JCB ANUNCIA MUDANÇAS NAS APOSTAS, NA PARTE TÉCNICA E SOCIAL
O Jockey Club Brasileiro, um dos clubes hípicos mais importantes da América Latina, anunciou ontem, através do seu diretor–secretário, Marcelo Beloch, projeto audacioso com algumas significativas alterações na logística operacional do sistema das apostas, no aspecto técnico nas transmissões das corridas, com introdução de tecnologia de ponta, importada, e, também no aspecto social, com a revitalização do Hipódromo da Gávea, para atrair a população da cidade do Rio de Janeiro. O objetivo central é de aumentar a frequência do cidadão carioca a um autêntico centro de entretenimento, bem próximo das pistas.
A primeira modificação, com relação as apostas, acontecerá, a partir de domingo, dia 17 de outubro, data da disputa do Grande Prêmio Lineu de Paula Machado. Deste dia, em diante, sempre aos domingos, o turfista carioca terá os 8 primeiros páreos, no modelo habitual de apostas, e com as modalidades já conhecidas, Pick 3, Pick 7, Super Betting 4, e as quadrifetas com garantia. Nos 4 últimos páreos, acontecerá a virada. As apostas serão baseadas no modelo americano, com uma Pedra de Apostas mais forte, e, segundo Beloch, com um movimento de jogo, por páreo, bem superior, ou seja, de U$ 10 mil, para U$ 30 mil ou U$ 40 mil. O cardápio americano tem o jogo de Vencedor e Placê, e também o Show, o placê até terceiro, e a Daily Double, que é espécie de acumulada com dois cavalos, de um páreo para o outro.
Com relação as transmissões dos páreos, o diretor–secretário anunciou a importação de tecnologia de ponta, capaz de tirar o Jockey Club dos anos 90, e trazê–lo para os dias atuais. O objetivo principal é municiar os apostadores de maiores informações. Os caracteres, durante as transmissões, demonstrarão eletronicamente, os parciais de tempo, no intervalo a cada 200 metros de corrida, na tela, como acontece nas corridas americanas. Para isso será colocado nas mantas dos puros–sangues, um dispositivo, espécie de aparelho, do tamanho de um celular pequeno, capaz de aferir os parciais, dos cavalos participantes de cada competição.
Outra preocupação da diretoria do JCB é a integração da sociedade carioca com a atividade turfística. Para isso será feito um projeto de revitalização das dependências do prado, com vida social mais ativa, mesmo nos dias em que não houver corridas. Já está montada uma grande tenda, chamada de Club House, com infraestrutura de bares, restaurantes, e a colocação de Telões, para facilitar a visão das corridas e integrar as pessoas com o espetáculo das pistas.
"O nosso objetivo é transformar o nosso hipódromo num centro de entretenimento, com boa gastronomia, diversão para crianças, jovens, enfim integração entre a sociedade e a atividade turfística. Por isso, tudo vai acontecer do lado da raia, onde se realizam as corridas. A ideia é rejuvenescer o público do esporte, e integrar a cidade ao turfe. Os telões também transmitirão jogos de futebol, e de outros esportes, além das corridas, é claro", explicou.
ARCO DO TRIUNFO
Torquator Tasso, eleito o cavalo do ano no turfe alemão, surpreendeu as estrelas do turfe europeu, Adayar, Tarnawa e Hurricane Lane, com rateio de 69 por 1, no GP Arco do Triunfo. Foi uma atropelada fantástica, que surpreendeu ao superlotado Hipódromo de Longchamp, e aos especialistas do turfe mundial. A transmissão da TV Turfe teve imagem impecável, o espetáculo foi um show de organização, o fotochart deu o resultado em poucos segundos, a largada não teve atraso e a alegria das pessoas envolvidas com aquele domingo histórico da 100ª edição da prova, foi contagiante.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Prova de Grupo 2, o Grande Prêmio João Borges Filho, em 2400 metros, na grama leve decretou empate, entre Osprey, do Stud Red Rafa, e Mem Cade Ce, do Stud Verde. Mais uma demonstração de competência do treinador Luiz Esteves. Depois fazer trifeta no Grande Prêmio Brasil, ele agora teve direito a duas taças, e a dois pontos na estatística, num único páreo.
JOQUEADA DA SEMANA
Marcelo Gonçalves luta contra dificuldade de manter o peso. Recentemente, até deu uma parada na carreira. Porém, Marcelo voltou com tudo. Bom jóquei, eficiente e de muito rigor, ele não brincou em serviço esta semana. Na segunda–feira ele nos proporcionou a joqueada da semana no dorso de Bold Shot, do Stud Lobão de Pelotas, e criação do Haras São Pedro do Alto. A chuva prevista pela meteorologia não veio. Mas neste páreo, M. Gonçalves fez chover. Parabéns ao José Antônio Lopes, o Biduca, pela apresentação do filho de Nedawi.
PERSONAGEM
Uma imagem fala mais do que qualquer palavra. No terceiro páreo de ontem à noite na Gávea, para cavalos de 5 anos, com duas vitórias, 6 anos, com três vitórias, e 7 anos, com quatro vitórias, no dorso de Ibero Star, do Stud Dueto, e treinamento de Valtemir Severo Pedersen, um senhor de 60 anos, chamado Jorge Ricardo, vibrou ao cruzar o disco, como se fosse uma criança, que acabava de achar o brinquedo perdido. Bem ao seu estilo, de ponta a ponta, ele fez o que todos os especialistas e comentaristas esperavam, o que todos os seus rivais do páreo, sabiam que ele faria, correr na frente. E, entretanto, ninguém pode impedir.
Foram 13.131 vezes que ele cruzou o disco de chegada na frente, nas últimas quatro décadas. Provavelmente, umas 6.500 foram assim, de ponta a ponta. Em 1980, morreu o famoso jóquei, Francisco Esteves, que adorava correr na ponta. Até mais do que ele. Esteves, sempre repetia a mesma frase, nos dias de vitória: "Quem corre na frente, bebe água limpa". Ricardinho bebe água limpa há 45 anos. Todo mundo sabe disso. Os turfistas, os fãs, os marcadores, os adversários e aqueles, que se irritam com o seu estilo. Mas, ele raramente fica com sede.
