A Secretaria da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro organizou ótima programação de 11 páreos para amanhã à tarde, no Hipódromo da Gávea. Além da prova central, o Grande Prêmio Oswaldo Aranha, para éguas, em 2000 metros, na grama, outros 9 páreos estão programados para a relva, e apenas o nono, um claiming, será disputado na areia. O tempo na cidade do Rio de Janeiro, com chuva fina, e temperatura baixa, não provocou danos na raia de grama. Foi apenas uma inofensiva garoa. Porém, no rigor do penetrômetro, dificilmente a raia será liberada. O clássico será mantido na grama, e a nona prova, como já está previsto, será na areia. Agora, a mudança de raia, nos demais páreos, será catastrófica para o Movimento Geral de Apostas (MGA), e nada atrativo para a transmissão internacional, projeto audacioso do clube.
O dia amanheceu com sol fraco neste sábado. Porém, bem esperançoso para os interessados na grama. E todos estão no mesmo barco. Proprietários, profissionais de turfe, apostadores e o próprio Jockey Club Brasileiro. Uma chuva inevitável de forfaits atingirá a todos amanhã se a pista for mudada. Muito mais do que esta chuvinha chinfrim, que nem guarda–chuva pede. Ninguém ganhará com isso. O critério para liberar a raia amanhã deveria ser o de coerência e flexibilidade. A pergunta certa a se fazer amanhã: Existe risco para os jóqueis e puros–sangues de se liberar a grama nos 10 páreos programados? Se a resposta for negativa, o penetrômetro deveria ser ignorado em caso de medida tolerante, até 5.5, na volta fechada.
Flexibilização é a palavra chave em tempos de pandemia. A diretoria libera a raia. Se chover, durante a reunião, paciência. O locutor anuncia a mudança de pista, e todo mundo senta junto, de mãos dadas, em cima do mesmo prejuízo. Em tempos difíceis, o Jockey Club tem de chamar os aficionados para junto de si. Estamos todos no mesmo barco. É muito melhor esclarecer a todos, sobre as dificuldades enfrentados por um clube promotor de corridas, num período de caos, como este, do que baixar o penetrômetro na marra, de um dia para o outro. O público do turfe é inteligente e apaixonado. A política do clube deve ser de seduzi–lo com a franqueza e convoca–lo para ajudar. A resposta favorável será imediata. Nenhum turfista quer ver a sua paixão ameaçada de extinção.
Por Paulo Gama