PANORAMA DO 1º SEMESTRE DO ANO HÍPICO NO RIO
No próximo sábado, dia 26 de dezembro, e na segunda–feira, dia 28, serão disputadas as últimas reuniões do 1º semestre do atual ano hípico, 2020/2021. A pandemia, batizada de Covid 19, prejudicou a tudo e a todos mundo afora. No turfe carioca, não poderia ser diferente. De uma maneira geral lutamos bravamente. Mas nem sempre é possível exorcizar tantos fantasmas. Despesa alta para pagar o trato dos cavalos causou algumas importantes desistências entre os proprietários de puros–sangues. Na realidade, os prêmios estão muito baixos. Meu respeito e consideração por aqueles que jogaram a toalha. Ficou difícil ter cavalos de corrida e, ao mesmo tempo, encarar tantos obstáculos do dia a dia nos empreendimentos, negócios e gastos pessoais. Alguns, porém, continuam no pano. São abnegados, apaixonados e, graças a Deus, existem os endinheirados. Eles só precisam se cuidar com o vírus. Afinal, os cofres estarão para sempre abarrotados até a eternidade.
Pimper’s Paradise, do Haras Doce Vale, se consagrou de forma definitiva ao vencer o adiado Grande Prêmio Brasil. Venâncio Nahid é um craque na arte de treinar cavalos. Alexandre Correia, na melhor fase de sua carreira, mudou de patamar na profissão. Agora está entre os melhores. Luís Esteves segue reinando absoluto na esfera clássica, com o melhor plantel de corredores do Brasil. Na estatística tem de enfrentar um osso duro de roer. O treinador Leonardo Reis, que conhece a tabela de chamada dos páreos da Gávea como ninguém. Tem intimidade com ela. E faz inscrições pontuais, astutas e objetivas. Aprendeu muita coisa com o saudoso Mário CT de Souza. Os dois devem brigar até o fim pela estatística. Na eleição para a presidência do Jockey Club Brasileiro Raul Lima Neto foi o ganhador. Inteligente, pragmático e empreendedor deve conduzir o clube com a mesma eficiência do seu sucesso como empresário na vida particular. A bonificação do Pick 7 foi um gol de placa neste início de mandato. Sacudiu as estruturas do turfe carioca.
JORGE RICARDO
E houve a volta de Jorge Ricardo, o recordista mundial de vitórias, 13.042 páreos conquistados, em mais de 40 anos de profissão. Com ele voltam antigas polêmicas. Como nos tempos em que era mais novo, e por 24 anos, ganhou todas as estatísticas cariocas. Alguns diziam: "Ele é jóquei de páreos comuns. Bom mesmo é o Juvenal, Goncinha, Gabriel Meneses, Ivan Quintana, Albênzio Barroso, etc.". E os seus fãs, fiéis seguidores, respondiam. "Mas ninguém faz tantos gols quanto ele. Ele nasceu para ganhar corridas", retrucavam. Todos estavam certos. O único engano foi dizer que ele só ganhava páreos comuns. Hoje o seu currículo nobre é incomparável na América do Sul. Os jóqueis citados eram excepcionais. Inteligentes, intuitivos, técnicos e craques na acepção da palavra. Mas um atleta completo não se faz só com determinadas qualidades técnicas. Ele precisa possuir um conjunto de fatores pessoais que o levam a longevidade e ao topo do mundo.
Jorge Ricardo é um monstro sagrado das rédeas por que nenhum outro colega foi capaz de amar a profissão como ele. Nenhum outro rival encontrado pelo caminho conseguiu abdicar da convivência com a família, dos prazeres da vida, e da oportunidade de usufruir da independência financeira, em prol de continuar a fazer o que ama. Ricardinho está com 59 anos. Mas continuamos a chama–lo de Ricardinho. Até o último dia em que estivar no dorso de um cavalo ele será sempre Ricardinho. Sabem porquê? O corte de cabelo é o mesmo, o peso não aumentou com a idade, o preparo físico lhe permite estar todo dia no hipódromo para trabalhar, e a paixão pelo que faz só aumenta com o passar dos anos.
Jorge Antônio Ricardo merece respeito e admiração de todos os turfistas brasileiros. Façam–me o favor! Existe algum jóquei capaz de montar até esta idade com este aproveitamento no meio de tantos garotos em luta por um lugar ao sol? Todos os contemporâneos da sua geração já pararam de montar há muito tempo. E se você quer mesmo ser feliz nas corridas, te dou um conselho. Não fique no clube dos espíritos de porco. Daqueles que sempre torcem contra as unanimidades. Eles sofrem demais nesta vida. Experimente entrar no time dos fãs da "Máquina de Vitórias". Você vai ser feliz no turfe como jamais imaginou em sua vida. E sentirá o doce sabor de voltar sempre feliz para casa depois das corridas.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Luís Esteves trouxe I’m Stronger, do Haras Santa Rita da Serra, de longa ausência das pistas em grande forma. Com 30 quilos a mais, depois de quase um ano parada, a craque fez cânter maravilhoso e massacrou as adversárias. A filha de Midshipman tinha bons treinos no CT Vale do Marmelo e os confirmou inteiramente na corrida. Jorge Ricardo teve pouco trabalho em seu dorso. Em breve deverá estar de volta a esfera clássica.
JOQUEADA DA SEMANA
Francisco Chaves deu direção brilhante, arrojada e corajosa em Delaware Deal, do Stud Golden Horses, e treinamento do competente José Luís Pedrosa Júnior. Largou bem, e deixou o seu conduzido junto à cerca interna. Ao perceber o ritmo forte dos rivais, ficou tranquilo e esperou que diminuíssem a aceleração para fazer partida curta e seca. Nos 400 metros finais arrancou por fora e fez correr para obter belo triunfo. Menção honrosa para a joqueta Victória Mota com Heraclito, do Stud B L, em mais uma apresentação de luxo da dupla Daniel Netto e, seu filho, César Gustavo Neto. A menina ostenta forma física excepcional e tem dado show.
PERSONAGEM DA SEMANA
Venâncio Nahid apresentou três ganhadores na reunião de domingo à tarde no hipódromo carioca. New Emperor, do Stud Love, do nosso amigo Helinho Magro, aos 7 anos só da alegria ao proprietário. Fez 54s85 para o quilômetro na grama esbanjando preparo atlético contra os mais novos. Ribboninthesky e Rosebud, ambos do Haras Doce Vale, fizeram dois belos galopes de apresentação e confirmaram as esperanças de Venâncio com belos triunfos. Um craque da profissão.
