F. LEANDRO, UM BRASILEIRO FAZ HISTÓRIA NO TURFE ARGENTINO
Nos últimos três anos, nenhum jóquei ganhou mais corridas no circuito dos três principais hipódromos argentinos, Palermo, San Isidro e La Plata, do que o brasileiro, Francisco Leandro Fernandes Gonçalves. Ele é tricampeão da estatística portenha, e, no final de dezembro de 2020, foi o primeiro jóquei da história, a fechar a temporada como líder nos três hipódromos. Em 2021, Leandro cumpria a sua rotina com tranquilidade. E o tetra do ranking parecia mera formalidade. Afinal, o uruguaio, Pablo Falero, resolveu se aposentar, e o compatriota, Jorge Ricardo, havia decidido voltar ao Brasil. Eis que, de repente, uma queda provocou fratura na clavícula esquerda. Leandro seguiu as recomendações dos médicos, tomou todos os cuidados e retornou às pistas. Em pouco tempo colocou vantagem de 90 vitórias a frente do segundo colocado, William Pereyra.
Porém, o destino, caprichoso, lhe reservava outro obstáculo. Na entrada da pista do Hipódromo de Palermo, para fazer o cânter, a égua que montava se assustou e o jogou ao chão. Novo drama. Nova fratura. Desta vez no tornozelo direito. Se a clavícula o havia tirado das competições por 45 dias, agora existia a incerteza. Havia a necessidade de colocar pinos no tornozelo. Resignado e já acostumado a enfrentar percalços, seguiu as orientações médicas e, depois de exaustivas sessões de fisioterapia, retornou às corridas, depois de 50 dias. Ainda estava na ponta da estatística. Porém, a diferença, havia caído de 90 para apenas 15 pontos. Francisco Leandro foi a luta. Em uma semana somou 13 triunfos, entre eles, uma prova de Grupo 3, e um clássico. Hoje, com o placar favorável de 269 a 241, ou seja, 28 de frente, ele espera administrar a vantagem, e seguir o seu caminho tranquilo até o final do ano. E, em dezembro, comemorar o tetra.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Dulcino Guignoni brilhou na apresentação de Mapa Mundi, criado no modelar Haras Figueira do Lago, e propriedade do Stud Xeque–Mate, e The Sister, de criação do Stud Rio Dois Irmãos, e com a farda do Haras das Estrelas. Difícil dizer qual dos dois estava mais bonito. Se o craque brasileiro da raia de areia, no Clássico Eurico Solanês, ou a égua, na Prova Especial Courageuse, tão à vontade na grama leve. Em comum, na apresentação de ambos, a competência, a história e o resultado, sempre tão definitivo deste ícone na arte de preparar puros–sangues de corrida. Aplausos, de pé, para D. Guignoni, um monstro sagrado da história do turfe nacional.
JOQUEADA DA SEMANA
Valdinei Gil, o "Dragão", decidiu a Prova Especial Courageuse, num movimento simples e audacioso, na altura dos 800 metros finais. Ao perceber, que a ponteira, Texxana, iria abrir e deixar passagem, junto à cerca interna, o piloto fez correr a sua conduzida, um pouco antes do planejado, e entrou na reta com vantagem e com sobras. O ritmo do páreo, naquele momento, era lento. Com isso, obrigou os rivais a acelerar. E, sua égua, estava inteira para resistir. Um movimento de xadrez, suficiente para dar um xeque–mate em poucos movimentos das peças. Algo, tipo só os grandes mestres soviéticos conseguem fazer.
PERSONAGEM
Qual a maior novidade dos últimos 15 dias no turfe carioca? A resposta é muito fácil: José Aparecido. O experiente piloto, um coadjuvante de luxo no turfe argentino, aqui na Gávea parece pronto para ser um dos protagonistas. Frio, sereno, leve e com estilo diferenciado de montar, sempre com os cavalos na mão, como se diz na gíria turfística, ele tem dado dribles desconcertantes na turma mais apressada do turfe carioca. A sua direção no dorso de Ortega Y Gasset, no último páreo de ontem, foi um exemplo disso. Enquanto os rivais estavam apressados, loucos para ir embora para casa, ele mastigou o páreo gradativamente. E o treinador Leo Reis, pode saborear cada momento da apetitosa vitória.
PARABÉNS PARA VOCÊ – O recordista mundial, Jorge Antônio Ricardo, 13.127 vitórias, completa 60 anos, na próxima quinta–feira, dia 30 de setembro de 2021, mesmo dia do aniversário do treinador, Venâncio Nahid. O incansável campeão Ricardinho vai pegar a ponte–aérea Rio/São Paulo, e montar no sábado, em Cidade Jardim. Head Office está inscrito nos 2400 metros do Grande Prêmio Criadores e Proprietários do Jockey Club de São Paulo, Grupo 3, e Fiona do Jaguaretê, no Clássico Luiz Fernando Cirne Lima, em 1800 metros, na grama, ambos treinados pelo líder da estatística, Mário André. Nos páreos de turma, Ricardinho vai montar Pipo Star e Galo do Jaguaretê. Saúde! E vida longa ao Rei!
