Conversamos com o jóquei Bruno Viana Queiroz, que aos 19 anos e com apenas dois anos de carreira, foi o vencedor da estatística de jóqueis na temporada 2019/2020. Ele conquistou 153 vitórias e o melhor aproveitamento entre os profissionais que disputaram durante toda a temporada. Confira sua entrevista!
Como foi ter ficado em segundo lugar na sua primeira disputa de estatística? Você ficou confiante para disputar a seguinte?
Fiquei muito feliz com o meu desempenho. Mesmo com todas dificuldades que passei, consegui disputar de igual pra igual com um dos melhores jóqueis do Brasil e me senti ainda mais confiante para disputar a temporada seguinte.
Quando, durante o ano hípico, você viu que seria possível essa vitória?
Acho que foi bem na época que a pandemia chegou ao Brasil e as corridas do Rio foram canceladas. Eu tentei não desanimar, trabalhei tofos os dias, comecei a ir semanalmente montar em SP (com intuito de não perder o preparo físico) e percebi que com a vantagem que eu tinha e com apenas dois programas, seria possível vencer neste ano.
Qual foi a sua vitória mais marcante desta temporada?
Essa temporada eu consegui vencer algumas provas importante, mas tem três delas que ficaram marcadas pra sempre em minha carreira. Grand Amiga, por ser a minha primeira prova de Grupo no Hipódromo da Gávea; Nice Lady, por ter sido um páreo muito duro e uma das corridas mais bonitas que já venci; e claro que a Tanganyka que foi a minha primeira prova de G1.
E qual foi a pior derrota? Aquela que te deixou alguns dias sem sono!
Com certeza foi o GP Henrique Possolo, com Tanganyka que até os últimos 10 metros estava na ponta. Acabei perdendo para outra excelente égua, a Mais Que Bonita.
Qual foi o melhor cavalo que montou nesse último ano? Ou aquele que foi o seu favorito?
O meu favorito, sem dúvidas, é o Frisson. Um cavalo que meu pai começou a campanha dele e hoje ele é o cavalo do meu sobrinho Davi Lucca. Na sua última vitória comigo ele deslocou incríveis 64 Kgs e mesmo assim não deu susto. Um craque!
Muitos treinadores te deram oportunidades, mas Leonardo Reis e Dulcino Guignoni estiveram ao seu lado em quase metade de seus triunfos. É realmente importante o apoio de grandes profissionais e proprietários?
Sim com certeza! Eles estão entre os maiores treinadores do Brasil na atualidade e sem eles eu não teria conseguido vencer essa estatística. É sempre muito importante ter o apoio de grandes profissionais e proprietários. Hoje tenho o privilégio de ser contratado de duas excelentes fardas, dois dos maiores proprietários do turfe nacional. Sou primeira monta do H&R, junto com o HRN; e também sou segunda monta do Haras Figueira do Lago, que foi o meu primeiro contratante e tenho eles ao meu lado até hoje!
Você tem montado bastante em Cidade Jardim, além das 153 vitórias no RJ, quantas conquistou no hipódromo paulista? Sente muita diferença entre os cavalos e o estilo de montar dos pilotos cariocas e paulistas?
Conquistei 17 vitórias em Cidade Jardim nesta temporada. A diferença é bem grande. Acho o estilo de montar dos jóqueis paulistas um pouco diferente dos pilotos cariocas. O train de carreira de SP é bem mais controlado, as carreiras mais limpas e os cavalos chegam voando. Aqui no Rio são páreos mais ligeiros e disputa acirrada entre os pilotos desde a largada, independente da distância.
Seu percentual de aproveitamento (17,26%) foi o maior entre os pilotos que disputaram toda a temporada. Qual o segredo de tanta eficiência?
O meu segredo é bem simples! Trabalhar muito aqui na Gávea e também nos Centros de Treinamento para ter as melhores oportunidades. Além disso ter um ótimo agente de montarias como o meu. O Lucas Reis começou comigo desde a minha primeira semana de montaria e estamos juntos até hoje. Grande parceria!
Tirando seu pai, qual jóquei na atualidade você considera o mais completo?
Aqui na Gávea me espelho em dois grandes e talentosos jóqueis, que são W.Blandi e o C.Lavor.
Já colocamos aqui no Raia Leve uma matéria com o agradecimento feito por você em suas redes sociais. Porém gostaríamos de saber qual foi a pessoa que mais te ajudou para que você pudesse se tornar esse grande piloto.
Meu professor Marcello Cardoso com certeza! Além de ser um excelente professor, sempre me aconselhou para ser uma pessoa humilde e muito dedicada ao trabalho. Então, sem dúvida alguma, ele foi a pessoa que mais me ensinou para que eu chegasse até aqui!
Desejamos muita prosperidade em sua carreira e gostaríamos de saber qual é a sua perspectiva para a nova temporada?
Obrigado, eu que agradeço o espaço concedido aqui no Raia Leve. Vou trabalhar muito e me esforçar bastante para fazer uma temporada ainda melhor do que essa. Continuo torcendo para essa pandemia acabar e para as corridas voltarem logo ao normal.
Da Redação