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Julho | 2020

Páreo Corrido, por Paulo Gama
21/07/2020 - 10h11min

TURFE JÁ RESPIRA A ERA DO NOVO NORMAL

A abertura dos portões ao público turfista nos hipódromos não modificou de maneira significativa o cenário do turfe. Na verdade, estes meses de pandemia parecem ter acostumado a maioria dos turfistas a trocar a presença nos prados pelo conforto e a segurança de suas casas. No sofá da sala, ou na intimidade do próprio quarto, existe a privacidade e o custo zero. Custo zero de alimentação, além de ser mais saudável e aconchegante. Custo zero no transporte, e ainda a possibilidade de driblar a contaminação no metrô, ônibus, carros de aplicativo ou táxi. Apesar do expressivo número de turfistas de faixa etária elevada, até mesmo os conservadores têm dado preferência a começar a adaptação ao "novo normal", expressão mais popular no ambiente social, quando alguém se refere ao futuro da humanidade.

Este "novo normal" é sinônimo de apostar nos cavalos pela internet ou tele turfe. Acompanhar os páreos pelos sites ou numa TV HD, em alta definição. Trocar ideia com os amigos turfistas por vídeo conferência. E com isso, gastar menos, evitar aglomerações e desnortear o Corona Vírus. Durante dois meses, o turfe acompanhou a sociedade e sofreu os efeitos funestos da crise sanitária na economia e nas finanças. Em São Paulo, um pouco menos, por que eles deram corridas, no peito e na raça. No Rio de Janeiro, a opção foi mais cautelosa. As corridas foram suspensas. Nos outros clubes hípicos, também. Depois de algum tempo houve a chamada flexibilização. Palavra chave no "novo normal".

Os proprietários cariocas corriam os seus cavalos em Cidade Jardim para buscar socorro nos gastos. Agora, voltaram para casa. Neste espaço de tempo, alguns treinadores do Rio, Luiz Arthur Fernandes Filho, Bruno Alexandre e, mais recentemente Daniel Lopes, tiraram matrícula por lá. Com o retorno das corridas ficou estabelecido o limite de dois programas, de nove páreos por semana. Ou seja, praticamente a metade de provas, antes da pandemia, que eram 34 ou 35, divididos em quatro programas. O GP Cruzeiro do Sul, o Derby, foi disputado pela primeira vez na história de portões fechados, sem a presença de criadores e proprietários dos concorrentes inscritos na prova.

Neste domingo, pela primeira vez, a Tribuna Social da Gávea foi liberada ao público, com protocolo de segurança cuidadoso. Pela TV, pode–se ver alguns gatos–pingados no hipódromo carioca. Os jovens turfistas, público menor no turfe, prefere o mundo digital. Eles acompanham as corridas pelos celulares, sem ter que ficar, no intervalo entre um páreo e outro, desconectado dos amigos, dos grupos da internet e dos jogos de futebol. Segundo eles, dá para fazer um monte de coisas ao mesmo tempo. E tudo em alto giro de velocidade. Não sei quantos mega para lá, ou para cá. Os mais velhos tentam se aproximar da juventude como podem. Não querem perder o ultimo trem para Berlim e ficar para trás. Sábia decisão.

E, além de tudo isso, as finanças estão reagindo. Na volta das corridas aqui na Gávea, o Movimento Geral de Apostas da primeira semana foi de R$ 430 mil. No último domingo tivemos MGA de R$ 779.73,82, o maior depois da flexibilização. E ontem, segunda–feira, R$ 733.337,08. Nada mal. Ambos superiores à média anterior, antes da chagada do vírus mortal. A sequência da história, talvez com um MGA de R$ 800 mil, ou mais, irá comprovar que pulamos esta fogueira. Um chato deve estar perguntado: "E se vier uma nova onda? ". Meu amigo, agora a gente já sabe o que tem de fazer. É só cada um assumir o seu papel no "novo normal", decorar bem o script e vamos que vamos!

GÁVEA

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Genou, do Stud Vale do Paraíso, passou lindo no cânter, e confirmou o seu favoritismo com enorme facilidade. O campeão da estatística, Leonardo José Reis, segue em fase magnífica neste início de ano hípico e, tem deixado a impressão, que pode bisar o feito da temporada passada. Além dos cavalos estarem sempre bem apresentados, Leo tem sido bem astuto nas inscrições. Procura os melhores páreos e até comete algumas ousadias, como colocar o potro João da Jandinha, do Stud J. Lírio Aguiar num Grupo III, GP Sandpit, e faturar colocação clássica na terceira atuação do seu pupilo. Confiança é tudo na vida.

JOQUEADA DA SEMANA – É verdade que Garrucha Lerap, do Haras Niju, foi inscrita em páreo camarada pelo treinador Luís Esteves. O público apostador percebeu logo e ela foi bastante apostada. Porém, depois de atuar em distâncias maiores, era uma corrida perigosa, que não permitia erros por parte do piloto. Acedenir Gulart cumpriu a sua missão com seriedade. Percurso limpo e decidiu a carreira no momento certo. É um jóquei eficiente, mas que monta pouco, devido a luta diária contra a balança. Assina muitas montarias com pouca chance e perde outras melhores por causa da escala de peso. Quando recebe boa oportunidade como esta, Gulart não brinca em serviço.

PERSONAGENS – Luís Esteves formou ponta e dupla no Grande Prêmio Sandpit, Grupo III, em 1.000 metros, na grama. A ganhadora, Penélope Charming, do Haras do Morro, estava muito bonita. Nice Lady, do Stud Happy Again, a segunda colocada, também. O treinador, de quebra, ainda faturou mais dois páreos de turma, na mesma programação, com Garrucha Lerap, do Haras Niju, e Mais Que Nada, do Stud Eternamente Rio. Resultado é algo impossível de contestar. E isto, ele tem de sobra. O aprendiz V. Espíndola, na segunda–feira, ganhou quatro, dos nove páreos disputados. Desponta como mais um grande valor da Escolinha de Aprendizes do JCB.

CRISTAL – Um dos páreos mais bonitos da semana foi disputado no Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre. No Clássico Tribunal Federal da 4ª Região, em 1.800 metros, na areia encharcada, Gata Do Meyer, de criação do Haras Anderson, e propriedade de Alberto Triollet Miorim, a ganhadora, fez duelo eletrizante, com Sabbra, e levou a melhor nos metros finais. De tirar o fôlego. Boa apresentação de A. L. Andrade, 2º gerente, e direção impecável deste bom jóquei Claudinei Farias.

CIDADE JARDIM – Das duas reuniões de São Paulo, quinta–feira e sábado, ambas bem equilibradas, decidi destacar dois páreos, ambos na sabatina. O tordilho North Face, criado no Haras Phillipson, e de propriedade de Antônio César Monteiro, ganhou uma das provas mais parelhas da programação, em 1.900 metros, na areia, devido a direção para lá de correta desta ótima joqueta que é Jeane Alves. Apresentação perfeita do bom treinador, G. J. Santos. Mais tarde, Lord Trick, do Haras Springfield, recebeu direção fria e precisa de Michel Platini, que soube aproveitar a inscrição correta e o preparo sempre eficiente de Antenor Menegolo Neto.

SARATOGA – São tantas estrelas das rédeas se apresentando em Nova York, que fica difícil falar do desempenho individuas de todas. Fiquei com o craque Javier Castellano, em duas oportunidades exibiu toda a sua classe para montar. Em Oak Hill, no quinto páreo de sábado, ele mostrou como imprimir um trem falso na ponta, para obter belo triunfo. No dorso do favorito Financial System, na sexta carreira, no mesmo dia, fez o contrário. Montava um cavalo visado e favorito. Embora, o seu pilotado tivesse velocidade para atuar entre os ponteiros, optou por recolher e deixa–lo na quinta posição, no meio do lote. Fez curva perfeita, arrancou por fora, e numa partida bem curta, dominou o páreo, como se os rivais estivessem paralisados. Um astro! São tantos campeões no mesmo hipódromo, que eu poderia destacar outros grandes momentos de Manuel Franco, Iras Ortiz Jr, e do seu irmão, José Ortiz, entre outros.

PLAYA LOS INGLESES – Em preparativos para reaparecer no Grande Prêmio Jockey Club Brasileiro, Grupo I, em 1.600 metros, na grama, Playa Los Ingleses, do Stud Best Friends, continua a encher os olhos de todos no CT Vale do Itajara. O pensionista de Ildefonso Coelho Souza deverá ser conduzido por Wesley Silva Cardoso. Em caso de impedimento, devido a inscrição de algum potro do Haras Doce Vale, de quem é jóquei contratado, a montaria ficará com Alex Mota, segundo informação do proprietário.



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