FESTIVAL ABCPCC FOI SUCESSO TURFÍSTICO E POLÍTICO
O cenário do encontro entre alguns dos principais criadores e proprietários de puros–sangues do país estava perfeito. Sol morno, céu azul, temperatura amena e a paisagem paradisíaca do Hipódromo da Gávea, chancelado pelas palmeiras do Jardim Botânico, a brisa vinda da Lagoa Rodrigo de Freitas, e o Cristo Redentor, de braços abertos para receber visitantes ilustres. E vale lembrar, nas pistas cariocas, se exibiram cavalos de alta qualidade. Num ambiente assim, qualquer apaixonado por turfe, se sente livre, leve e solto. O presidente Raul Lima Neto, anfitrião simpático e discreto, teve a oportunidade de dialogar com dirigentes de outros clubes hípicos, proprietários dispostos a colaborar, e criadores com projetos para incrementar novos, e melhores rumos para o turfe nacional. Diálogo foi a palavra mágica desta tarde da Copa dos Criadores. Os tempos difíceis são assim. Todos precisam navegar no mesmo barco.
Se na pista existem bons cavalos, também acontecem boas corridas. Em termos de competição, as coisas fluíram bem. Polêmica na raia, como no caso da reclamação após a prova central, sempre acontece quando existe a disputa. Para alguém receber uma taça, outros tantos precisam ficar de mãos abanando. Porém, os homens inteligentes têm plena consciência que a roda viva gira. E os heróis desta tarde de domingo, podem ser os mesmos a ter de aplaudir, num futuro próximo, um dos adversários superados agora. A vida é assim. O turfe também. No aspecto social e político, reunir pessoas capazes de influenciar o esporte de forma positiva faz muito bem a atividade. Fortalecer os clubes hípicos e enfrentar juntos os obstáculos financeiros, logísticos e tecnológicos, só pode fazer bem a todos. O resgate dos melhores dias do esporte, sem dúvida, passa pelas pessoas que têm no coração, e na mente, a mesma chama inexorável, da paixão pelo esporte dos reis.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Hall Pass, do Stud Eterno Amor, transpirava saúde e preparo de atleta por todos os poros. Parabéns a Roberto Morgado Júnior, treinador dedicado, cuidadoso e dono de talento inato para esta difícil profissão. O seu legado, para os filhos, é do tamanho de um bonde. E, eles, tem plena consciência disso. Graças a Deus. O corredor, oriundo dos campos de criação do Haras Santa Maria de Araras, obteve triunfo emocionante. Marcelo Gonçalves, em tarde inspirada, deu direção arrojada. Um começo com o pé direito, para uma tarde memorável.
JOQUEADA DA SEMANA
José Aparecido da Silva, radicado agora no turfe paulista, depois de proveitosa passagem pelo turfe argentino, onde competiu contra os melhores jóqueis da América do Sul, esteve impecável no dorso de Campelanda, defensor da respeitada farda do Haras Rio Iguassu. Sóbrio, experiente e pragmático, correu o tempo todo por João da Jandinha, do Stud J. Lírio Aguiar. Nos momentos decisivos da carreira, procurou o mesmo caminho do oponente, e, por fora dele, foi quem deu a palavra final. Um triunfo de Grupo 1, muito justo para o corredor, com um jóquei internacional a bordo.
PERSONAGEM
Bernardo Pinheiro surgiu bastante promissor na Escola de Aprendizes do Jockey Clube Brasileiro. Jóquei pronto de partida, desde os primeiros passos, mostrou a característica de correr os seus pilotados na ponta. Evoluiu bastante, depois de rodar por pistas mundo afora. Esteve do outro lado do planeta, no mundo árabe, onde enfrentou idiomas estranhos, raias diferentes, costumes e culturas distintas. De volta ao Brasil, tem demonstrado maturidade e lucidez, frutos do aprendizado. Apesar de ficar tanto tempo fora do Brasil, Bernardo continua a mesma pessoa. O mesmo rapaz educado, atencioso e disposto a aprender. A vitória de Macademia, do Haras Springfield, na Taça de Prata, para muitos apenas um azarão, fez justiça a potranca, que havia perdido carreira sem nome, no Hipódromo de Cidade Jardim, na semana do Grande Prêmio São Paulo. E, também fez justiça ao próprio Bernardo Pinheiro, que rodou por vários países em busca do sucesso. E, de repente, ele pode estar logo aqui, bem perto de casa.
OUTROS DESTAQUES
Com tantas provas clássicas num único dia, não se pode deixar de fazer alguns registros. Dulcino Guignoni apresentou Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago, em forma atlética sensacional, e o potro, bem conduzido por Wesley Silva Cardoso, pulverizou os rivais na Taça de Prata, Grupo 1. Luiz Esteves fez trifeta na prova central, a Copa ABCPCC Clássica, com Jackson Pollock, Olympic Korchnoi e Olympic Kremlin. Um feito notável. Christiano Oliveira brilhou na apresentação de I Believe In Magic, do Haras Santa Maria de Araras, na Copa ABCPCC Éguas. Adélcio Menegolo, com Itagiba, na Copa ABCPCC Velocidade, completa a relação dos profissionais que brilharam intensamente no Festival ABCPCC. Agora é esperar pelo GP Brasil, em agosto.
DESTAQUE DA SEGUNDA–FEIRA
O treinador Orlando Martins Fernandes Jr. continua a mandar bem, apesar de ter poucos cavalos sob sua responsabilidade. Guri Carioca, adquirido nos leilões de animais em treinamento, por Luiz Carlos Cavalcanti Borges, conseguiu a sua terceira vitória aqui na Gávea, em pouco tempo. O corredor chamou a atenção por seu estado atlético no galope de apresentação. E, na corrida, largou, tomou a ponta e não foi mais alcançado. Como narrou o sempre inspirado locutor Thiago Guedes: "Prenda–me se for capaz", numa alusão a comédia estrelada nos cinemas por Leonardo Di Caprio.
ARGENTINA
Francisco Leandro continua dando as cartas no turfe argentino. O brasileiro voltou a montar no dia 2 de junho, com 191 vitórias, recuperado de fratura na clavícula esquerda. Ontem, dia 28 do mesmo mês, ele ganhou dois páreos, e agora soma 222 pontos no topo da estatística. Ou seja, Leandro ganhou 31 páreos, em 26 dias, e fez jus ao prêmio Carlos Pelegrini, distinção dada todo ano, pelos órgãos de Imprensa na Argentina, como o melhor jóquei da temporada. No caso 2020.
