular, no dorso de um azarão, com rateio de 15 por 1. Gente, o cara é do ramo. De vez em quando ele erra. Mas, no contexto geral, sabe das coisas.
