A queda aconteceu no dia 1º de maio deste ano. No Grande Prêmio Montevideo, Grupo 1, o jóquei brasileiro, Altair Domingos, paranaense de Pérola do Oeste, 40 anos, caiu do dorso de Goteo Key, que ponteava a carreira. E, ao rolar na pista, foi atingido na cabeça, o que provocou a lesão no olho esquerdo. Ainda chegou a montar, e a vencer, nos dias seguintes. Mas, com o passar do tempo, percebeu que estava com a vista esquerda embaçada. Foi examinado e afastado pelos médicos das competições.
De volta ao Brasil, Domingos cumpriu a recomendação de descansar. Ficou por aqui ao lado da família e dos parentes. Agora, sentindo–se melhor voltou a Argentina, a espera da liberação. Depois de reunir–se com os especialistas e fazer diversos exames minuciosos, veio a triste notícia, da ruptura do nervo ótico do olho esquerdo, e por consequência, o veto para seguir na profissão de jóquei. Profissão em que tanto brilhou nas pistas da América do Sul, e dignificou como profissional de alto gabarito. Em entrevista emocionante a Revista Palermo, da Argentina, Domingos falou da sua enorme tristeza e frustração.
"Ainda não consegui assimilar bem esta informação. A minha vida foi toda dedicada ao turfe e aos cavalos de corrida. Tinha a expectativa de voltar a montar. Não sei ainda o que vou fazer da vida em termos profissionais. Foram longos meses de incerteza e de angústia. Agora recebi a comunicação dos médicos de que terei de parar de exercer a profissão. É uma notícia decepcionante", desabafou.
Altair Domingos brilhou intensamente no turfe brasileiro, e conquistou o coração dos turfistas com o seu talento, arrojo e predestinação, sobretudo nas provas clássicas. Marcou época no turfe paulista, onde foi campeão de estatística e ganhador de todas as principais provas do calendário clássico. As suas visitas ao hipódromo carioca foram sempre marcantes, como a conquista do Grande Prêmio Brasil, no dorso de Aerosol, do Haras Santa Maria de Araras. A história se repetiu no turfe portenho, onde era conhecido como o "jóquei dos clássicos", e chegou a vencer uma estatística. Por coincidência, a inesperada entrevista à Revista Palermo, em tom de despedida, aconteceu, no dia 11 de dezembro, data da realização da maior prova do turfe argentino, o Grande Prêmio Carlos Pellegrini.
Por Paulo Gama