Por enquanto, estamos na mesma. A iniciativa do Jockey Club Brasileiro, de modificar o modelo de jogo, aos domingos, ainda não provocou significativa alteração no resultado financeiro do Movimento Geral de Apostas (MGA), do turfe carioca. Anteriormente, com três reuniões, de 9 páreos, tínhamos um total de 27 provas, com arrecadação em torno de R$ 650 mil, em cada uma das programações. Ou seja, um faturamento total, pouco abaixo de R$ 2 milhões. As vezes mais, e, outras vezes, um pouco menos. Esta semana tivemos três programações. No domingo foram corridos 11 páreos, na segunda–feira, 9, e na terça, 8. Este total de 28 provas, praticamente a mesma quantidade anterior, não modificou o panorama de faturamento para os cofres do clube hípico.
No domingo, o MGA ficou em R$ 730.321,88, sendo R$ 532.806,88, nos 8 primeiros páreos, no cardápio nacional, e R$ 197.515,00, nos três últimos, no modelo internacional. Este valor, cerca de R$ 100 mil a mais, se justifica por conta da realização de dois páreos a mais, de 9 para 11. Nas corridas dos dias úteis também ficamos na mesma. Na segunda–feira, com 9 provas, o JCB faturou R$ 596.806,422,10, com o MGA, pouco abaixo dos R$ 650 mil anteriores. E, na terça, com 8 carreiras apenas, o MGA ficou em R$ 550.368,71. A diferença, de menor valor para o dia anterior, se explica por ter sido disputado um páreo a menos. O resultado final da soma dos três movimentos de apostas foi pouco abaixo de R$ 1 milhão 900 mil. A dança dos números comprova que o apostador ainda não correspondeu a expectativa. Na verdade, a soma da disponibilidade financeira de toda a comunidade turfista continua a mesma.
Ainda é cedo para decretar fracasso na iniciativa do JCB. Toda modificação exige período de adaptação dos interessados. Entretanto, para manter este novo modelo, será preciso acenar com substancial resultado financeiro. Esta nova dinâmica exige, na sua sistemática, muito trabalho aos organizadores. Ela mexe com gregos e troianos. É necessário conviver com problemas de horário, fuso, e divulgação do evento. Sem ter um lucro substancial não vale a pena conviver com tamanha dificuldade. A logística é bastante complexa. A incerteza na promoção das corridas deixa de valer a pena por que confunde deus e mundo. Tremenda dor de cabeça.
O JCB precisa estabelecer um prazo para ir em frente com a sua ideia. Ou dar um passo atrás, para ter maior mobilidade no gerenciamento do seu maior evento. Afinal, as corridas de cavalos são o seu melhor produto. Por isso, requer gestão e comprometimento seguros, objetivos e claros para os seus consumidores, que são os turfistas. No momento está todo mundo tonto. Por causa dos três últimos benditos páreos de domingo, nos Estados Unidos, que no início do projeto eram quatro, e só duraram uma semana, fica todo mundo agoniado. É preciso torcer para não chover. Tem que rezar pela alma do penetrômetro. Precisa pedir ajuda aos treinadores para inscrever cavalos, por que os americanos e suas modalidades, precisam de páreos com campos numerosos. Um tremendo rebuliço. A intenção é boa. O clube está à procura de saídas para enfrentar a crise financeira da atividade turfística no país. Porém, como sempre dizia o meu avô Moacir: "De boas intenções, o inferno está cheio".
Por Paulo Gama