O calendário clássico carioca, no último páreo de hoje à noite, faz justa homenagem a Much Better, filho de Baynoun e Charming Doll, criado no Haras J. B. Barros, e imortalizado com a farda do Stud TNT, de Gonçalo Borges Torrealba. Impossível recordar Much Better, sem falar do saudoso treinador, João Luiz Maciel, falecido há 25 anos, junho de 1996, aos 33 anos, depois de ganhar quase todos os clássicos mais importantes da América do Sul. Much Better era um cavalo de ferro. Depois de atuar no Arco do Triunfo, em Paris, e chegar descolocado, 21 dias depois, de volta ao Brasil, perdeu a Copa ANPC, no fotochart, em recorde, para Fantastic Dancer.
Much Better, e seu genial treinador, escreveram em pouco tempo, algumas das mais belas páginas do turfe nacional. Protagonista absoluto de sua campanha, em pouco tempo, colocou no currículo, uma vitória no Grande Prêmio Brasil (1994), e, no ano anterior, uma derrota no fotochart, para Villach King (1993), na mesma prova. Uma vitória no Grande Prêmio São Paulo (1994), uma vitória no Grande Prêmio Carlos Pellegrini (1994), e um segundo lugar, para o peruano Laredo (1993). Duas vitórias no Clássico Associação Latino–americano de Jockeys Clubs (1994 e 1996).
O craque Much Better foi o abre–alas de uma equipe extraordinária de profissionais, formada no início de 1993, pelo Stud TNT. O chamado, na época, de "Dream Team", dominou o turfe brasileiro por três anos. Era um conjunto afinado, com resultados extraordinários. João Maciel, o treinador, e Jorge Ricardo, o jóquei. Além deles, o veterinário, Flávio Geo Siqueira, o segundo–gerente, Carlos Alberto Silva, o redeador, Nelson Marinho, o ferrador, Camilo, o manager da coudelaria, Mikael Zaccour, e uma equipe impecável de redeadores e cavalariços.
Bons tempos aqueles. Vitórias inesquecíveis, viagens, para cima e para baixo, com Much Better, sempre no comando. Ele, com a sua incrível aceleração. Ele, com a sua volúpia de correr. Ele, o carro–chefe das nossas caravanas pelas pistas dos hipódromos, mundo afora. Eu tenho a honra de ser amigo de todos estes profissionais citados até hoje. Much Better e João Maciel, infelizmente, se foram. Logo eles, os protagonistas. Deixaram saudade. Ao lado destes caras, eu pude viver, sem dúvida, os melhores anos da minha vida turfística.
E o páreo de hoje à noite? Bem. Vou torcer para Lionel The Best, de Cristiano Mendes de Cordova Nascimento. Óbvio. Mas, o Mapa Mundi, do Stud Xeque–Mate, é um cavalo de muita categoria na pista de areia. Capitão Barbosa, do Stud Pontual do Recife, e Coração Sureño, do Stud Happy Again, a seguir.
Por Paulo Gama