GP SÃO PAULO, UMA TRADICIONAL HISTÓRIA DE PAIXÃO
Durante longos anos, o Grande Prêmio São Paulo, a mais importante prova do turfe bandeirante, foi disputado no primeiro domingo de maio. E, no calendário de qualquer turfista que se preze, havia o registro da data em letras garrafais. No mesmo caso, estava o Grande Prêmio Brasil, no primeiro domingo de agosto. De alguns anos para cá, esta tradição foi quebrada muitas vezes. E, agora, mais recentemente, com pandemia e coisa que o valha, tudo pode acontecer. Então, vejo com bons olhos, este próximo dia 16 de maio, domingo que vem. Afinal, ele não ficou tão distante assim, do dia 2 de maio, na verdade o primeiro do mês, e nem do dia 9, dia das mães, o segundo. Agora é torcer que este histórico terceiro domingo de maio de 2021, tenha tempo firme, sol forte, e céu azul de brigadeiro. O campo da maior prova do calendário paulista tem três craques. Head Office, do Stud Aléssio & Naela, George Washington, do Stud Happy Again, e Olympic Impact, do Stud Habeas Corpus. São eles, sem a menor sombra de dúvida, os protagonistas do espetáculo. Mas, corridas são corridas, como diziam os antigos turfistas. E, muitas vezes, as surpresas aparecem.
Por muito tempo, na minha juventude, era aventura obrigatória, anual e cotidiana ir até Cidade Jardim, com a minha galera de Copacabana, para estar presente no hipódromo paulistano no sábado e no domingo mais importantes do calendário turfístico bandeirante. E agora, muitos anos depois, confesso ter perdido este hábito. Questão de comodismo. Entretanto, escrever estas mal traçadas linhas sobre este maravilhoso evento, todo ano, me traz enorme prazer. Nada melhor para um senhor de cabelos grisalhos, do que reviver emoções, vitórias e momentos inesquecíveis, de uma época em que os fios de cabelos ainda estavam pretos. Esta viagem no tempo alegra o coração, com o mesmo impacto imediato de tomar um sorvete. Aliás, caro leitor, lembre–se sempre disso. Se você estiver angustiado, aborrecido ou decepcionado com alguma coisa, tome imediatamente um sorvete. É a receita do árabe Said, um turfista das antigas, sábio e bem resolvido.
A nossa viagem começava na Rodoviária Novo Rio. O ônibus, da viação Cometa, da meia–noite, com chegada em São Paulo, as 6h da manhã. A turma era da pesada. Todos turfistas. Lanny Campos Góes de Lima, o " Lampadinha", Dilmar Filho, o "Banana", Paulo Romero, o" Parrumpa", João Luiz Maciel, que alguns anos depois seria um dos maiores treinadores da Gávea de todos os tempos, Washington Morbeck, o "Kabuck", Albino Pinto Resende, "O homem do Cartório", e o saudoso Mauro de Faria, o "Tocha", jornalista, que foi comentarista das corridas de São Paulo, aqui na TV do Rio. Podem até parecer apelidos de uma quadrilha de traficantes. Mas eu juro que não. Eram todos apenas garotões da Zona Sul, que ocupavam o seu tempo com praia, futebol e de turfe. Pode existir coisa melhor?
Depois do desembarque, a turma se hospedava no Hotel Lux, no centro da cidade. Era o tempo de largar a bagagem e correr para Cidade Jardim. Nos matinais era possível ver craques como Albenzio Barroso, Ivan Quintana e o treinador Selmar Lobo, responsável pelos cavalos do Haras Rosa do Sul. Depois dos matinais voltávamos para o hotel. Um banho rápido, e com ajuda do Albino, do cartório, para apertar a gravata de todo mundo, íamos para o restaurante File do Moraes. Depois daquele suculento bife alto, como se fosse um tornedor, com batatas cozidas gigantes, agrião farto, e molho de manteiga com salsa, a senha era, rumo ao prado. No meio da tarde, a fome apertava. Mas, a saborosa coxa–creme na lanchonete da social resolvia logo o problema. Bons tempos. Tempos de Juvenal Machado da Silva e de Gabriel Meneses. Tempos de Goncinha, com a farda da Fazenda Mondesir. Tempos distantes. Que saudade destas tardes de temperatura fria no prado paulista. Em nossas veias, ainda corriam o sangue quente, e inconsequente, da juventude.
GÁVEA
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – O experiente e consagrado treinador, Dulcino Guignoni, apresentou Oceano Azul, de criação e propriedade do Haras Figueira do Lago, em forma atlética exuberante. A resposta do filho de Forestry e Vejinha, por Choctaw Ridge, foi imediata com triunfo para lá de autoritário no Grande Prêmio Conde de Herzberg, grupo 2. Uma carreira, que a princípio todos os especialistas consideravam equilibrada, transformou–se num vareio do ganhador. Mais uma direção tranquila de Wesley Silva Cardoso.
JOQUEADA DA SEMANA – Carlos Lavor esteve inspirado no dorso da potranca estreante Kimberly, do Stud Pixote, criada no modelar Haras Santa Rita da Serra, e com apresentação impecável de Roberto Morgado Neto. A filha de Hat Trick ficou no fundo do lote logo após a partida. Lavor não se afobou. Deixou que sua conduzida se posicionasse na última posição, sempre junto à cerca interna. As demais concorrentes tentavam acompanhar o ritmo forte de Joia Rara, na primeira colocação. C. Lavor então, depois de fazer a curva redonda, com sua pilotada colada aos paus, percebeu que a ponteira diminuía, enquanto as outras haviam perdido as pernas atrás dela. Fez partida curta e seca, para alcançar a pilotada de Jorge Ricardo nos metros finais. Um primor de direção!
PERSONAGENS – Antes da disputa das nove provas de hoje, terça–feira, no prado carioca, dois profissionais se destacaram entre os demais, nas reuniões de domingo e segunda–feira. O treinador, Dulcino Guignoni, com quatro triunfos, sendo dois na esfera clássica, com Oceano Azul, já citado anteriormente, e também Jamberly, do Stud Embalagem, no GP Francisco Villela de Paula Machado, e mais dois páreos de turma, com Orleans Dancer, do Stud Xeque Mate, e I Love You Again, do Stud Globo. Entre os jóqueis, o veterano Waldomiro Blandi, tem sido destaque absoluto nos tempos de pandemia. Blandi obteve quatro vitórias através de Jamberly, Topete de Birigui, Boa e Famosa e I Love You Again. Técnico, malicioso e versátil, o piloto possui todos os golpes e se aproveita da larga experiência nas pistas nacionais.
MENÇÃO HONROSA – Antônio Queiroz está há muitos anos no mundo do turfe. E hoje em dia, tem o orgulho de presenciar de perto, dentro das raias, a ascensão de seu filho, o líder da estatística, Bruno Queiroz. Ontem à noite, entretanto, ele decidiu brilhar através de sua luz própria. Ganhou duas belas carreiras. Foi enérgico no dorso do favorito e manhoso Moschino, do Stud Mental Favorito, e preparo de Noé Roberto Santos, e deu belíssima joqueada, com La Romana, do Stud Cláudia, e preparo de F. A. Soares, quando surpreendeu o filho, Bruno Queiroz, que estava no dorso de Tamirez, a segunda colocada. Parabéns para você A. Queiroz, o popular, "Mão de ferro", pela paixão e o amor à profissão.
