TREINADOR DANIEL NETTO VAI DEIXAR SAUDADE
Em 1985, num lote de fortes competidores, Justo Jansen, de propriedade do Stud Neocal, e conduzido por Audálio Machado Filho, ganhou em belo estilo o Grande Prêmio Major Suckow. Naquele instante, o treinador Daniel Netto, marcava o gol de placa de sua carreira profissional. Eram tempos gloriosos no turfe carioca. Daniel havia chegado em segundo lugar na estatística, de 1984, derrotado por Alcides Morales, responsável pelos craques do Haras Santa Ana do Rio Grande. Em 1986, voltou a ser o segundo colocado, superado de novo por "Seu" Alcides. Foi com enorme tristeza que soube de sua morte esta semana. Daniel, pai do nosso conhecido César Gustavo Netto, o Gugu, e também de Danielle, Giselle e Gabriela, era um vascaíno de quatro costados. Simpático, sorridente, sensível e dono de enorme carisma.
Durante a minha trajetória turfística, desde o início de carreira, no Jornal do Brasil, bati longos e agradáveis papos com o D. Netto sobre futebol, turfe, e, também, sobre a vida. Esta vida, que lamentavelmente, ele perdeu agora. Para nós fica a imagem do ótimo pai, avô e chefe de família. Daniel Netto foi da turma de aprendizes da escolinha em 1958, por coincidência, o ano em que nasci. Montou para os Haras São José e Expedictus, tendo sido segunda monta de M. Silva, o popular "Bequinho". D. Netto era um piloto sempre regular, daqueles que não jogava barbada fora, num período de grandes estrelas da companhia. Porém, na carreira de treinador, ele conseguiu sobressair muito mais. Era arrojado nas inscrições, regular nos resultados e tinha muita fé no próprio taco. Quem não se lembra do Keefer, que em 29 dias atuou seis vezes, e somou cinco vitórias e um segundo lugar? E do velocista Justo Jansen, que aprontou na véspera da corrida, como fazem os argentinos, e Daniel foi chamado de louco por muitos? Porém, ele riu por último, e riu melhor, ao vencer o páreo de velocidade mais importante do país, o GP Major Suckow.
Nem posso imaginar o tamanho da tristeza do Gugu, o César Gustavo Netto. Ele e o pai eram com unha e carne. Companheiros inseparáveis na raia, na sala da Repesagem, as segundas–feiras, para juntos fazerem as inscrições dos seus cavalos. Discutiam, brigavam, discordavam, mas nunca se desgrudavam. Era um amor profundo, entre pai e filho, de fazer inveja. Triste o momento em que vivemos. Desoladora a situação por que passamos. Lamentável, para quem frequenta os matinais da Gávea, ficar sem a presença alegre, irrequieta e carismática do Daniel Neto. Um pequeno grande homem que se foi. Meus sinceros sentimentos a família.
RICARDINHO EM SÃO PAULO
O recordista mundial de vitórias, Jorge Ricardo, tem presença confirmada nas duas reuniões de oito páreos, formadas pela Comissão de Corridas do Jockey Club de São Paulo, no próximo sábado e domingo, no Hipódromo de Cidade Jardim. Desde o seu retorno da Argentina, em setembro de 2020, Ricardinho já somou alguns triunfos na esfera clássica por lá, sendo três com Head Office, dois com Homer Screen, ambos do Stud Alessio & Naela, e um com Funny do Jaguaretê, do Stud Jaguaretê, além de outras vitórias em páreos de turma.
NA ARGENTINA
Francisco Leandro continua na liderança da estatística geral de jóqueis do turfe argentino. Ontem à tarde, no Hipódromo de Palermo, em Buenos Aires, o brasileiro somou mais um ponto no dorso de Cheburek, do Stud Três Palmeiras, e preparo de Ricardo Alberto Cardon. Hoje à tarde, em La Plata, serão disputadas 14 carreiras.
LUÍS SAEZ
Na Dubai World Cup, disputada no Hipódromo de Meyden, com bolsa de U$ 12 milhões, o excelente piloto Luís Saez, conduzindo Mystic Guide, da Godolphin, obteve a sua primeira vitória na prova. Jóquei de ótimas qualidades técnicas, e que prefere correr os seus conduzidos perto dos ponteiros, Saez colocou o ganhador logo em corrida, a maior parte do percurso na terceira posição. Entrou na reta dominando a prova e ganhou com absoluta autoridade.
IRAD ORTIZ
Liberado da suspensão, por ter agredido o colega Paco Lopez, o craque Irad Ortiz Jr. voltou a atuar esta semana nos hipódromos americanos. O jóquei porto–riquenho possui enorme fã clube entre os turfistas brasileiros que acompanham o simulcasting internacional nos agentes credenciados, televisão ou internet. Dono de percurso milimétrico, com raro cálculo de corrida e extremo rigor, Irad encanta os aficionados com seu talento e genialidade.
