OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE
Os jóqueis Fumio Matoba e Perry Wayne Ouzts, 9º e 10º colocados, respectivamente, no ranking mundial dos jóqueis, somaram pontos nas últimas semanas. O japonês, Matoba, nascido no dia 7 de setembro de 1956, 64 anos, obteve cinco vitórias em seu país de origem. Agora, ele alcançou a marca de 7.351 vitórias em seu magnífico currículo, e, em Tóquio, é considerado um herói. Enquanto isso, o americano Perry Wayne Ouzts, natural do Arkansas, em 7 de julho de 1954, portanto, completa 67 anos, hoje, mantem uma média semanal, em torno de 1 a 3 pontos, nos hipódromos secundários dos Estados Unidos. Ouzts possui 7.186 triunfos, e, por ser um indivíduo determinado, e apaixonado pelo que faz, pretende montar, no mínimo, até os 70 anos, segundo afirmam os seus fãs e admiradores.
O peruano Edgar Prado, 54 anos, sétimo do mundo, com 7.397 vitórias, mais novo do que ambos, nasceu na capital do seu país, Lima, em 12 de junho de 1967, e, inegavelmente, é mais graduado do que os seus colegas de profissão. Construiu carreira sólida nos Estados Unidos, onde reside com a família. Entretanto, nos últimos tempos, tem passado por seca de vitórias no consagrado Hipódromo de Gulfstream Park. Prado é um dos únicos quatro jóqueis da história do turfe, a ganhar mais de 500 páreos num mesmo ano. Em 1997, somou 535 triunfos numa mesma temporada. No seu currículo constam vitórias em quase todas as provas mais importantes do mundo. Entretanto, apesar de ser membro do Hall da Fama, esta lenda do esporte tem montado pouco. Na semana passada, por exemplo, assinou apenas duas montarias em Gulfstream Park. E nenhum dos marcadores locais indicou nos seus palpites os cavalos montados por ele. Nos últimos meses, a sua rotina tem sido assim. Porém, nada o abala. Prado segue em frente na paixão de montar.
O brasileiro, Jorge Ricardo, completa a relação destes "Quatro Cavaleiros do Apocalipse". Eles são os únicos jóqueis, entre os 10 mais vitoriosos de todos os tempos, ainda em atividade. Os outros se aposentaram. Ricardinho, lidera o ranking mundial, com 13.101 vitórias. Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 30 de setembro de 1961. Aos 59 anos, ele monta, preferencialmente, no Hipódromo da Gávea, sua casa, onde obteve a maioria de suas vitórias. E, quase todo sábado, entra no avião, pega a ponte aérea, Rio/São Paulo, e dá o recado em Cidade Jardim, onde possui apreciável prestígio com o público paulistano. Depois de montar na Argentina por 15 anos, onde ganhou 4 estatísticas e bateu o recorde mundial de vitórias, voltou ao Brasil em setembro de 2020. Aqui do Rio, após largar com dois meses de atraso em relação aos colegas, todos mais jovens, finalizou no quarto lugar da estatística. Um fenômeno!
Estes quatro intrépidos cavaleiros têm em comum a idade avançada, numa profissão dura e perigosa. A paixão pela carreira, entretanto, fala mais alto. Experientes, cascas grossas, e arrojados, os quatro cavalgam de forma destemida nas raias dos hipódromos do mundo. Montam na areia, e na grama. No dorso de cavalos mansos, e de alguns baldosos. Enfrentam sol escaldante, nos dias de verão, e lama na cara, nos páreos debaixo de chuva. Raia leve ou pesada, lá estão eles em cima dos puros–sangues. Conduzem animais de meia tonelada, numa velocidade de mais de 60km por hora. Um caso de amor com a profissão de jóquei.
A cavalgada inexorável destes personagens carrega em si algo de misticismo? Jorge Ricardo, Edgar Prado, Fumio Matoba e Perry Wayne Ouzts seriam os lendários "Quatro Cavaleiros do Apocalipse"? Talvez. Quem sabe? O certo mesmo é que nas profecias bíblicas, durante séculos, quatro homens montados a cavalo são citados como sinônimo de prenúncio do fim do mundo. Eles personificam o mau presságio no seu galope trágico, lado a lado, em cavalos de cores diferentes. Convido vocês a dar uma olhada no Google. Ficarão surpresos.
Segundo a profecia, no cavalo branco, galopa o homem que segura o arco. Este arco representa a paz disfarçada. Alguns teólogos afirmam que ele encarna o Anticristo. Os antigos profetas asseguram que no dorso do cavalo alazão, o vermelho, vem o segundo cavaleiro, com a espada em punho, símbolo da guerra, e da destruição. No cavalo preto, galopa o terceiro cavaleiro. Ele carrega a balança, símbolo da escuridão, dos tempos difíceis da escassez, da penúria e da fome. E o último destes quatro homens, nas profecias, está no cavalo amarelo, com o tridente da peste, da tragédia e da morte. Os quatro juntos são um só. Eles vêm para anunciar o fim dos tempos. O apocalipse...
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
A potranca Look of Love, do Stud Rio Dois Irmãos, filha de Agnes Gold e Mandjula, por Roi Normand, teve apresentação espetacular de Cosme Morgado Neto. Empolgante a sua estreia e a demonstração de aceleração, valentia e consistência. Ela literalmente arrastou o jóquei Bruno Queiroz até o disco. Corre demais.
JOQUEADA DA SEMANA
Maicon Mesquita deu duas ótimas direções na reunião do último domingo à tarde. Uma delas foi confirmada, com Long Journey, de Fernando Antônio Fontes Monteiro, e a outra, com Kamotim, que teve desclassificação bastante polêmica. Então vamos falar da que valeu. Num páreo de ritmo acelerado, o jovem Mesquita soube ter calma no dorso do seu pilotado, e fazer correr no momento exato, numa partida bem curta. Bom preparo de José Ferreira dos Reis, no seu pensionista.
PERSONAGEM
O treinador José Antônio Lopes merece menção honrosa pela apresentação de Efetivo Bull, do Stud Happy Again, na melhor prova da semana, e, também por manter por tanto tempo o corredor em tão boa forma, aos 7 anos. Dedicação, trabalho e muita sensibilidade, são predicados do treinador gaúcho, que terminou a estatística ao lado de companhias ilustres, ao seu lado, no ranking. Parabéns.
MOVIMENTO DE APOSTAS
Com apenas duas programações, o apostador carioca dividiu o seu dinheiro em duas partes, ao invés de três. Isto pode ser observado no Movimento Geral de Apostas (MGA), das reuniões de domingo e terça–feira, na Gávea. No Domingo, o MGA alcançou R$ 737.427,83, e na terça, R$ 741.793,03, valores praticamente iguais. Resultado emblemático. Superior aos habituais R$ 600 mil, em média, quando são realizadas três programações. O que parece confirmar a teoria de alguns, de que a disponibilidade de dinheiro de cada apostador é a mesma. A diferença de arrecadação fica em torno de R$ 300 mil. Com duas reuniões se arrecadou R$ 1,5 milhão, e com três, se fatura em torno de R$ 1,8 milhão. O que se precisa verificar é o custo para promover cada programação no prado carioca. Este parece ser o X da questão.
