AS BOAS OPORTUNIDADES NO PERÍODO DE CAOS
O turfe não é diferente do resto da sociedade mundial. Pelo contrário. Ele está inserido nas mazelas, que se abatem contra toda a humanidade neste prolongado período de pandemia. Os indivíduos têm duas opções. A primeira é se abater, baixar a cabeça e entregar os pontos. A outra é ficar indignado, lutar feito um louco e aproveitar as chances oriundas do caos. Os inúmeros testes positivos de Covid, que tiraram de combate alguns dos principais pilotos em atividade no turfe carioca, abriram espaço para que alguns jóqueis menos agraciados com boas montarias, as tivessem nas mãos, da noite para o dia. A turma da letra "W", Waldomiro Blandi, Wesley Silva Cardoso e Wilkley Xavier, reagiu de forma positiva, e juntos, em apenas duas reuniões, ganharam 13 páreos. Valdinei Gil, não tem a letra "W" ao seu lado, mas com o seu V de vitória, tem aproveitado a brecha para sair do ostracismo e voltar ao seu devido lugar. E o resto da tropa? É hora de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Daqui a pouco, depois de 14 dias de quarentena, a turma da pesada deve testar negativo. Eles vão voltar babando em busca de montar os melhores cavalos. Hoje é dia de assinatura de montarias. Portanto rapaziada, mãos à obra!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O treinador Leopoldo José Cury, mais uma vez, comprovou seu talento, regularidade e experiência, na apresentação de Jackson Story, do Stud Sempre Por Um Triz, ganhador em estilo inquestionável, da Prova Especial Daião, páreo mais importante da semana, no Hipódromo da Gávea. Leo é um daqueles profissionais respeitados por todos. Em primeiro lugar, por sua competência na arte de cuidar de puros–sangues de corrida. E, além disso, pelo trato fino, respeitoso e sempre educado, com os colegas de trabalho, os demais profissionais, jóqueis e cavalariços, e também a turma da Imprensa, e os agentes de montaria, estes últimos nos quais me incluo. O cavalo estava uma pintura no cânter e confirmou o seu estado atlético na corrida. Carlos Lavor, em fase difícil, com poucos sucessos, obteve a reabilitação através de um dos treinadores que mais lhe proporcionou vitórias durante a carreira.
JOQUEADA DA SEMANA
Wesley Silva Cardoso, a exemplo dos colegas cujos nomes começam com a letra W, Waldomiro Blandi e Wilkley Xavier, também teve semana inspirada no prado carioca. No sábado esteve impecável no dorso de Caribbean, do Stud Best Friends, e preparo de Ildefonso Coelho Souza, no triunfo numa prova de Pesos Especiais. E ontem à noite, no último páreo, deu aula de direção no dorso de Happy Rich, do Stud Valentin & Jarussi, e treinamento de W. J. Silva. Foram duas direções de cinema do piloto, que tem sabido aproveitar as boas oportunidades das atuais circunstâncias.
PERSONAGEM
Victória Mota reapareceu recuperada de fratura na clavícula em bom estado atlético, confiante e sem qualquer tipo de receio, o que as vezes acontece depois de quedas graves. Trata–se de uma ótima joqueta, com qualidades inquestionáveis, tais como, atenção na largada, tocada ritmada, posição perfeita no dorso dos animais, e aquela tranquilidade herdada do pai, o extraordinário Alex Mota. Porém, ela sofre de um problema difícil de superar em nossa sociedade, o preconceito. Ser mulher, num ambiente machista, é quase um pecado mortal. Tive a oportunidade de trabalhar como o seu agente de montarias há cinco anos, quando ela estreava na profissão. Durante a temporada, juntos, totalizamos 108 vitórias. Com todos os aprendizes fora de combate, por causa dos testes positivos para Covid 19, me parece um absurdo ela montar tão pouco. Ontem à noite, Victória teve apenas três oportunidades e ganhou dois páreos, com Lanvin, e Jukes, este com rateio astronômico, de 18,9 por 1. Atenção, amigos proprietários e treinadores, vocês estão comendo barriga. Ter uma joqueta disponível, com cinco anos de experiência, mais dois quilos de descarga, e não aproveitar devido a um preconceito bobo. É piada de salão. Injustificável!
UMA MÁQUINA CHAMADA TAKASHI
Que privilégio para o verdadeiro turfista ver Takashi, do Stud Forza 3, atuar na raia de areia do Hipódromo de Cidade Jardim. Esta semana, mais uma vez, na Prova Especial Tiradentes, em 1.100 metros, na areia, com preparo de A. F. Correia e condução de M. Ribeiro, ele deu um passeio na marca de 1m03s415. O décimo–terceiro galope de saúde de sua campanha no prado bandeirante para alegria dos seus fãs, encantados com a sua fúria para correr.
FRANCISCO CHAVES
O acidente doméstico que provocou graves queimaduras no bridão Francisco Chaves foi lamentável sob todos os aspectos. Este tipo de desastre é ruim em qualquer momento de nossas vidas. Porém, este, particularmente, ocorreu numa fase magnífica do profissional. Chaves estava somando vitórias consecutivas e tendo oportunidades de atuar para cocheiras em que nem sempre tinha chances. Trata–se de um nordestino valente, de temperamento afável, bem–humorado e bom colega. Vamos torcer para que ele se recupere logo.
