AS APOSTAS SOBEM NA GÁVEA. OS PORTÕES SEGUEM FECHADOS
A exemplo do que aconteceu nas duas programações da semana passada, o Movimento Geral de Apostas (MGA), do Hipódromo da Gávea voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 700 mil reais. Mais precisamente, R$ 760.009,12, no domingo, e R$ 718.514,35, na segunda–feira. O crescente aumento das apostas, que na primeira semana da liberação das corridas, teve média de MGA de apenas R$ 430 mil, se justifica plenamente. Em primeiro lugar, pela adaptação gradativa do público de maior faixa etária com a possibilidade de jogar pela internet. Além disso, alguns outros turfistas optaram pela comodidade de se cadastrar no Tele Turfe, e ver os páreos em casa e apostar sem maiores atribulações.
Com o limite de apenas duas programações, os páreos saem com campos equilibrados, e com um número médio de concorrentes. Não acontecem páreos com campos numerosos, que dificultam o apostador e tiram a sua motivação de investir. Por outro lado, raramente existem provas com poucos concorrentes, pela necessidade da Comissão de Corridas de aproveitar, ao máximo, a oportunidade de dar chance aos proprietários de correrem os seus animais. É claro que existem limites nesta dinâmica. Por mais engenhosa e competente que seja a formação das corridas, fica difícil acomodar em duas programações de 9 páreos, o que anteriormente era dividido em quatro reuniões, com 34 ou 35 carreiras.
O calcanhar de Aquiles do handicapeur do JCB, Vicente Brito, nesta chamada de quatro programações é conseguir acomodá–las em 15 dias, ou seja, em duas reuniões por semana. Ocorre então, a impossibilidade de dar maiores opções aos treinadores para inscrever cavalos da mesma chamada, no mesmo conjunto de programas. O animal que está adaptado a um determinado percurso tem de esperar mais tempo, do que de hábito, para ter um páreo favorável. Isto, as vezes precipita a inscrição numa distância não recomendada, para que o animal não fique longo tempo sem correr. Este fator acarretaria expressivo prejuízo financeiro ao seu proprietário. Algo assim, como se fosse um cobertor curto, no tempo de temperatura baixa.
Para o Jockey Club Brasileiro tem sido excepcional a progressão do Movimento Geral de Apostas. Com apenas duas reuniões, a entidade se aproxima, aos poucos, do faturamento individual de cada uma, no período anterior a pandemia. E o pagamento dos prêmios dos páreos, com desconto de 40%, também tem ajudado. Em pouco tempo, o clube abaterá o prejuízo acarretado pela Covid 19. São tempos difíceis, sem receber os aluguéis dos bares e restaurantes localizados no próprio prado, fechados temporariamente. Além disso, houve a despesa com a ajuda aos profissionais durante este período. O que ajudou muito o JCB foi o plano do governo, de suspensão temporária dos contratos de trabalho de alguns funcionários. O clube pagou apenas 30% dos salários e o governo se responsabilizou pelos outros 70%.
Se por um lado, o Jockey Club Brasileiro ainda vai relutar bastante, no retorno das quatro reuniões semanais, de outro tem lutado para reabrir os portões do hipódromo. A realização de um maior número de programas acarreta enormes despesas. A começar pela energia elétrica com a iluminação da pista, em caso de alguma corrida noturna. Há também, enorme quantidade de funcionários que precisam ser mobilizados para os diferentes serviços com a presença de público. Limpeza, banheiros, guichês de apostas, infraestrutura de diversos setores num espaço gigantesco. Porém, a abertura dos portões é vista com simpatia pelos dirigentes. Existe um público reduzido, porém fiel, principalmente das maiores faixas etárias que têm nas corridas o seu maior entretenimento. Para estas pessoas, a impossibilidade de entrar no hipódromo, conviver com os amigos e participar de forma presencial das corridas, vem sendo dolorosa. Mas, apesar dos esforços, não tem sido fácil a negociação com as autoridades governamentais para liberar a entrada do público.
GÁVEA
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Parabéns ao treinador Breno Piovesan pela forma atlética magnifica que tem mantido Zémariasampaio, do Stud J. Lirio Aguiar. Bem conduzido pelo aprendiz Juan Lemos. Atropelou forte e se aproveitou do ritmo alucinante do páreo para obter a sua terceira vitória consecutiva. Um estadão!
JOQUEADA DA SEMANA – No dorso de Atena Machine, propriedade de Telmo Nunes Estrella, e treinamento de José Antônio Lopes, Wesley Silva Cardoso deu a joqueada da semana. Frio e calculista, Cardosinho traçou estratégia de corrida perfeita. Ficou com a sua conduzida junto à cerca interna, assistiu de maneira privilegiada a luta na frente, e, quando a competidora da ponta cansou, aproveitou espaço milimétrico para decidir a carreira a seu favor. Brilhante direção.
PERSONAGEM – O cavalo Matheus Júlio, do Stud Best Friends, é o nosso personagem da semana. Cavalo do coração do Serginho, titular da coudelaria, ele é tão querido por ele, que foi batizado com o nome do seu neto, de oito anos, o xará, Matheus Júlio. O garoto e a irmã, Júlia, a netinha de cinco anos, fazem gato e sapato do cavalo, todo sábado, quando frequentam a cocheira do treinador, Ildefonso Coelho Souza, em Secretário, no Vale do Itajara. Os dois montam em Matheus Júlio, dão ração e fazem carinho no animal. O cavalo já reconhece as crianças e fica todo bobo, e ainda mais mansinho, com a presença deles. Por isso, o triunfo de ponta a ponta, esta semana, comoveu toda a família, que acompanhou pela televisão o triunfo. Eles torcem para poder estar no hipódromo, no próximo sucesso do cavalo do coração.
JOLIE OLÍMPICA – O segundo lugar, em recorde, nos 1.700 metros na grama, do Jenny Walley Stakes, Grupo I, dotação de U$ 350 mil, para Rushing Fall, a melhor égua do turfe norte–americano, valorizou demais a campanha da craque brasileira, Jolie Olímpica. Criada pelo Stud TNT, a pensionista de Richard Mandella, em breve poderá tentar ir à forra. Vale lembrar, que ela vinha de atuar em 1.100 metros, há 40 dias atrás, e deu um pulo enorme na distância para duelar com uma rival que em 13 saídas, somou 10 vitórias, dois segundos lugares e um quarto.
SÃO PAULO – Vamos registar o triunfo de Nat King Cole, do Haras Phillipson, na programação do último sábado, em Cidade Jardim. Preparo perfeito de Nelito Cunha, que foi excelente jóquei, e agora, merece incentivo na trajetória de treinador. Ruberlei Viana, a cada dia, mostra maior qualidade no ofício. O tempo, de 54s e fração, foi assombroso.
