DE VOLTA A ROTINA DOS 27 PÁREOS NO MODELO DE APOSTAS NACIONAL
Na semana turfística de corridas encerrada ontem, na Gávea, e na atual, que só começará no próximo domingo, dia 5 de dezembro, estamos de volta ao conjunto de três reuniões semanais, domingo, segunda e terça–feira, com 9 páreos disputados, em cada uma delas. Um total de 27 páreos. Horário de 14h30, na corrida de domingo, e às 17h, nas reuniões realizadas nos dias úteis, de segunda e terça. Apostas de vencedor, placê, duplas exatas, inexatas, Pick 3, inicial, Pick 3, final, Pick 7, e Super Betting 4. Enfim, de volta ao cardápio de apostas nacional, de maneira integral. Tudo definido. O turfista está feliz. O seu domingo volta à normalidade. Ele tem a certeza de saber a hora de sair de casa para o hipódromo, ou agentes credenciados. E também, a alegria de poder dizer a mulher e aos filhos, a que horas vai voltar. Nas duas últimas semanas, o JCB, deu um passo atrás, na tentativa de estabelecer o convívio com o modelo americano de apostas, por 1,5%, de comissão, para ceder as imagens dos nossos últimos páreos de domingo. Um pedacinho das nossas corridas.
O turfista se sente aliviado de voltar a rotina do mundo que reconhece. O projeto lançado pela diretoria do JCB foi audacioso. E, talvez, num futuro próximo, que pode ser até na semana que vem, seja necessário. O majestoso clube hípico, com um dos mais belos hipódromos do mundo, enfrenta graves problemas de ordem financeira. E está à procura de soluções, de maneira incansável, para pagar infinidade de "pepinos" herdadas de gestões anteriores. Muita poeira foi jogada para debaixo do tapete. Porém, este projeto precisa ser melhor amarrado. O segredo do sucesso na promoção de qualquer evento deve ter como base a palavra definição. Nas últimas semanas, o turfista virou barata tonta nas tardes de domingo. Não sabia sequer qual seria o horário das corridas. As reuniões tiveram início às 13h20, 14h15, 14h55, e 15h, ao bel prazer dos gringos. Tudo dependia da disponibilidade do horário dos americanos.
Os cardápios de apostas dos dois países têm significativas diferenças culturais. Existem problemas de ajustes no CPD, etc. e tal. Uma tremenda trabalheira para a turma do JCB. Uma dica, de quem torce a favor. Financeiramente, este projeto terá sucesso com a transmissão integral dos páreos. O processo precisa ser redondo. A reunião não pode ser fragmentada. Começar num modelo de jogo e terminar em outro. Um cardápio de apostas único para toda a programação. O público apostador se adapta em 15 dias. Além disso, os apostadores de altas somas, aqueles que fazem a diferença em termos de Movimento Geral de Apostas (MGA), precisam ter a convicção de que poderão sentar o bambu em qualquer páreo. E não de forma aleatória. Nas três ou quatro provas escaladas pelo Jockey Club Brasileiro para o modelo americano, com pedra mais robusta. Cá entre nós, diante do quadro de indefinições e de complexidade, por causa de três páreos, até os próprios administradores dos destinos do turfe carioca devem se sentir aliviados com a volta a zona de conforto.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Dragster, o ganhador do Grande Prêmio Sandpit, defensor do Stud H&R, e criado no modelar Haras Old Friends, estava lindo no cânter. Selo de qualidade de Dulcino Milanês Guignoni. Valdinei Gil fez um ritmo de corrida bem favorável ao seu conduzido e desenhou o triunfo clássico. Impecável. Reinava absoluto neste quesito até entrar na raia, no dia seguinte, o velocista Unorthodox, criado por Roberto Belina, e com a farda do Stud Sampaio. O pensionista de Adélcio Menegolo literalmente arrastou Waldomiro Blandi para o espelho e cravou 55s, nos 1000 metros, com cerca móvel, em estilo avassalador. Uma máquina, com presença certa em todos os próximos clássicos de velocidade.
JOQUEADA DA SEMANA
Leandro Henrique vive ótimo momento profissional. Parece pronto para recuperar a hegemonia do turfe carioca. Depois de ganhar a estatística pela primeira vez, oscilou um pouco na parte mental, coisas da juventude, embora nunca tenha deixado a peteca cair. Agora parece focado e determinado outra vez. No dorso de Ripped Jeans, do Stud B L, e treinamento do craque, Venâncio Nahid, deu aquele tipo de direção tão precisa, limpa e sóbria, que faz parecer muito fácil montar um cavalo de corrida. Cavalos que pesam em torno de meia tonelada, e correm a 65 quilômetros por hora. E os jóqueis se equilibrando neles, com os pés nos estribos. Sereno, lúcido e talentoso, Leandro correu acomodado o seu conduzido, fez percurso por dentro, curva redonda, deu a partida curta e acionou os seus "braços de mola" para sacramentar o triunfo. Grande jóquei!
PERSONAGEM
A representatividade e o resultado do jóquei cearense, Francisco Leandro, no turfe argentino, o coloca na posição de um dos maiores astros do turfe sul–americano. Hoje, tem início o último mês de corrida no circuito de hipódromos argentinos, San Isidro, Palermo e La Plata. O brasileiro soma 348 vitórias, na primeira colocação. Ou seja, a conquista de mais um título, é fato consumado. Afinal, o segundo colocado, William Pereyra, possui 297. Esta vantagem de 51 pontos é bem confortável, apesar de haver corridas todos os dias na Argentina. Francisco Leandro deu joqueada fantástica esta semana, na reunião de domingo, no Hipódromo da La Plata. No dorso de Three Cat, do Stud Globito, e preparo de Hugo Azcurra, ele correu na penúltima colocação. Fez a curva por dentro, e ficou sem passagem, com quatro concorrentes a sua frente, numa luta titânica pelo primeiro posto. Leandro começou a arrancar o seu pilotado para o meio de raia para encontrar caminho, pois ele tinha ação para vencer. Ao perceber que o competidor, junto à cerca interna, diminuiu e abriu a passagem, ele fez uma diagonal, de volta para dentro, e conseguiu espaço. Passou um a um os rivais, diante de gritos e aplausos entusiasmados dos "burreros", presentes ao hipódromo. Um craque!
RICARDINHO SEGUE PRESTIGIADO EM CIDADE JARDIM
O recordista mundial de vitórias, Jorge Ricardo, 13.142 vitórias, segue bastante prestigiado no turfe paulista por proprietários e treinadores. Na reunião do próximo sábado, no Hipódromo de Cidade Jardim, ele assinou montarias em sete, dos oito páreos a serem disputados. Na prova de potrancas, em 800 metros, na grama, conduzirá Everglades. Na Prova Especial Almirante Tamandaré, Gal Gadot. E na Prova Especial Joaquin Marques Lisboa, Davy Jones. Nos páreos de turma vai montar Reina Del Sol, Youmightright, Hip Star e Beautiful Glory.
MGA DA GÁVEA EM QUEDA LIVRE
O Movimento Geral de Apostas (MGA) do turfe carioca segue em declínio. No domingo, nem mesmo a realização do Grande Prêmio Sandpit, Grupo 3, motivou os apostadores. O MGA ficou em apenas R$ 496.199,67, o pior da semana, e bem abaixo dos R$ 600 mil, habituais. A segunda–feira, que tradicionalmente conta com a predileção dos turfistas, confirmou esta tendência, e foi o que arrecadou mais, com R$ 598.389,26. Entretanto, sem alcançar o número mágico dos R$ 600 mil. E a terça–feira ficou no meio do caminho, entre o caos e a esperança, com R$ 560.282,70. São números assustadores e demonstram a proximidade de tempos bastante difíceis para a atividade. Infelizmente, a gente fica com aquela sensação de malhar em ferro frio. E conclui que a salvação do turfe passa pela liberação do jogo, possibilidade de ressurgir das cinzas. Esta opção está há muito tempo, nas mãos do Congresso Nacional.
