O Jockey Club Brasileiro, no próximo domingo, faz justa homenagem a um dos melhores treinadores do turfe nacional de todos os tempos. A Prova Especial Alcides Morales, para potros da nova geração, em 1.500 metros, na grama, traz inesquecíveis lembranças aos turfistas, que acompanharam as corridas de cavalos nas décadas de 70, 80 e 90. Naqueles tempos, o popular "Parrudo", desfilou toda a sua categoria na arte de preparar os puros–sangues, sobretudo, os de propriedade do Haras Santa Ana do Rio Grande, de José Carlos Fragoso Pires. Entre tantas vitórias consagradoras, Alcides Morales, sempre acompanhado do seu inseparável cachimbo, escreveu o seu nome na história do Grande Prêmio Brasil, em duas oportunidades. Coincidentemente, com dois tordilhos. Anilité, em 1984, e Bowling, em 1987.
Adail Oliveira brilhou no dorso de Anilité, num dos mais atribulados percursos na história da maior prova do turfe brasileiro. Vários prejuízos aconteceram na reta final, quase todos causados pelo concorrente Old Master, o favorito, montado por Francisco Pereira Filho. Frio e calculista, Adail percebeu a possibilidades de haver problemas com antecedência. Portanto, preferiu evitá–los e posicionar a pensionista de Alcides Morales no fundo do lote. Enquanto os competidores a sua frente se chocavam durante a reta final, ele, por fora de todos, fez partida curta de 400 metros, no dorso da campeã. Dominou o páreo sem luta, nos metros decisivos da carreira, no único instante em que sua presença foi percebida pelos rivais. Uma bela joqueada!
Em 1987, com Bowling, outro craque da coudelaria de Fragoso Pires, Juvenal Machado da Silva brindou o público que lotou as dependências do prado carioca, com um show inesquecível. Em 1986, Bowling, montado por Jorge Ricardo, havia perdido por cabeça para Grimaldi, conduzido pelo próprio Juvenal. No ano seguinte, Ricardinho, contratado do stud, optou por montar Bat Masterson. Bowling então, teve a sua forra, e sobrou para Juvenal. O alagoano posicionou o tordilho na última posição. Aproximou–se aos poucos, e nos 300 metros decisivos fez partida curta e seca para vencer o seu quarto GP Brasil de sua carreira. Já tinha conquistado a prova anteriormente com Aporé, Gourmet e Grimaldi. Em 1990, chegaria ao quinto triunfo no páreo e até hoje é o piloto mais ganhador da competição.
Por Paulo Gama