Depois de realizadas quatro reuniões na Gávea, em quatro dias consecutivos, o resultado do Movimento Geral de Apostas (MGA) deixou indícios das dificuldades específicas, para cada reunião carioca. Os expressivos R$ 841.509,24 apostados no dia da Copa dos Criadores, com sol, temperatura agradável e sete provas clássicas, ficou fora da curva em relação aos valores arrecadados nos outros três dias. O óbvio ululante é que o turfe não é diferente de qualquer evento de entretenimento. Se o espetáculo é de bom nível, seja, esportivo, musical, cinematográfico ou teatral, desperta interesse imediato nos aficionados. Páreos, cavalos e personagens de qualidade motivaram as apostas. Se a qualidade cai, as apostas também descem ladeira abaixo. Existem outros fatores que contribuem, evidentemente. Porém, o fator primordial para o sucesso do evento reside na sua própria qualidade.
O resultado financeiro da reunião de sábado, como de hábito, foi o pior de todos. Apenas R$ 558.207,85 foram arrecadados pelos cofres do JCB. E neste caso, não se pode condenar o nível técnico da reunião. Haviam páreos para a nova geração, intercalados, com provas comuns sofríveis. O problema é que através dos anos, o turfista carioca se acostumou com a ausência de corridas aos sábados. Ele aproveita o dia para outras programações com a família, em casos específicos, os filhos, e, em outros, com as mulheres, as noivas, ou as namoradas. Para a semana do GP Brasil, o JCB deve estudar alguma maneira de fazer um resgate de emergência dos apostadores. Do contrário, nem mesmo o Major Suckow, Roberto e Nelson Grimaldi Seabra poderão salvar a pátria. É preciso fazer um projeto para atrair as pessoas aos agentes credenciados e, ao hipódromo para jogar. Não precisa ser presencial. Mas tem que apostar. Depois, tudo volta ao normal, sem corridas aos sábados.
A mudança do tempo prejudicou a reunião de terça–feira. Com a meteorologia afiada, e os satélites de plantão, raramente se erra a previsão. Por isso, na segunda, já se sabia que frio, vento e chuva eram os astros da última reunião do ano hípico. Ainda com tempo firme, a corrida da segunda vendeu R$ 658.010,47, R$ 100 mil a mais do que o sábado; E, um pouco acima dos R$ 617.632,36, da terça. O reflexo da empolgação dos proprietários com o desfile de craques do domingo, e com a oportunidade de inscrever os seus cavalos, na última semana antes da mudança da idade, cobrou logo a conta. Com o rebanho de equinos desfalcado, a semana seguinte foi desastrosa, em termos de inscrições. Duas programações de 9 páreos, ou seja, 18 provas no total. E a turma da Secretaria da Comissão de Corridas trabalhou bem. Reabriu vários páreos, e, no peito e na raça, formou os dois programas. Na verdade, como o meu avô Moacir sempre dizia, "Meu filho, sem ter milho, não se faz pipoca".
Por Paulo Gama