TURFE ARGENTINO FAZ HOMENAGEM A RICARDINHO NO DIA DO PELLEGRINI
O tom da festa será de despedida. No próximo sábado, dia 11 de dezembro, na tarde de realização do Grande Prêmio Carlos Pellegrini, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, os dirigentes do turfe argentino decidiram homenagear o brasileiro, Jorge Antônio Ricardo, o jóquei recordista mundial, com 13.144 vitórias. A passagem de Ricardinho por lá foi marcante. Em 14 anos, ele deixou enorme legado para as gerações subsequentes. Entre 2006 até 2020, quando decidiu voltar ao Brasil, ele ganhou quatro estatísticas, 2007, 2008, 2011 e 2012, conquistou 50 provas de Grupo 1, 28 delas no Hipódromo de San Isidro, 17, em Palermo, e 5, em La Plata. Influenciou com a sua disciplina, obstinação e profissionalismo diversos aprendizes, que hoje brilham nas pistas da Argentina.
Jorge Ricardo conquistou os corações portenhos aficionados por turfe. Lá é considerado um herói. Um mito. Com destemor conseguiu derrotar o câncer. Com valentia caiu dos cavalos, sofreu fraturas, porém, de imediato se levantou para lutar pela glória. Queria ser o número 1, de todos os tempos. Conseguiu. Os burreros compuseram um tango, em sua homenagem, bateram palmas efusivas, de pé, quando reapareceu nas pistas, no dorso de um cavalo, fardado, depois de deixar para trás um linfoma. Parecia uma missão impossível. Surpreendeu os próprios fãs, e a realizou. Os argentinos sofreram e choraram, ao seu lado, nos oito meses de quimioterapia. Gritaram eufóricos, quando ele bateu o recorde mundial, com o triunfo 12.845, e finalmente despediu o canadense, Russel Baze. Ontem, na Gávea, com o potro, Dignus Pryor, do Haras Uberlândia, ele somou a sua 13.144ª vitória. Agora, Baze, que durante tantos anos assombrou o seu sono, como um fantasma inexpugnável, é apenas uma página virada. Aposentado, com os seus 12.844 pontos, já ficou 300 vitórias distante do rei das raias. O carioca do Leblon, e torcedor do Botafogo, Jorge Antônio Ricardo.
O protocolo da homenagem, no sábado, é bastante simples. Ricardinho vai montar um puro–sangue de propriedade do Stud Rubio B, que a princípio deve ser Valle Valezcano, provável barbada num dos páreos da programação. A torcida é para que a vitória se concretize. E, se isso acontecer, as tribunas virão abaixo. Vai dar uma volta olímpica montado, em torno da raia, diante das tribunas do majestoso Hipódromo de San Isidro, um dos mais belos da América do Sul. Arquibancadas lotadas, e liberadas com os protocolos da pandemia. Com certeza, os burreros serão generosos nos aplausos ao nosso campeão. É a despedida do turfe argentino, um projeto adiado e protelado, devido as mazelas da pandemia. Ricardinho nem assinou montarias aqui na Gávea. Afinal, serão apenas duas reuniões. Ele não tem pressa para voltar. Quer saborear o momento. Se despedir com serenidade e gratidão dos amigos que por lá fez. Preparar a sua retirada definitiva. O seu coração bate forte pelo povo argentino. Em Buenos Aires nasceram as suas filhas mais novas, Giovanna e Luana. Lá, realizou o seu sonho de criança de alcançar o topo do mundo. Um lugar inesquecível para ele.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Cosme Morgado Neto apresentou Zurs, de criação e propriedade da Fazenda Mondesir, em perfeito estado atlético. Um show na pista, na boa marca de 1m20s41, para os 1400 metros na, grama. É sempre um privilégio rever a farda da coudelaria na raia de grama carioca. Nos leva numa viagem nostálgica para os bons tempos do nosso turfe. Infelizmente, tempo que não teremos mais a oportunidade de usufruir. Tempos de Bretagne, Cisplatine, Sunset, Apollon, nomes inesquecíveis do período da minha vida que não tinha a menor noção de o quanto eu era feliz. Obrigado Cosminho Morgado pela sensação indescritível de ver o Ricardinho com farda gloriosa da família Peixoto de Castro. Um momento único para quem respeita a história.
PERSONAGEM
Dulcino Guignoni apresentou The Sister, do Haras das Estrelas, em estado atlético exuberante. O mesmo aconteceu na semana anterior, com Dragster, do Stud H&R. Um padrão de qualidade absurdo no treinamento. Os anos passam e o treinador se mostra atualizado, ligado na tabela de inscrições, ativo na raia e zeloso na cocheira. Atento, sempre atento, as necessidades dos seus pensionistas. Elogiar Guignoni é cair no lugar comum. Ele me lembra um personagem do futebol. O treinador Murici Ramalho. No auge de sua carreira, no São Paulo, ele sempre repetia nas entrevistas. "Meu filho. O meu nome é trabalho!". O Guignoni é assim. Com Virginie, Be Fair, Bal A Bali, ou qualquer dos puros–sangues sob a sua responsabilidade, quando eles passam no cânter, você percebe o selo de qualidade. É como se os seus corredores pudessem falar. "Eu sou treinado pelo Guignoni. Estou pronto para ganhar".
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de May Be She, do Stud H&R, e preparo impecável de Leandro Guignoni, a joqueta Victória Mota demonstrou mais uma vez a sua boa técnica, confiança em si, e serenidade para contornar dificuldades na raia. A sua égua era a força indiscutível da prova. O seu estado atlético era o melhor possível, bastou observar o seu lindo galope de apresentação. Entretanto, era preciso driblar a inconveniência de largar no último boxe, perto dos pedalinhos da Lagoa Rodrigo de Freitas. E ela fez isso com a maior simplicidade possível. Parabéns ao treinador pela confiança que demonstra na guria e no seu trabalho. Os dois juntos sempre colhem bons frutos. O que Victória necessita é da confiança dos treinadores no seu trabalho. A resposta é imediata. Vejam só o caso da Jeane Alves em Cidade Jardim. Ela conta com boas chances e lidera o ranking. Sem receber boas montarias nenhum jóquei ganha páreos. Parabéns Victória. Você esteve impecável. Parabéns Jeane Alves, por sua valentia e talento.
PRECONCEITO
Os jóqueis mais experientes, a exemplo do que ocorre com Victoria Mota, por ser mulher, também sofrem com o preconceito, devido a idade mais avançada. Porém, quando recebem chance, respondem com a sua qualidade. É o caso de Carlos Lavor e Jorge Ricardo, que possuem muito menos montarias do que os méritos que possuem. Ontem, por exemplo, Color Set, ganhou o último páreo, com direção perfeita de Antônio Queiroz. Era a maior barbada do programa. Trazia segundo lugar na turma em páreo forte. E, a inscrição no claiming deveria lhe dar favoritismo. Com o A. Queiroz rateou 5,30. Se o jóquei fosse o seu filho, Bruno Queiroz, teria rateio de menos de 2,00. Coisas da vida!
