CORRIDA DE TERÇA NA GÁVEA ASSUME PROTAGONISMO NAS APOSTAS
O Movimento Geral de Apostas (MGA) das três reuniões do turfe carioca nesta semana confirmaram a predominância da reunião de terça–feira, como a de melhor arrecadação. Desta vez, no final do janeiro, com os bolsos dos turfistas quase vazios, por causa do pagamento de IPTU, IPVA, e outras siglas a mais, esta tendência se mostrou ainda mais evidente. Com apenas oito páreos, a programação de ontem vendeu R$ 611.560,37, a única a ultrapassar a barreira dos R$ 600 mil. A reunião de domingo, com 9 provas, faturou apenas R$ 563.058,82, para os cofres do JCB. E, a de segunda–feira, com oito páreos, e a pior qualidade técnica, fechou a raia, com R$532.592,48. Ou seja, só vendeu abaixo do MGA de domingo, por ter um páreo a menos. Do contrário, também ultrapassaria o número mágico dos R$ 600 mil.
É possível concluir, através de semana após semana, que os apostadores são os mesmos, cada um com a sua própria situação financeira. Portanto, o JCB vai precisar atrair o público jovem, ou diferente, para os seus guichês, no prado e nos agentes credenciados. E, além disso, para a internet, onde a galera de menor idade se sente mais à vontade na era digital. O fracasso das corridas do final de semana se cristalizou através dos tempos. A outrora romântica e saborosa reunião de sábado virou sucata. E depois de alguma insistência foi tirada do mapa pela diretoria do JCB. O programa de domingo, pela tradição das provas clássicas, vai impor maior resistência. Porém, a exceção dos dias de grandes eventos turfísticos, GP Brasil, Copa ABCPCC e Derby, vai pelo mesmo caminho.
O nosso internauta, Cláudio Pragana, uma das estrelas do Espaço do Leitor, tem toda razão. A corrida de terça ganhou o coração dos turfistas. A de segunda, durante décadas a predileta, só perdeu espaço por causa da má qualidade da programação. Se for potencializada recupera terreno outra vez. As atrações do final de semana, futebol inglês, espanhol, italiano, brasileiro e eventos sociais ao lado da família e dos amigos, dividem o interesse das pessoas. As corridas nos dias úteis, no início da semana, têm concorrência menor. E no verão, com o calor insuportável. A reunião com as provas preparatórias para a tríplice–coroa, por exemplo, teve faturamento ridículo de R$ 660 mil. Teria vendido, no mínimo, R$ 800 mil, se fosse na segunda–feira. E os puros–sangues também agradeceriam bastante. O tema é complexo e polêmico. Mas os números do MGA, semanalmente, têm demonstrado nítida preferência dos apostadores pelas corridas de segunda e terça.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Western Bullet, filho de Alcorano e Baronetti, com a tradicional farda do Stud Guizé, de volta aos programas oficiais nos últimos meses, depois de longa e sentida ausência, teve apresentação de luxo da dupla Luís Felipe Fernandes e Luiz Arthur Fernandes. Neste período de calor, Western Bullet parece ter se sentido bem à vontade com os ares da Serra de Teresópolis e se impôs com facilidade. Parabéns aos garotos pela beleza do cavalo e, também, pela recuperação do papai, o craque Luiz Arthur Fernandes, que esteve doente. Mas, como todo guerreiro, o querido amigo enverga, mas não quebra. Um grande abraço a toda família. E que venham mais triunfos do Stud Guizé, do turfista José Henrique, um turfista apaixonado.
JOQUEADA DA SEMANA
Correr na ponta é uma arte. E o recordista mundial, Jorge Ricardo, deu aula de direção no dorso de Joke of Destiny, do Stud Selma Ferreira, e preparo de Venâncio Nahid, no primeiro páreo de domingo. Na reta oposta, ao perceber que o seu pilotado queria disparar nas patas de Jungle Man, a sua frente, o homem das 13.154 vitórias, em dois galões, lhe deu governo, encostou na cerca e deixou que galopasse livre, leva e solto. Enquanto isso, os pilotos dos favoritos paravam as suas montarias, esperando um pelo outro. Só se esqueceram que na ponta estava o maior especialista da história do turfe, em correr na frente. Ricardinho tem 60 anos, e 45 de profissão. Se você se descuida com um cara desse, acaba sendo vítima de uma pule de 19,70. É um filme antigo, porém, de vez em quando, tem reprise. Na sessão da tarde, antes do "Vale a pena ver de novo".
PERSONAGEM
O locutor, Fernando Cury, deu um show de talento e competência, nas transmissões desta semana pela TV Turfe, no Hipódromo da Gávea. Primeiro na programação de segunda–feira, ao anunciar que dedicaria a transmissão do dia ao saudoso Oscar Vareda, um dos melhores profissionais do ramo de todos os tempos. Fernando se preparou. Foi detalhista. Não esqueceu um jargão sequer do antigo profissional. E a reunião, para os mais antigos, como eu, teve transmissão deliciosa com a repetição de tantos bordões do Oscar Vareda, que ajudaram a escrever a história do turfe brasileiro. Vareda era um craque. E, Fernandinho, na terça–feira (ontem), voltou a brilhar no sétimo páreo. Uma prova em que houve vários entreveiros, uma chegada de tirar o fôlego, com os seis primeiros colocados embolados, uma desclassificação de quinto para o sexto lugar, e, por fim, um triunfo por cabeça, de Nome Próprio sobre Máquina do Raul. Fernando não perdeu, naquelas frações de segundo, nenhum dos acontecimentos. Estamos muito bem servidos com ele, e o seu colega, Tiago Guedes, outro grande profissional. Parabéns ao Jockey Club Brasileiro!
N. A. SANTOS
Nelson Alexandre Santos deu seu cartão de visita no dorso do cavalo ONTEM, treinado por Igor Botelho, defensor do Stud Barreiro, e criado no Haras Salamandra. Aos 7 anos, o filho de Advogado e Linda Lo, por Aragorn, foi muito bem apresentado por Igor, ganhou com autoridade, e N. A. Santos demonstrou suas qualidades. É um piloto experiente, com ótimo currículo no turfe paulista e, certamente vai brilhar no dorso dos animais do Stud Verde.
LA PLATA
O Hipódromo de La Plata, na Argentina, passa por crise econômica e política sem precedentes. As pistas se encontram em más condições de preservação, os vestiários dos jóqueis também. Carece de reforma imediata. Outro dia nem ducha os jóqueis tinham para tomar banho. Os proprietários estão com prêmios atrasados, e os jóqueis e treinadores, sem receber comissões atrasadas. As reuniões desta semana foram canceladas. E a sequência do turfe no local está bastante comprometida. Enquanto isso, em Palermo, tudo corre as mil maravilhas. Com as máquinas de caça–níqueis, as jornadas têm 15, 16 e até 17 páreos. Os prêmios são reajustados a todo momento e as maquinarias para preservação das raias também são adquiridas regularmente. O mundo encantado da liberação do jogo. Pode ser que até o final de fevereiro ou, início de março, este desafogo aconteça no Brasil. Está nas mãos do Congresso Nacional os dias melhores para os turfistas brasileiros.
