JUST LIKE FOI PROTAGONISTA DE INESQUECÍVEL ESPETÁCULO TURFÍSTICO
Enfim, o turfista brasileiro viveu um final de semana a altura da sua paixão. Tudo conspirou a favor do Jockey Club Brasileiro. O tempo ficou firme e ensolarado, quando a previsão era de chuva. A pista de grama estava macia e generosa, terreno em que os puros–sangues de exceção correm o que sabem. Como se agradecessem a Deus. Houve apoio de patrocinador forte, o Araras Blood Power, nas duas provas da tríplice–coroa, Grande Prêmio Henrique Possolo e Grande Prêmio Estado do Rio de Janeiro. Além disso, aconteceu nítida melhoria na formação da programação, mais equilibrada e bem distribuída, nas três reuniões. Colocaram gente do ramo para aproximar os dirigentes dos profissionais de turfe. E, acima de tudo, Just Like, potranca do Haras Santa Maria de Araras, iluminou nossos olhos, com exibição de gala, na 1ª prova da Tríplice–Coroa das potrancas. Enfim, Just Like, precedida de enorme fama, encontrou a atmosfera favorável para correr tudo o que sabe. E como corre esta filha de Wild Event e Beach Ball, oriunda das pastagens férteis de Bagé.
A sua aceleração, na reta final do último domingo, no belo Hipódromo da Gávea, inspirou a todos os turfistas. Dali, em diante, todo mundo decidiu sair da zona de conforto. Just Like mostrou o caminho das pedras para dias melhores na atividade turfista. Volúpia, coragem, trabalho e amor. O puro–sangue é o protagonista no turfe. O mocinho do filme. A solução de todos os problemas começa por lhes permitir correr naquele ritmo frenético. Todos as outras peças da engrenagem precisam ter humildade de aceitar o seu papel de coadjuvante. Criadores, proprietários, dirigentes, jóqueis, treinadores, turfistas, jornalistas e curiosos. No turfe, a nossa existência se justifica para permitir o brilho do puro–sangue de corrida. Ele escreve as belas histórias para a posteridade. O astro da atividade turfística sempre será, por toda a eternidade, o cavalo de corrida.
Por isso, basta criar condições favoráveis para ele acelerar, e a resposta virá em alta velocidade. A exemplo do que acontece, mundo afora, com estrelas de quatro patas, tais como Life Is Good, no turfe norte–americano. Os puros–sangues movem montanhas, atraem patrocinadores, criam visibilidade para a atividade, movimentam a reprodução, o mercado e a indústria do cavalo de corrida. Desempenham o seu papel de abre–alas. Algo assim, como aquela aceleração de Just Like, na reta final do Grande Prêmio Henrique Possolo. Tivemos outras exibições de gala na raia de grama carioca. Foi assim com o craque Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago, que se impôs a 15 rivais. Foi assim com o magnífico 2 anos, London Moon, do Haras Anderson, numa das seletivas da Copa Precocidade e Velocidade da ABCPCC. E foi assim com o potro do Presidente do JCB, Raul Lima Neto, Regal Eurus, na Prova Especial Falcon Jet. Um final de semana para deixar esperançoso o turfista mais exigente.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O jovem treinador, Christiano Oliveira, trouxe a potranca Just Like em forma atlética exuberante. A sua exibição na 1ª prova da tríplice–coroa foi impactante. A iniciativa de poupá–la da preparatória se mostrou das mais acertadas. Just Like estava reluzente na raia e cumpriu o seu papel de craque numa exibição inesquecível. Vamos aguardar, que a exemplo de sua mãe, Beach Ball, se sinta confortável no aumento do percurso. Aguardamos com ansiedade a sua volta na segunda etapa da coroa. E, também, o retorno da velocista In Essence, outra defensora do Haras Santa Maria de Araras, em que o profissional tem baixado a biblioteca.
JOQUEADA DA SEMANA
Num páreo de alta responsabilidade, você montar o favorito, e ter pela frente um campo com 15 adversários deve ser algo bem assustador. Esta era a situação de Wesley Silva Cardoso, no dorso de Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago. Confiante, inspirado e experiente apesar da pouca idade, Cardosinho trouxe na sua bagagem o tempo em que era contratado do Haras Doce Vale. Naquele período, ele montou craques como My Cherie Amour, No Regrets e Pimper’s Paradise. Agora, com o pensionista de Dulcino Guignoni parece estar pronto para acrescentar novas páginas ao seu currículo precoce. No GP Estado do Rio de Janeiro, ele navegou com tranquilidade no meio de tantos adversários, e, pelo centro da raia, encontrou o espaço necessário para que o seu pilotado, um craque, tivesse caminho para impor a sua maior categoria. Parabéns a toda equipe pelo merecido triunfo.
PERSONAGENS
Agnes Gold, um reprodutor fantástico, mais uma vez deixou sua marca durante toda a semana turfística. Brilhou na Seletiva da Copa Velocidade com London Moon, do Haras Anderson, e preparo de Adélcio Menegolo, no tiro curto de 1000 metros. Apareceu outra vez, no Clássico Bal A Bali, em 1500 metros, com o vencedor da prova, Olympic Justin, criado no Haras Regina, defendendo as cores do Stud Happy Again, e com preparo perfeito de Álvaro Castilho. Depois, no dia seguinte, aumentou o percurso para 2000 metros, e lá estava Agnes Gold na Prova Especial Falcon Jet, com Regal Euros, criado na Coudelaria Monte Parnaso, e, posteriormente, com High Wire, de criação do Haras Fronteira.
Parabéns também aos treinadores Luiz Esteves, com Osprey, do Stud Red Rafa, High Wire, do meu amigo Jorge Mendonça. Leonardo José Reis, pelo excelente trabalho com os potros e potrancas de 2 anos, e Roberto Morgado Neto, com Regal Euros, In Copa e King Six. Foi uma semana bastante movimentada, com muita gente mandando bem.
ORIANA DO IGUASSU
Na Prova Especial Emabruk, no último sábado, em Cidade Jardim, foi impressionante a exibição da potranca Oriana do Iguassu, filha de Tiger Heart e Flying Trip, de criação e propriedade do Haras Rio Iguassu. Invicta, depois de cinco apresentações, a sua aceleração inicial tira os adversários de foco. Antônio Oldoni, que trabalhou aqui no turfe carioca, no CT Vale do Itajara, apresentou em forma magnífica a sua pensionista. Trata–se de um profissional competente e trabalhador. Merece colher os frutos da sua dedicação.
ARGENTINA
Com pouca diferença de tempo, enquanto Just Like, dava o seu show na 1ª prova da tríplice–coroa carioca, o Haras Santa Maria de Araras ganhava o Clássico Fallow, em Buenos Aires, no Hipódromo de San Isidro, com Hush Girl, conduzida pelo brasileiro, Francisco Leandro. Aliás, no momento em que escrevo esta coluna, com apenas um mês e meio de corridas, em 2022, o jóquei cearense lidera a estatística, com 66 vitórias.
