O II Encontro Nacional de Turfe foi realizado ontem, no tattersall do Jockey Club do Paraná, em Curitiba. Estiveram presentes, além dos palestrantes, criadores, proprietários, veterinários e treinadores. Aproximadamente 80 pessoas ouviram com atenção os temas debatidos no evento, participando, inclusive, com apartes aos palestrantes e apresentando sugestões.
Depois da primeira palestra, em que Marcos Rizzon e Nilson Francisco Genovesi questionaram o papel da imprensa especializada, foram discutidas algumas soluções para a crise detectada de forma unânime.
Rizzon falou sobre “O Turfe Único”, pontificando que a adoção da pedra única não seria a solução, mas sim, evitaria a concorrência entre os hipódromos brasileiros, tal como ocorre com sucesso na Argentina e no Chile.
O presidente do Jockey Club de São Vicente, Leo Friedberg, apontou problemas com relação às denominações das modalidades dos jogos e as diferenças que ainda existem entre as apostas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Afirmou que São Vicente gostaria de fazer uma experiência com modalidades que foram excluídas do sistema JCB, especialmente a Superpule de Placê e o Open Betting.
Na seqüência, a palestra de Luis Felipe Brandão dos Santos, que fez uma defesa contundente sobre a necessidade de investimento em marketing, como única forma de renovar o público. O presidente da ACPCPSI indicou uma série de equívocos no marketing do JCB e foi bastante aplaudido, contando depois com o apoio explícito de Nilsinho Genovesi, que pediu a palavra para destacar a lucidez da exposição.
Homero Oliva, titular do Haras H.Oliva, relembrou episódios interessantes envolvendo o magistral Luiz Rigoni, mas não deixou de externar sua preocupação com o futuro da atividade.
José Luiz Glaser apresentou um slide que chamou bastante a atenção, comparando o percentual de bolsas versus trato em diversos países. Falou sobre a exportação, como iniciou o Projeto Dubai, quais são os custos e forneceu outras informações.
A seguir, Eraldo Palmerini, ex–presidente do JCP, fez um relato sobre sua participação como dirigente e desabafou, apaixonadamente, a respeito do turfe atual.
Hugo Nieri não compareceu por motivos de saúde, porém, mandou uma carta que foi lida por Homero Oliva. Nela, termos como "o turfe está liquidado" mostraram com clareza sua insatisfação com os rumos do esporte no país.
Max Wolf fechou o painel expondo detalhadamente sobre os ramos genealógicos que mais têm produzido ganhadores clássicos no Brasil no século XXI, nominando um a um dos ganhadores no data show.
Também houve a cerimônia do prêmio Galeria da Fama 2006, entregue pelo deputado federal Max Rosemann ao titular do Haras Valente, Ítalo Trombini. No telão, foi apresentada a vitória de Thignon Boy no GP Brasil de 2004, emocionando a platéia.
Organizado pela Gibi Agency, embora sem contar com representantes do Jockeys Clubs Brasileiro e de São Paulo (foram convidados, mas não se interessaram em participar), o evento deixou claro que há disposição para, ao menos, serem tentados novos caminhos com o intuito de mudar o rumo da atividade no Brasil.
por Ricardo Ravagnani
NR: Ricardo Ravagnani, ex–comentarista da TV Jockey, ex–comissário de corridas do JCSP e atual colaborador do Raia Leve, também participou do evento, como palestrante, falando sobre "O papel da imprensa especializada".