GP BRASIL. TRADIÇÃO, HISTÓRIA, CARISMA E PAIXÃO
Grande Prêmio Brasil. Desde Mossoró, em 1933, até Pimper’s Paradise, em 2020, esta poderosa marca pertence exclusivamente ao Jockey Club Brasileiro. Existe também, o GP Brasil de Atletismo. O GP Brasil de Fórmula 1. O GP Brasil disso e daquilo. Porém, apenas o turfe não precisa agregar alguma explicação a patente. Ela representa a essência do maravilhoso esporte, no seu momento maior. A história começou bem cedo, antes da década de 30. Mas, foi a partir do triunfo de Mossoró, que esta marca passou a traduzir e simbolizar para a sociedade a força e a pujança das corridas de cavalos. A tradição de suas glórias. O carisma dos seus representantes, o homem e o puro–sangue, juntos na mesma caminhada. O desejo e a paixão incontroláveis de correr, em alta velocidade, rumo ao infinito. Juntos, eles aceleraram, o mais rápido possível, para escrever a história do chamado, "Esporte dos Reis".
Nada mais belo e elegante, do que o movimento simultâneo do jóquei no dorso do cavalo puro–sangue inglês. E foi através deste balé, desta coreografia habitual e rotineira, que foi escrita a história do Grande Prêmio Brasil. A cada domingo de agosto, no Hipódromo da Gávea, desde os áureos tempos, até os dias de hoje, a paixão se renova. A história tem sido relatada em cores de tintas fortes. Tons de alegria, amor, encantamento e esperança. A esperança de um dia ganhar, pelo menos uma vez, a mais importante prova do turfe brasileiro. Este é desejo e a expectativa de todo criador, proprietário, treinador ou jóquei nascido no Brasil. Escrever o seu nome, para a posteridade, na galeria de conquistadores desta relíquia. Para o turfista brasileiro, um dia ser ganhador do GP Brasil, é tudo. É alcançar a eternidade...
JUVENAL, O RECORDISTA
O jóquei alagoano, Juvenal Machado da Silva, nascido em Delmiro Gouvêa, teve a honra de escrever por cinco vezes o seu nome, ao lado de um cavalo ganhador da maior prova do turfe nacional. É o maior herói deste roteiro. Começou a montar em 1972. Sete anos depois, com Aporé, dos Haras São José e Expedictus, ele ganhava, de ponta a ponta, o GP Brasil pela primeira vez. E não parou por aí. Com Gourmet, do Haras Ipiranga, voltou a vencer, em 1982. Em 1986, repetiria o feito, com Grimaldi, de Delmar Biazoli Martins. No ano seguinte, em 1987, chegaria a quarta vitória, no dorso de Bowling, do Haras Santa Ana do Rio Grande. Juvenal emplacou o recorde absoluto de cinco triunfos no GP Brasil, em 1990, com o alazão Flying Finn, de propriedade do Stud Numy. Até hoje, ninguém conseguiu derrubar esta marca. Será que Juvenal estará na Gávea este ano? Seria emocionante a sua presença, com todo o seu carisma e simpatia. Qual seria a emoção da plateia em presenciar um abraço entre ele e o recordista mundial, Jorge Ricardo? Rivais eternos durante anos na raia. Amigos fraternos para sempre fora das pistas.
O FAVORITO DO GP BRASIL
Pimper’s Paradise, do Haras Doce Vale, vai tentar o bicampeonato do GP Brasil. O pensionista de Venâncio Nahid é considerado pela maioria dos turfistas como provável ganhador devido ao alto nível de suas exibições. Pimper’s Paradise teve febre por ocasião da Copa ABCPCC Clássica Matias Machline, e foi poupado. Este contratempo não permitiu que ele corresse uma carreira preparatória. Entretanto, a sua classe e categoria podem permitir que ele dê esta vantagem para os adversários. A sua presença no campo da competição conferiu um alto grau de valorização ao evento. Sem dúvida, ele é um puro–sangue da mais absoluta exceção. A vedete do espetáculo.
OS MAIS COTADOS NA MILHA INTERNACIONAL
Os potros Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago, e Keep Koler, do Stud Eternamente Rio, vão levar vantagem na escala de peso, estão em fase de franca evolução, e já deram boas demonstrações de categoria nas últimas apresentações. Por isso devem ser olhados com muita atenção no Grande Prêmio Presidente da República, a milha internacional. Existem alguns especialistas da distância no campo da prova e, por isso, também merecem ser olhados respeitados. É o caso de Campelanda, do Haras Rio Iguassu, Olympic Jhonsnow, do Haras Regina, e de Caribean, do Stud Best Friends, que só faz evoluir a cada corrida. E ainda há o reforço de Playa Los Ingleses, companheiro de farda, que pode ajudá–lo dando um ritmo forte a prova.
MAJOR SUCKOW E ROBERTO E NELSON SEABRA
As duas provas de Grupo 1, na véspera do GP Brasil, têm campos equilibrados, e com possibilidade de aparecer alguma surpresa. No quilometro, GP Major Suckow, In Essence, do Haras Santa Maria de Araras, Itagiba, do Haras Ereporã e Texport, Haras Cariri PE/Stud Sampaio, são os mais cotados. Porém, existem alguns rivais em boa forma, e o perfil da prova é bastante traiçoeiro, o que ficou comprovado na última preparatória, com quatro competidores escassamente separados na fotografia. O campo da competição das éguas, GP Roberto e Nelson Seabra, teve um número de inscrições comedido, o que facilitará a tarefa, e também o percurso, das mais visadas.
O Haras Santa Maria de Araras possui trinca poderosa, com I Believe in Magic, Idle Ways e Casablanca (Santa Maria). As duas representantes do turfe paulista, Muguruza, do Stud Casablanca, e Cherie Vi, do Haras Old Friends, estão em ótimo estado, como ficou comprovado na preparatória de Cidade Jardim. Mais Que Bonita, do Stud Eternamente Rio, é uma campeã, e merece sempre respeito. Pode se despedir com sucesso antes de ir para a reprodução. The Sister, do Haras das Estrelas, deu um show no seu triunfo recente. Outra forte candidata.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO, JOQUEADA E PERSONAGEM
Coco Bongo fez justiça ao nome da coudelaria de Ricardo Bandeira, Stud Winchester 45. Foram quatro tiros certeiros, bem na mosca. E, se o filho de Glória de Campeão pode vencer quatro corridas consecutivas em tão pouco espaço de tempo, não deve ser considerado nada demais, o treinador, Bruno Ulloa, voltar a nossa coluna em duas semanas. Um exemplo de profissionalismo e clarividência. Em primeiro lugar, soube manter o seu pensionista em perfeito estado atlético, e até evoluir, de uma carreira para outra. Além disso, escalou os páreos certos para inscrever. Confiante, Bruno emplacou quatro vitórias, com o seu cavalinho. Se equilibrou com perfeição no projeto de inscrições, como se fosse um trapézio. As duas últimas vitórias foram apertadas, algo compreensível. Normal. Até os melhores puros–sangues têm dificuldade de vencer tantos páreos consecutivos.
A necessidade de resumir a nossa análise semanal a apenas uma reunião, nos impôs uma circunstância inédita. A melhor direção dada na reunião de segunda–feira foi de um cavalo que não venceu. No dorso de Delimon, pensionista de José Ferreira Reis, Alex Mota deu um daquelas joqueadas especiais. Ficou no fundo do lote, sempre com o seu conduzido junto acerca interna. Se aproximou aos poucos, fez a curva redonda, e, nos 200 metros finais arrancou por fora e fez partida curta e seca. Delimon decolou dali, mas não conseguiu alcançar o iluminado Coco Bongo, que se recusa a ser derrotado. Vale a pena rever o páreo. O personagem da noite foi Leandro Henrique, com três vitórias, através de Inspetor Fong, Stud Ajato, Albinoni, de Aldo Roberto Barros, e Bright Koller, de Taís Neves Alayão. Em grande forma física e técnica, parece estar disposto a recuperar a liderança do turfe carioca, que mudou para as mãos de Bruno Queiroz, nas últimas temporadas.
