Os dirigentes do Hipódromo de Palermo, em Buenos Aires, fizeram bela homenagem, ontem à tarde durante as corridas, numa despedida simbólica do jóquei Altair Domingos, que encerrou a carreira devido a problemas irreversíveis na vista do olho esquerdo. Foram passados filmes de algumas das principais vitórias do piloto, no período em que esteve radicado, no turfe argentino. Os jornalistas especializados em turfe dos órgãos de Imprensa estiveram reunidos, e fizeram perguntas ao piloto. Domingos foi questionado sobe o seu futuro, e, ele, bem humorado, respondeu que ainda não tinha decidido o que fazer da vida.
"Com certeza vou fazer alguma coisa ligada aos cavalos de corrida. A minha infância foi muito pobre. Com 9 anos, e apenas 22 quilos, comecei a montar cavalos para sobreviver. Naquele tempo, não tinha nem comida e nem agasalho. Os cavalos me fizeram conhecer o mundo, e hoje ter um bom padrão de vida. Não esperava ter de me despedir da profissão tão cedo. Fui apanhado de surpresa. Preciso voltar ao Brasil, me reunir com a família, e planejar os próximos passos", falou emocionado.
Domingos citou Franco Dettori, como o jóquei que mais o influenciou no estilo de montar. Procurou sempre se inspirar nele. Sobre o melhor cavalo que já conduziu não precisou pensar duas vezes em apontar o supercraque, Hi Happy, com quem conquistou algumas das principais provas do turfe sul–americano, como o melhor puro–sangue que conduziu. Ressaltou também, Top Hat, ganhador do Grande Prêmio Brasil, como outro fundamental cavalo, presente em seu currículo. Domingos emocionou todos os presentes ao elogiar a paixão e o amor do povo argentino pelo turfe.
"Montei nos Estados Unidos, Dubai, Brasil, Chile, Peru, enfim, em todos os cantos do planeta. Mas em nenhum lugar conheci gente tão apaixonado pelo cavalo de corrida como vocês, argentinos. Aqui, as pessoas respiram dia e noite este esporte maravilhoso. E, para mim, foi uma experiência maravilhosa ter montado neste país, que aprendi a amar, como se fosse a minha própria casa", falou emocionado, ao receber um lindo quadro, com o triunfo de Hi Happy no Gran Prêmio Nacional, das mãos do diretor do Hipódromo de Palermo, diante de aplausos efusivos dos "burreros".
Por Paulo Gama