O dia 16 de maio de 2021 ficará para sempre na memória dos privilegiados turfistas presentes ao majestoso Hipódromo de Cidade Jardim. Nesta data histórica da disputa do Grande Prêmio São Paulo, dois craques celebraram juntos à consagração. Head Office, defensor da farda do Stud Aléssio & Naela, criado no Haras Santa Maria de Araras, e treinado por Mário André, alcançou a sua nona vitória nas pistas, na principal prova do turfe paulista. E, no seu dorso, mais uma vez, estava o mais vitorioso jóquei brasileiro de todos os tempos, o carioca Jorge Antônio Ricardo, de 59 anos, torcedor do Botafogo, e recordista mundial, com 13.086 triunfos.
A história do turfe no planeta Terra, durante toda a sua trajetória milenar, foi sempre escrita pela apaixonada parceria entre o homem, e o puro–sangue de corrida. Portanto, nada mais simbólico neste Grande Prêmio São Paulo, desses tempos de pandemia, do que o triunfo dos dois campeões, Head Office e Ricardinho. Desde o primeiro encontro entre eles, nunca foram derrotados. A 13.086ª vitória da carreira de Jorge Ricardo ficará imortalizada para a eternidade. O dia histórico em que Head Office proporcionou ao campeão do mundo o seu terceiro triunfo no GP São Paulo. Os sucessos anteriores foram com Macbeth e Much Better, ambos do Stud TNT. E não pode deixar de ser citado o treinador Mário André, um competente e experiente profissional, que apresentou o craque em forma espetacular.
Na manhã de domingo fiz a cotidiana ligação para Jorge Ricardo dos dias de corrida. Durante cerca de 20 minutos costumamos conversar sobre as corridas, as melhores estratégias e os adversários. Em São Paulo, Ricardinho estava otimista de ganhar pela terceira vez a mais importante prova do turfe local. Do outro lado da linha, ele me surpreendeu com a seguinte frase. " PG, nunca estive tão confiante de vencer uma carreira como esta de hoje à tarde. O cavalo está uma pintura. O Mário André é um grande treinador. Levou o Head Office no colo. O bicho está vendendo saúde, descansado, por não ter corrido a preparatória, e o apronto de quinta–feira foi espetacular. A pista estará seca, a da sua preferência, como a de todo cavalo criado no Haras Santa Maria de Araras", afirmou.
A corrida teve uma surpresa para lá de inesperada. Novo Sol, do Stud My Hero Dad, criado no Stud Eternamente Rio, e apresentado em forma esplendorosa por Márcio Gusso, saiu na frente, montado pelo Bruno Queiroz. Head Office teve que ficar no segundo posto. Jorge Ricardo se aproximou aos poucos. Tinha certa preocupação com George Washington e Olympic Impact, ótimos corredores cariocas. Mas ninguém veio de trás. A decisão da prova transformou–se de forma dramática num mano a mano com Novo Sol. A vitória de Head Office, por pescoço, só aconteceu em cima do disco. Caled, Rasgado de Birigui e Índigo Guerreiro completaram o placar.
A MILHA INTERNACIONAL
Olympic Jhonsnow, de criação e propriedade do Haras Regina, voltou a consagrar o treinador Roberto Solanês, que confirmou o tabu de quase sempre ganhar esta prova, o Grande Prêmio Presidente da República, no eixo Rio/São Paulo. Depois de receber direção principesca de Wilkney Xavier, que entrou na reta final na última posição, o craque da farda rubro–negra dominou sem qualquer resistência os rivais. Capelanda, Raio Luz, Ouro da Serra e Norgaard, completaram o marcador remunerado. Beto Solanês conquistou também mais dois triunfos clássicos na semana festiva do turfe paulista, com Viva La Vida e Olympic Kris.
Por Paulo Gama