Orlando Martins Fernandes Jr., nasceu há 58 anos, na Vila Hípica, número 1, dentro das dependências do Hipódromo da Gávea. O seu pai, Orlando Martins Fernandes, foi jóquei, e depois, treinador. E, como treinador, ele foi responsável por um dos maiores craques que pisaram as pistas cariocas, El Santarém, chamado em sua época, de "O cavalo do Povo". E o motivo era simples. O voluntarioso puro–sangue, filho de Samkio e Malasia, de propriedade do Stud Biscal, corria feito um louco, sempre na ponta, e enfrentava, de igual para igual, os melhores cavalos daqueles tempos, cujas fardas, eram famosas e consagradas. O público, nas arquibancadas lotadas, torcia de maneira frenética por ele. Júnior era então, apenas um jovem sonhador. Ele vinha montado no dorso do craque, nos dias de corrida, com um cavalariço ao lado, segurando o cavalo até a chegada ao prado. Na sua cabeça, ecoava as recomendações do pai. "Pelo amor de Deus não deixa este cavalo disparar".
"Ele era muito bravo. Indomável mesmo. E nas corridas, disparava na ponta. Só corria na frente, como se fosse um bólido de quatro patas", recorda emocionado.
Toda a família de Orlando Martins Fernandes Júnior, por parte de pai, e de mãe, é de pessoas relacionadas ao turfe, profissionalmente. O seu tio, Aloisio Figueiredo, foi jóquei. O outro tio, Benedito Figueiredo, treinador. E o seu avô, Nílton Figueiredo, treinou cavalos no antigo Derby Club, em tempos que o atual prado carioca, ainda nem existia no mapa. O. M. Fernandes Jr., batalhador, tem matrícula de treinador desde 1984, portanto, há 37 anos. Já teve melhores momentos, quando treinava bons cavalos, como os do Stud Baixo Leblon, Hack Boy, e Mello Fighter, para ele, os melhores. Nunca teve, como o seu pai, um craque tipo El Santarém, nas mãos. Se isso acontecesse, ele não tem dúvida, de que receberia melhores oportunidades. Porém, com os cinco que possui, hoje em dia, numa cocheira em que existem 22 boxes disponíveis, ele tem feito tremenda lenha nos últimos tempos.
"O Luiz Carlos Cavalcanti Borges tem cavalos comigo há muito tempo. Ele é lá de Recife e sempre adquire os seus animais nos leilões de treinamento. Foi assim que veio de São Paulo o PIonnering Boy, e logo ganhou 4 corridas. E, agora veio o Guri Carioca, e obteve dois triunfos em um mês. Gostaria de ter mais oportunidades para mostrar o meu trabalho. Quem sabe, um dia, ver esta pequena cocheira com os boxes cheios. Afinal, sonhar não custa nada", filosofou com a esperança de dias melhores.
Por Paulo Gama