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Dezembro | 2020

Páreo Corrido, por Paulo Gama
01/12/2020 - 10h24min

VIAGEM NO TEMPO COM A FARDA DA FAZENDA MONDESIR

Ontem à noite, o triunfo de ponta a ponta, de Zarabatana, filha de Agnes Gold e Piemonte, por Wild Event, de criação e propriedade da Fazenda Mondesir, montada pelo recordista mundial, Jorge Ricardo, e treinada por Luís Esteves, transportou os turfistas presentes ao prado carioca numa apaixonante viagem no tempo. E que bons tempos eram esses! Saudosista assumido, como sou, lembrei–me do majestoso Apollon, animal de porte avantajado, mas que corria com a leveza dos grandes craques. Impossível não reviver os saudosos tempos do turfe brasileiro ao avistar a bela farda branca, com mangas azuis e boné encarnado no galope de apresentação. Durante anos, envergada por Gonçalino Feijó de Almeida, eternamente Goncinha, ela se fez representar nas conquistas Sunset, brilhante ganhador do Grande Prêmio Brasil de 1978. Ou ainda, as inesquecíveis vitórias de Bretagne e Cisplatine, ganhadoras do Grande Prêmio São Paulo, sem dar a menor bola para os machos.

Eram tempos gloriosos, com o Hipódromo da Gávea lotado, nas tardes de domingo. Tomara, que dos Estados Unidos, pela internet, Goncinha tenha visto o páreo. Na foto da vitória, perguntei ao PC por Antônio Joaquim Peixoto de Castro, o querido Totão, com certeza ligado na televisão revivendo a inexorável paixão da família pelo cavalo de corrida. Ele está bem, respeitando a quarentena. E como a família Peixoto de Castro ajudou a escrever a história do turfe no Brasil. Na criação, no investimento e no intransferível amor pelo esporte. Por alguns segundos, sem dúvida, vários turfistas, nos credenciados, em casa, ou na modernidade virtual, reviveram algum dia inesquecível, em que vibrou com um craque da Fazenda Mondesir. Por 1m37s, Zarabatana nos proporcionou a alegria de poder reviver aqueles tempos tão preciosos em que éramos tão felizes e não sabíamos.  A Fazenda Mondesir sempre refletiu em sua trajetória o turfe raiz. Um turfe respeitoso, limpo, educado, vibrante e, acima de tudo, elegante. Parabéns ao clã Peixoto de Castro por fazer tanta gente feliz com os seus grandes campeões.

GP PARANÁ

Nas pistas, esta semana, a maior atração é a festa máxima do turfe paranaense. O Grande Prêmio Paraná, reunirá, no Hipódromo do Tarumã, delegações de vários estados do país. Os campos das principais provas clássicas possuem corredores de qualidade, tanto do eixo, Rio de Janeiro–São Paulo, como do próprio Paraná e do Rio Grande do Sul. A inauguração da raia de grama é outro destaque da festa do turfe no estado. Os tempos difíceis de pandemia, com certeza dificultarão a organização do evento, a exemplo do que já aconteceu na Gávea, por ocasião do GP Brasil, em Cidade Jardim, no GP São Paulo, e no Cristal, no Bento Gonçalves. Porém, o mais importante, e o que sempre prevalece, é a paixão do turfista pelo esporte.

GÁVEA

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Heraclito, defensor do Stud BL, ao fazer o cânter de apresentação ao público carioca, parecia dizer "podem jogar que eu sou barbada". Inscrição do veterano treinador, Daniel Netto, com supervisão deste profissional de mão cheia, que é o seu filho, César Gustavo Netto, com matrícula de jóquei e de treinador, ele cumpriu encantadora exibição na raia carioca. Montado por esta boa joqueta, Victória Mota, incansável na luta contra as poucas oportunidades, Heraclito largou, tomou a ponta e não tomou conhecimento dos adversários. Profissional sério, competente, conhecedor profundo da tabela com a chamada dos páreos, de filiação, e perfeccionista, "Gugu", a exemplo do que acontece com a Victória, sofre a mesma inexplicável falta de chances na profissão de treinador. Porém, como dizia o saudoso, João Luiz Maciel. "No turfe, a resposta sempre deve ser dada na raia. É lá que se mostra quem é quem".

JOQUEADA DA SEMANA

Em duas oportunidades, o experiente Waldomiro Blandi, demonstrou toda a sua competência no dorso de um cavalo de corrida. No domingo, o "Manivela", esteve sereno e eficiente no dorso de Mateiro, de José Ribamar Castelo Branco Caldeira, e preparo perfeito de Marcos Aurélio. Largada esfuziante e calma para deixar os mais insensatos correrem na frente num ritmo suicida. E ontem, com Natureza Divina, apresentação do campeão, Leonardo Reis, deu aula de cálculo de corrida e rigor no momento certo de decidir a carreira. Nota 10.

PERSONAGEM 

Roberto Solanês apresenta bem os seus pensionistas em qualquer distância. Porém, ele mesmo deve reconhecer, o quanto ele se sente à vontade para preparar cavalos para correr 1.600 metros. Olympic Jhonsnow, do Haras Regina, brilhou na grama leve do prado carioca, por ocasião da disputa do Grande Prêmio Gervásio Seabra. Acompanhou a puro galope o ritmo da competição e, acionado pelo bridão W. Xavier passou como um bólido por seus concorrentes. Roberto Solanês é o "rei da milha", no turfe nacional.

CERCA MÓVEL

Na semana passada, as corridas no turfe carioca foram todas realizadas na pista de areia devido às fortes chuvas, que elevaram a medida do penetrômetro. Tudo certo, sem discussão. Porém, a colocação da cerca móvel de 9 metros esta semana, quando a estiagem foi divulgada em prosa e verso pela meteorologia, foi uma falha técnica injustificável, depois de da semana anterior em que a grama foi poupada. A presença da cerca móvel deve ser um recurso para preservar a raia, em determinadas circunstâncias, e não um instrumento para interferir diretamente no resultado das corridas. Bola fora...

SEM GRAMA NÃO VAI DAR

A Secretaria da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro deve ficar atenta a impossibilidade de formar programações com a chamada de páreos apenas para a pista de areia. Duas opções. Ou chamam uns 10 páreos suplementares na grama, ou fazem outra chamada, no lugar da anterior, prevista com páreos apenas na areia. A população de cavalos de areia desapareceu. Basta ver que esta semana tivemos apenas três, dos 25 programados, neste terreno. Olho vivo!



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