Comentando a chegada do Gran Premio Copa de Plata, do Grupo I, em 2.000 metros, grama, principal atração do programa de ontem, em San Isidro, o jornalista Miguel López Biza, da edição eletrônica do Diário Clarín, um dos mais importantes da Argentina, escreveu: "Um final digno de uma prova de Grupo I, entre Ricardinho, magistral como um Ronaldinho do turfe, e Jacinto Herrera". E foi mesmo de arrepiar, quando Ricardo, com Samba Reggae, livrou pescoço de diferença sobre Bartola, que assumira a liderança nos 300 metros finais, ultrapassando a ponteira Cachorra Wells. A favorita Gualeta foi apenas a terceira colocada a três corpos das duas primeiras. O público presente a San Isidro vibrou com a chegada e aplaudiu demoradamente.
Samba Reggae teve um ano complicado, mas deixou claro que é uma das melhores potrancas da geração. Em maio, com Rosales, venceu uma prova clássica. Em agosto, montada pela primeira vez por Jorge Ricardo, venceu o Clásico General Luis María Campos, em 1.600 metros. Mas, um contratempo a deixou fora da Polla de Potrancas. Em outubro, no Gran Premio Selección, teve um percurso muito ruim e acabou na quarta colocação. Na última apresentação, no Clásico Ramón Biaus, em 25 de novembro, ela se atirou contra a cerca interna, após a largada, obrigando Ricardo a pular de seu dorso. Ontem, estreando na pista de grama, conquistou sua vitória mais importante, numa tradicional prova de Grupo I. E, para valorizar ainda mais a conquista, o tempo espetacular de 117s60, ficando a 40 centésimos do recorde histórico e muito antigo de Fort de France e L’Express.
A EMOÇÃO DE PASCUAL – O veterano treinador Domingo Pascual, responsável pela apresentação de Samba Reggae, disse que tinha um carinho muito especial pela potranca, que, pelo menos até agora, se mostrou sem sorte. A vitória de ontem, segundo ele, levou–o há tempos atrás, quando venceu uma prova importante com Fain (avô materno de Eu Também). Apertando a taça recebida contra o peito, disse estar pensando nos netos Santino e Sofía, que aniversariam na próxima semana. No cartel vitorioso de Pascual, consta o GP Brasil de 1976, quando trouxe à Gávea o alazão Janus II, de Fazenda Mondesir, laureado sob a direção de Gonçalino Feijó de Almeida.
AMERICANOS, MUITO PRAZER, RICARDO – Durante todo o ano, a mídia americana sequer tocou no nome de Jorge Ricardo, mesmo quando o brasileiro ocupava a posição de maior vencedor do turfe mundial, em atividade, até setembro, quando foi ultrapassado por Russell Baze. Depois disso, então, o brasileiro continuava sem existir. Ou a arrogância deles impede um olhar para o Hemisfério Sul, ou sabiam mas não tomavam conhecimento. Agora, não tem jeito, pois desde ontem as corridas de San Isidro começaram a fazer parte do simulcasting internacional e os americanos recebem as imagens das corridas do país vizinho. E Jorge Ricardo se apresentou a eles, vencendo a prova principal e mais dois páreos, dirigindo World Spirit (7°) e Fairy Crown (16°). Pode ser que, a partir de agora, eles enxerguem que existe um brasileiro na caça de Baze.
E HOJE TEM MAIS, EM LA PLATA – Um programa de 14 páreos (um deles em simulcasting, direto de Azul) será realizado na tarde/noite de hoje no Hipódromo de La Plata, com destaque para o Clásico Uberto F.Vignart, prova do Grupo II, em 1.200 metros, para corredores de 3 anos e mais. San Kirico, que vem de vencer o Gran Premio Ciudad de La Plata, a prova de velocidade na festa do GP Dardo Rocha, no mês passado, é o favorito destacado da carreira, que tem campo reduzido de seis competidores. E, para montá–lo, o treinador Edmundo Rodríguez convidou Jorge Ricardo, que, na prova de novembro, dirigiu Knock, oitavo colocado. Segundo o programa oficial, esta é a única montaria de Ricardo na reunião.
por Marco Aurélio Ribeiro