Trata–se de um dia de sábado muito especial para o público argentino. Afinal, hoje é dia da realização da maior e mais tradicional prova turfística do continente sul–americano, o Gran Prêmio Internacional Carlos Pellegrini, em 2400 metros, na grama sagrada, do Hipódromo de San Isidro. A jornada turfística terá 17 carreiras, com início às 12h30, e término, às 21h40, com a disputa do último páreo. Buenos Aires vai acordar cedo e começar a respirar turfe por todos os poros. Nos bares, postos de gasolina, bancas de jornais, nas estações de metrô e nas esquinas das grandes avenidas, o assunto será a carreira de logo mais. Neste dia mágico, um puro–sangue de corrida se transformará no herói da linda cidade. Quando cruzar o disco de chegada na frente, por volta das 19h35, ele será mais falado e consagrado do que qualquer ser vivo residente na capital. O argentino ama o turfe de paixão. E os mais fanáticos, chamados de "burreros", hoje, não conseguem nem dormir direito, com tanta ansiedade nos seus corações apaixonados pelas carreiras.
Cool City, ganhador da prova em 2020, quando derrotou Pimball Wizard e Village King, deverá ser eleito favorito. Eduardo Ortega Pavon, jóquei paraguaio, considerado por muitos o melhor de todos os tempos, em seu país de origem, terá a responsabilidade de conduzi–lo e tentar driblar a inconveniência de largar pela baliza 17, num páreo de 19 concorrentes. E, o seu treinador, Alfredo Gaitán Dassie, um dos poucos com quatro triunfos na prova, em seu currículo, tentará ser o primeiro a ganhar o Pellegrini pela quinta vez. Cool City pode ser o nono cavalo a ser bicampeão. Até hoje só oito conseguiram. Miriñaque, do Stud Parque Patrícios, e Village King, do Stud El Angel de Venécia, e criação do Haras Santa Maria de Araras, especialistas da grama e do percurso, são considerados os maiores rivais. Miriñaque será conduzido pelo experiente, Gustavo Calvente, e Village King, por Martin Valle.
O páreo tem outros competidores traiçoeiros e com chance de desbancar os mais cotados. É o caso de Mr. Globalizado, em grande estado atlético, e sempre a vontade na grama e no percurso de 2400 metros, perfil de carreira em que atropela com muito apetite. Os potros inscritos no Pellegrini, vez por outra, surpreendem os mais velhos devido a escala de peso. É o caso de Il Divo, montaria do brasileiro, Francisco Leandro, considerado o melhor jóquei em atividade no turfe portenho, pelos próprios aficionados locais. O seu pilotado deslocará apenas 53 quilos e meio. O outro brasileiro presente na festa é o recordista mundial, Jorge Ricardo. Ele não tem montaria na prova, mas será homenageado pelos dirigentes de San Isidro, numa despedida simbólica. A princípio iria atuar num dos páreos. Porém, por questões burocráticas, o seu seguro de vida, aqui do Brasil, não foi aceito pelos organizadores do evento. Por isso, ele será um mero espectador das carreiras.
OUTROS CLÁSSICOS
A primeira prova de Grupo 1 a ser corrida na tarde é o Grande Prêmio Féliz de Alzaga de Unzué, em 1000 metros, na grama. Luthier Blues, Queen Liz, Yuto Bataraz e Shades of Rose, entre outros ótimos velocistas, participam do quilômetro clássico. A seguir será a vez do tradicional Joaquin S. de Anchorena, a milha internacional, com especialistas, tais como Don Empeño, Che Capanga, Hole In One, Hatim e Bouquet Key. E, antes da realização da prova central, haverá a disputa da Copa de Plata, para éguas, em 2000 metros, na grama. As mais visadas são Escabiar, Didia, Justify My Love, Henestrosa e Joy Nima. Enfim, uma tarde inesquecível de turfe, que se repete há longos anos, num país com enormes problemas econômicos e sociais, mas com paixão indescritível pelo puro–sangue de corrida.
Por Paulo Gama