ANO NOVO VEM POR AÍ COM ANTIGOS PROBLEMAS
Caros turfistas. Nós estamos a poucos passos de 2021. Com certeza, 2020 vai embora sem deixar saudade. As dificuldades foram muitas devido a pandemia. Este caos instaurado em todo o planeta também causou muitos problemas para a indústria do cavalo de corrida do Brasil. Não poderia ser diferente. Os clubes hípicos sobreviveram a duras penas. Para isso foi preciso muito esforço, dedicação e jogo de cintura. Apesar de tudo, os principais páreos do calendário foram realizados, com adiamentos e percalços, mas foram disputadas todas as provas importantes. Agora, se tudo correr bem, teremos a vacina. E com ela, a possibilidade de seguir em frente. Não posso me aprofundar nos problemas dos clubes coirmãos do Jockey Club Brasileiro. Não me considero com conhecimento de causa suficiente. Posso falar do Rio de Janeiro. Aqui, eu respiro turfe por 24 horas do dia. Estou otimista.
Começou bem a diretoria do presidente Raul Lima Neto. No ritmo certo. Não adianta correr demais. A minha avó Zuleida sempre dizia: "Apressado come cru". Por outro lado, não podemos nos movimentar com passos de tartaruga. A fábula do triunfo dela sobre o coelho não funciona no turfe, com os cavalos que correm a mais de 60km por hora. Um clube hípico precisa ser esculpido e moldado por pessoas que tem paixão pelo esporte. Raulzinho escalou gente que ama o turfe. Os desentendimentos momentâneos vão acontecer. As opiniões, em alguns casos, serão divergentes. Porém, os erros e acertos precisam ter o objetivo comum de superar as enormes dificuldades financeiras e tocar o barco para frente. As arestas nos embates políticos devem ser aparadas com rapidez. Afinal, não há tempo a perder. Os proprietários sonham com o aumento das dotações das provas. A relação entre o trato mensal dos cavalos e as despesas com eles continua desigual. Mas a nova diretoria tem tido boas ideias. A bonificação do Pick 7 alavancou o Movimento Gerald e Apostas (MGA) do Hipódromo da Gávea. Foi um gol de placa!
O próximo passo precisa ser cuidar das raias cariocas. A pista de areia continua a dar vantagem para os animais ligeiros, que chegam primeiro na cerca interna. Talvez fosse possível consultar a turma do Hipódromo de Maroñas. A raia de areia de lá é um brinco. Toda por igual. E o Raulzinho já teve alguns dos seus puros–sangues atuando por lá. A raia de grama também tem apresentado problemas ao ser retirada a cerca móvel. O terreno ruim, por dentro, dificulta a performance dos puros–sangues. E os jóqueis procuram a raia pelo centro da pista e por fora. As provas de Grupo 1 se aproximam. Diferentemente dos páreos de turma na areia, não podem vir a ser decididos por vantagens em determinados trechos da raia. Isto seria um absurdo. Uma vergonha!
Precisamos voltar a ser fortes na mídia. Nossos melhores páreos devem ser melhor divulgados nos meios de comunicação de massa. Temos um recordista mundial anônimo entre nós. Só os turfistas sabem que Jorge Ricardo voltou da Argentina desde setembro. Quem é capaz de citar um único esporte em que um recordista mundial não é utilizado diariamente como garoto–propaganda? Só o turfe carioca e brasileiro se dá a este luxo. A própria internet pode ajudar no aproveitamento de sua imagem. Um cara de quase 60 anos, aos trancos e barrancos em disputa com garotos de 20 anos. Este fato é manchete em qualquer esporte que venha de imediato na cabeça do caro leitor. Em nosso caso, ao contrário. Existem uns sujeitos mal resolvidos a tentar denegrir a imagem do nosso maior herói. E a diretoria do JCB não se mexe. Não sai em socorro do maior ídolo do esporte. Façam–me o favor! Imaginem a farra que a turma do futebol faria na mídia se o Neymar tivesse o comportamento pessoal e profissional do Ricardinho? Façam um exercício hipotético. Tirem as suas próprias conclusões.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Luís Esteves continua a dar as cartas no turfe carioca. Original Cash, do Stud Red Rafa, reapareceu nas pistas dando um show de poderio locomotor. Conduzida por Will Xavier deu um tremendo vareio da parceirada na marca de 1m25s40 para os 1.400 metros, na areia. Sensacional o rateio! Menção honrosa para Jaime Moniz Aragão com a New Prada, do Stud Everest, na sua expressiva vitória, com marca de 1m04s85 para os 1.100 metros, na areia. Corre demais!
JOQUEADA DA SEMANA
O nordestino Francisco Chaves volta a nossa coluna pela segunda semana consecutiva. No dorso de The Tea, do Stud Sion, e preparo do craque Álvaro Castilho, ele deu a melhor direção da semana. Com a raia dando vantagem por dentro, Chaves soube aproveitar cada centímetro do percurso. Ficou atrás, junto aos paus, e progrediu aos poucos com o seu pilotado. Na reta final soube esperar com calma a brecha e atropelou corajosamente, numa passagem mínima, para vencer bela carreira. Está na melhor fase de sua carreira. Porém recebe poucas oportunidades.
PERSONAGEM
O aprendiz Victor Espíndola é mais uma joia da Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro. Revelado por Luiz Duarte, que o viu montar nas canchas retas de Mato Grosso do Sul, o garoto teve semana espetacular. Somou cinco triunfos, onde demonstrou talento, personalidade e técnica. Parabéns ao professor, Marcelo Cardoso, pelo excelente trabalho realizado, com sua equipe, no setor mais bem–sucedido do JCB. Antônio Henrique Morgado é ótimo agente de montarias.
MGA EM ALTA
Numa semana de páreos na pista de areia e sem maiores atrativos, o Movimento Geral de Apostas da Gávea foi ótimo devido ao incentivo da bonificação do Pick 7. No sábado, com nove páreos, foi arrecadada a quantia de R4 763.180,15. E, na segunda–feira, com apenas oito provas, foram faturados pelos cofres do JCB R$ 749.589,73. Bons ventos parecem soprar para 2021. Feliz Ano Novo!
