TURFE BRASILEIRO TEVE EVENTOS IMPORTANTES NA VÉSPERA DO VERÃO
Hoje, dia 21 de dezembro de 2021, começa oficialmente o verão. De maneira geral, a estação conta com a preferência do cidadão brasileiro. A maioria, pelo menos. Para a atividade turfística, entretanto, este período acarreta alguns problemas, devido as altas temperaturas. A raça puro–sangue sofre bastante com o calor. Alguns cavalos de corrida são acometidos pela doença conhecida como Anidrose dos Trópicos. Expostos ao sol forte, a temperatura elevada, o mormaço, enfim, os males do calor, eles param de suar, ficam com o pelo fosco e precisam ser afastados das competições para evitar problemas mais graves. Este problema dificulta a formação dos páreos.
A população de equinos, que diminuiu bastante no Brasil, nas últimas décadas, fica ainda mais deficitária, neste período. Esta semana, um pouco antes do calor engrenar efetivamente, alguns dos principais clubes hípicos do país, promoveram nos seus hipódromos, Gávea, Cidade Jardim e Tarumã eventos importantes, de bom nível técnico, com participação de cavalos de qualidade. E nunca se deve esquecer, que o verdadeiro protagonista do turfe é o puro–sangue inglês. O sucesso da atividade gira em torno dele. Nós, seres humanos, nunca devemos esquecer este detalhe importante. Para conseguir dar voos mais altos no esporte, cada peça da engrenagem turfística, criadores, proprietários, treinadores, jóqueis, dirigentes, imprensa, etc. precisam desempenhar bem o seu papel com humildade, e permitir o brilho dos cavalos de corrida. Felizmente isso aconteceu no Rio, com o Meeting do fim de ao, em São Paulo, com a Copa dos Campeões e o GP Consagração, e, em Curitiba, com a Pegasus Brasil 2021.
No Hipódromo da Gávea aconteceu o Meeting do Fim do ano. A disputa de quatro provas de Grupo na mesma tarde, do quarto ao sétimo páreo do programa, tirou o fôlego do verdadeiro turfista. Osprey, de criação e propriedade do Stud Red Rafa, teve triunfo consistente no Grande Prêmio Almirante Tamandaré, Grupo 2, em 2400 metros, na grama. A coudelaria é investidora entusiasta. E está motivada e embalada pelo sucesso do seu maravilhoso potro, Planetário. Luiz Esteves apresentou Osprey no auge da forma. Waldomiro Blandi foi o jóquei pragmático e eficiente de sempre. Não brinca em serviço. Digna de nota também, a apresentação de Imperatore Pietro, do Stud Pedudu, pupilo de Adélcio Menegolo, em fase profissional magnífica. Chegou a dar um calor no ganhador.
Nepal, de criação e propriedade do Haras Figueira do Lago, ganhador com autoridade do Grande Prêmio Júlio Cápua, Grupo 2, teve apresentação sublime de Dulcino Guignoni, e direção precisa do bom jóquei, Wesley Silva Cardoso. Para o observador lúcido e imparcial, como escreveria se ainda estivesse entre nós, o lendário cronista, Escorial, ele jamais deu a impressão de ser derrotado, em parte alguma do percurso. O filho do extraordinário Agnes Gold está literalmente voando. Muito honrosa a atuação de Oberyn, do Stud Happy Again, o segundo colocado.
No Grande Prêmio Frederico Lundgren, Grupo 3, em 1600 metros, na grama, para os potros de 3 anos, o treinador Luiz Esteves conseguiu resgatar o padrão técnico do promissor On Line, do Stud Verde, criado pelo Stud Eternamente Rio. Depois de pintar como um dos melhores nomes de sua geração, o filho de Agnes Gold, havia sucumbido ao rigor da disputa de vários páreos importantes consecutivos. O descanso de 4 meses lhe fez um bem danado, e ele derrotou Keep Koller, do próprio Stud Eternamente Rio, animal consistente, que nunca nega fogo. Boa direção de W. Xavier.
Difícil comentar o Grande Prêmio Mariano Procópio, Grupo 3, para potrancas de 3 anos, também no percurso de 1600 metros, sem ferir suscetibilidades. Então vamos citar apenas o óbvio ululante. Os fatos indiscutíveis. Vamos começar pela ganhadora de direito. La Louviere, de criação e propriedade do Stud Rio Dois Irmãos, outra filha de Agnes Gold, cumpriu destacada atuação. Largou na pior baliza, por fora de suas adversárias, participou ativamente da prova, e nos metros finais, foi dominada pela única potranca que correu mais do que ela, Just Like, do Haras Santa Maria de Araras. Agora, vamos para a ganhadora moral. Just Like, se tivesse seguido em linha reta, após engrenar a sua atropelada, nos 300 metros finais, jamais perderia o páreo. Isto também parece fato indiscutível.
Justice Girl, do Haras Sweet Carol, sem não fosse desequilibrada, quando tinha espaço para acelerar, só perderia, com certeza, para Just Like, que possuía mais ação do que ela. Disputaria a segunda colocação com La Louviere. Poderia levar vantagem ou não. Isso, com certeza só se pode palpitar. Afirmar jamais. Portanto, a desclassificação foi justa. Pelo simples fato que não havia motivo para o seu piloto, complicar, de forma gratuita, um resultado que não seria outro, que não a própria vitória de sua conduzida, em condições normais. Sinto–me a vontade para criticar o piloto, por que, na maioria das vezes, só tive elogios para ele neste espaço. Quanto ao código de corridas. Ele não se refere apenas a mudar o resultado do primeiro lugar. E, sim, qualquer colocação no placar. A manobra perigosa pode ter impedido o segundo lugar de Justice Girl. A Comissão de Corridas acertou ao lhe devolver esta colocação. E, para isso, teve de sacrificar um triunfo cristalino daquela que seria a merecida ganhadora, Just Like. E teve peito para punir uma farda pesada.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
On Line, do Stud Verde, estava lindo no galope de apresentação, e agradeceu ao descanso de poucos meses com triunfo expressivo, o Grande Prêmio Frederico Lundgren. Mais um trabalho eficiente do treinador Luiz Esteves, que brilhou na apresentação do seu pensionista. Tão lindo quanto ele estava Nepal, do Haras Figueira do Lago, pupilo de Dulcino Guignoni, fácil ganhador do Grande Prêmio Júlio Cápua. Empate entre os dois profissionais.
JOQUEADA DA SEMANA
Marcelo Gonçalves esteve impecável no dorso da potranca Iguaria Rara, de criação do Haras Niju, propriedade da Coudelaria Esmeralda, e preparo perfeito de Roberto Morgado Neto, em temporada bastante proveitosa. A potranca largou na frente, outras concorrentes fizeram questão de assumir a liderança. Marcelo não se preocupou. Ficou sempre por dentro, fez a curva junto aos paus, e, pacientemente, esperou a passagem. Conseguiu brecha por dentro, e, depois arrancou por fora, para a linha três ou quatro, e então fez correr. Autêntica obra de costura, em pleno momento decisivo da carreira. Belo e talentoso trabalho de direção. Parecia um piloto de Fórmula 1.
PERSONAGEM
O que falar do profissional que disputa quatro provas de grupo no mesmo dia e ganha três. E, na que ele é derrotado, tira o segundo lugar. O treinador Luiz Esteves ganhou com Osprey, On Line, La Louviere, e foi segundo colocado, com Oberyn. A performance dos seus pensionistas nas provas clássicas é impressionante. Contra os fatos não existem argumentos.
JEANE ALVES REINA EM CIDADE JARDIM
Jeane Alves continua a dar as cartas no turfe paulistano. Esteve perfeita no dorso de Roxoterra, do Haras Fazenda Boa Vista, na Copa dos Campeões. E, logo depois, voltou a dar aula, com Dive Master, do Neverending Stud, no Grande Prêmio Consagração. Uma batalhadora. Depois de superar acidentes graves durante a carreira, dificuldades na luta contra o preconceito, a joqueta tem escrito linda história de vida, e de amor a profissão. Parabéns a comunidade turfística paulista por reconhecer, aplaudir e manter as portas abertas para esta guerreira.
FRANCISCO LEANDRO CAMPEÃO
A oito reuniões do final do ano hípico na Argentina, o brasileiro, Francisco Leandro, soma 377 vitórias, e já comemora mais um título da estatística no turfe mais competitivo do continente. Este número representa 100 pontos a menos do recorde sul–americano de vitórias numa temporada, de Jorge Ricardo (477). Porém, com um detalhe importante. Leandro sofreu duas graves fraturas na temporada. A primeira, na clavícula esquerda, lhe tirou da raia por 45 dias, e, a outra no tornozelo direito, por mais 50. Ou seja, num país em que se disputa páreos diariamente, dificilmente ele deixaria de bater esta incrível marca. Vamos aguardar 2022.
