PROFISSIONAIS CARIOCAS BRILHARAM EM SÃO PAULO
A representação do turfe carioca teve desempenho bastante expressivo na semana mais importante do turfe paulista. Os jóqueis conseguiram levar a melhor, com 12 vitórias, nas três reuniões. Foram disputados 26 páreos, oito na sexta–feira, 9 no sábado, e mais 9, no domingo. Jorge Ricardo somou cinco pontos, com duas provas de Grupo1, dois clássicos, e um páreo de turma. Bruno Queiroz faturou quatro, com duas provas de Grupo 1, também, uma Prova Especial, e um Prêmio Especial. Wilkley Xavier somou um triunfo de Grupo 2, Henderson Fernandes, uma Prova Especial, e Carlos Lavor, o Prêmio Especial Pedro Nickel.
Os treinadores radicados no Rio de Janeiro, com seis vitórias, também apresentaram muito bem os seus pensionistas, com seis triunfos. Luiz Esteves saiu–se vitorioso com Keep Koller, do Stud Eternamente Rio, no Grande Prêmio Juliano Martins, Grupo 1. Christiano Oliveira conquistou o Grande Prêmio OSAF Grupo 1, com Helquis, do Haras Santa Maria de Araras. E Roberto Solanês esteve no pódio três vezes, com Olympic Jhonsnow, do Haras Regina, no GP Presidente da República, Grupo 2, Olympic Kris, do Haras Regina, na Prova Especial Off The Way, e Viva La Vida, na Prova Especial F.I.H.A. Júlio César Sampaio apresentou com sucesso Regal Triton, de Cristiano Mendes de Córdova Nascimento, no Clássico Vicente Renato Paolillo. Parabéns a todos pela qualidade do trabalho.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – O treinador Mário André deu um show de competência no preparo de Head Office, do Stud Aléssio & Naela, ganhador do Grande Prêmio São Paulo, disputado no último domingo, no Hipódromo de Cidade Jardim. Experiente, detalhista e minucioso, Mário decidiu que seria recomendável para o sucesso do melhor cavalo, de propriedade do jogador de futebol Guerrero, não atuar num páreo preparatório para o clássico. Todos sabem que o cavalo de corrida é um atleta. E como todo atleta precisa estar no auge da forma física no dia da competição principal. O mesmo serve com os atletas na preparação para disputar a Olimpíada, ou a Copa do Mundo. Normalmente, a melhor opção é subir uma escala de evolução até atingir o ápice. Nem sempre isto é possível.
Head Office já estava no último furo depois do triunfo anterior ao GP São Paulo. O que fez Mário André? Achou por bem mantê–lo no que os argentinos chamam de ponto 10. Ou seja, realizar trabalhos suaves, galopes para manter o fôlego, e um apronto forte três dias antes da corrida. Após o exercício final de 62s nos 1.000 metros, o próprio treinador, e o jóquei, Jorge Ricardo, não tinham mais dúvida do triunfo. Parabéns a este magnífico profissional pela sua segunda conquista na maior prova do turfe bandeirante. A outra foi em 2018, com Euquemando, de propriedade do Haras Chello e criação do Haras Anderson.
PERSONAGEM – Jorge Ricardo, aos 59 anos, e recordista mundial, com 13.086 vitórias, parece ter desembarcado em São Paulo disposto a provar que ainda tem muita lenha para queimar. Desceu da ponte aérea na quarta–feira à noite. Na madrugada fria de quinta–feira estava em Cidade Jardim realizar o apronto em Head Office. Na sexta–feira entrou na raia e ganhou o Clássico Presidente Vicente Renato Paolillo, com a potranca Gal Gadot, treinada por Tiago Haidar. Mas ainda era pouco para ele. No sábado conduziu ao triunfo o azarão Regal Triton, preparado por Júlio César Sampaio, no Clássico Presidente João Tobias de Aguiar, a velocista Itaperuna, aos cuidados de Maurício S. Oliveira, no Grande Prêmio ABCPCC, Grupo 1, e ainda, de quebra, no último páreo, levou ao disco, Catch A Magic, do proprietário que o contratou recentemente, Cristiano Mendes de Córdova Nascimento. Outra vitória para Tiago Haidar.
Depois dos quatro triunfos, nos dois primeiros dias, só faltava a cereja do bolo. E ela veio, no domingo à tarde, no GP São Paulo, com o craque Head Office, em apresentação magnífica de Mário André. Ricardo comprovou para alguns turfistas algo precipitados, e defensores da sua aposentadoria, que continua a ser bastante competitivo. "Não posso ter o rigor dos meus 20 anos. Para isso seria preciso ser um herói da Marvel. Talvez o Wolverine. Quem sabe? Mas, nos últimos 45 anos, adquiri experiência, conhecimento e compreensão do que os cavalos gostam, de acordo com as suas características. E, afinal de contas, quem corre é o cavalo. O jóquei precisa ter competência para saber conduzi–los. E isto, modéstia à parte, eu ainda sei fazer direitinho", afirmou, com a autoridade de ser o piloto que ganhou mais páreos em todos os tempos.
JOQUEADA DA SEMANA – A melhor direção da semana foi dada por Wilkley Xavier no dorso de Olympic Jhonsnow, do Haras Regina, no Grande Prêmio Presidente da República, Grupo 2, a milha internacional. Correu com a tranquilidade dos veteranos. Respeitou as características do seu conduzido, entrou na reta final nas últimas posições e abriu caminho com a aceleração estupenda do pensionista de Roberto Solanês, excepcional treinador. Uma menção honrosa para Bruno Queiroz, vencedor de quatro provas, sendo duas delas de Grupo 1, o GP OSAF, com Helquis, do Haras Santa Maria de Araras e o GP Juliano Martins., com Keep Koller, do Stud Eternamente Rio. Duas belíssimas direções.
JACKSON STORY – Numa semana pouco atrativa na Gávea, o destaque ficou por conta de Jackson Story, do Stud Sempre Por um Triz, e preparo magnífico de Leopoldo Cury, na Prova Especial Roi Normand. O cavalo encaixou de uma tal maneira que reina absoluto na pista de areia. Carlos Lavor já o conhece bem e esta dupla de profissionais, tão vitoriosa nas suas trajetórias, visivelmente tem carinho muito especial por Jackson Story. E ele merece. Trata–se um lindo animal. E segue vendendo saúde.
A TELEVISÃO DA SOCIAL – Depois de quase um mês com problema, a televisão da varanda da Tribuna Social, perto do padoque, onde os cavalos passeiam antes de serem montados, foi concertada. Helinho Magro, titular do Stud Love, aproveitou a passagem do diretor, Marcelo Beloch, e lhe solicitou uma providência. Pouco mais de 40 minutos depois, lá estavam os funcionários com o novo monitor na mão. Ainda deu tempo de assistir os cinco últimos páreos. Helinho, muito popular entre os turfistas da Social, tirou onda com a rapaziada. "Para mim não foi surpresa. No dia em que o Marcelo nasceu, eu estava ao lado do pai dele, o Carlos Beloch, na maternidade", afirmou vaidoso. O treinador, Renato Nascimento, ao seu lado, brincou. "Helinho, eu esperava uma televisão nova só na semana que vem. Isso é que é prestigio. Você conseguiu ser atendido em meia hora", provocou.
