Nenhuma das três reuniões realizadas no Hipódromo da Gávea na última semana atingiu a marca dos R$ 600 mil. O retorno ao modelo exclusivo de apostas nacionais não sensibilizou os apostadores, e nem atraiu os aficionados para o hipódromo, ou agentes credenciados. Os problemas sociais e financeiros da cidade, no período pós pandemia, parece ter esvaziado os bolsos dos cidadãos cariocas, e acarretou mudança de prioridades. O Movimento Geral de Apostas de domingo, segunda e terça–feira no turfe carioca foi quase idêntico, independente de raia de areia, ou grama, com chuva, ou sol, com páreos de qualidade, ou não. O prado carioca fica às moscas, e a frequência as lojas credenciadas também diminuiu de forma significativa.
A corrida de domingo voltou a fechar a raia, em termos financeiros, com MGA, de R$ 574.543,67. Porém, a diferença de valor, com relação a arrecadação da terça–feira, praticamente não aconteceu. Debaixo de chuva, a terça faturou apenas R$ 578.717,58. Ou seja, quase um empate técnico, no aspecto monetário. Talvez, com tempo firme, batesse os R$ 600 mil. Mas ninguém pode assegurar que isso fosse ocorrer. A segunda–feira assumiu o seu papel de protagonista de tantos anos. É o dia predileto do apostador por várias décadas. Mas, esta liderança foi muito pequena, em relação aos dois outros dias de corrida. Foram apostados R$ 593.250,69. Ou seja, só R$ 20 mil a mais.
Com a proximidade do final do ano, as dificuldades de faturamento do Jockey Club Brasileiro vão aumentar. Férias escolares, viagem das famílias e festas natalinas, com certeza vão desviar o 13º dos turfistas para outras prioridades. O calor, inevitável neste período de verão, vai diminuir ainda mais o rebanho de equinos disponível. Alguns cavalos param de suar e tem de subir para a serra. Só voltam a correr quando a temperatura começa a baixar. Esta semana, por exemplo, a Comissão de Corridas só conseguiu formar duas programações. São 19 páreos, domingo e segunda.
A tendência será esta, de agora em diante. O turfe carioca está em queda livre no aspecto econômico. Aos poucos, parece tomar o rumo inexorável dos clubes hípicos coirmãos. Diminuir os dias de corrida, até chegar à lamentável situação de um programa simbólico semanal. A única saída parece ser política e está no Congresso Nacional. É preciso conseguir a liberação do jogo. Foi assim na Argentina. A liberação do jogo foi um fato novo que sacudiu as estruturas. Hoje em dia, os argentinos tem enormes dificuldades em todo o país. Mas o turfe navega em águas tranquilas com rebanho de oito mil equinos. Mais de 3 mil máquinas de caça–níqueis dentro do Hipódromo de Palermo, funcionam de forma ininterrupta 24 horas. Potencializada a atividade, os outros dois hipódromos, San Isidro e La Plata, pegam carona e vão em frente.
Por Paulo Gama