RONALDO LIMA FOI O GRANDE HERÓI DO DERBY
Normalmente, Ronaldo Marins Lima, o treinador de Abu Dhabi, do Haras das Estrelas, brilhante ganhador do Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, seria o personagem da minha coluna. Depois pensei. "Este cara fez a trifeta num dos páreos mais difíceis de vencer. Personagem é muito pouco. Ele vai para o alto da página! ". He’s Gold, do Stud Pedudu, formou a dupla, muito próximo do ganhador. E Hummer, do Stud Primeiro no Disco, foi terceiro, depois de lutar por 200 metros com Abu Dhabi, e só se entregar no totalizador. Na entrevista, depois do páreo, Ronaldo estava visivelmente emocionado, e resumiu com simplicidade e poucas palavras a sua alegria. "Ganhar um páreo da importância do Derby já é tão difícil. Imagina obter as três primeiras posições. Nem mesmo no meu melhor sonho podia esperar um resultado maravilhoso como este", exultou.
Ronaldo Marins Lima trouxe quatro pensionistas para disputar o Derby. Abu Dhabi era o mais regular e, como ele mesmo afirmou em sua entrevista, o castanho já merecia um triunfo deste patamar. Além de ser um belíssimo animal, mantem regularidade absurda em suas apresentações. Valdinei Gil, um jóquei experiente, e acostumado a montar em provas de Grupo I, atuou com a confiança absurda de que ninguém lhe tomaria o triunfo. Fez tudo com absoluta perfeição, sem dar brecha para qualquer acidente no percurso. Hummer correu mais manso do que na corrida anterior, mas o aumento do percurso era favorável ao ganhador. He’s Gold, o mais irregular dos três, reapareceu no último furo e deu carga. Notável, do Haras Nacional, é um corredor tardio e promissor. Foi o quarto colocado, em boa exibição.
TANGANIKA NÃO DEU CHANCE AS RIVAIS
Mais uma vez, se repetiu a história da tríplice–coroa das potrancas de três anos, cujo enredo tradicionalmente é de enorme dificuldade na ala feminina para cumprir todas as etapas. Mais Que Bonita manteve a regularidade e chegou no segundo lugar. Porém, encontrou pela frente uma rival num dia de ação de graça. A veloz Tanganika, de criação de propriedade de Carlos dos Santos, mais parecia um carro de Fórmula –1 na pista de grama da Gávea. Apresentada em forma exuberante por Cosme Morgado Neto, e com direção lúcida e precisa de Bruno Queiroz, que faturou o seu primeiro Grupo I, tomou a ponta após a largada e adeus viola. Tanto Henderson Fernandes, como Valdinei Gil, no dorso de Mais Que Bonita e Helquis, respectivamente, durante a primeira parte do percurso, até os 800 metros finais, ficaram naquela dúvida. Seguir a ponteira e perder um para o outro. Ou esperar, e vir junto com a maior rival, na teoria. Bruno Queiroz percebeu a situação difícil de ambos, e tirou proveito disso, para liquidar o páreo. Na entrada da reta, qualquer turfista lúcido e imparcial, já sabia que tudo estava decidido. North Bound, do Stud Red Rafa, atropelou e foi a terceira.
JOQUEADA
Valdinei Gil se preparou durante toda a semana para ganhar o Derby. Estava com dores no joelho, mas tinha convicção de que não poderia deixar a oportunidade escapar. Tinha visto os filmes das corridas Abu Dhabi, e, no percurso de 2.400 metros, não acreditava em derrota. Fez exercícios de fisioterapia, gelo, choque elétrico e tudo o que tinha direito. No páreo, o "Dragão " montou como um príncipe. Deixou o seu conduzido à vontade no percurso e se preocupou apenas em garantir caminho livre, nos 400 metros finais, para a sua vigorosa atropelada. Trata–se de um jóquei da mais absoluta exceção no aspecto técnico. Uma pena que deixe a desejar no aspecto físico, sempre às voltas com o cigarro, um companheiro inseparável.
PSI MELHOR APRESENTADO
Cosme Morgado Neto tem currículo. Isto é um fato. E ninguém pode negar. Cosminho faz parte daquela seleta lista de treinadores que sabem preparar os puros–sangues para atuar em distâncias de fundo. O maior exemplo disto, em sua carreira, foi a conquista da tríplice–coroa dos potros, com o craque Groove. Trouxe Tanganika no auge da forma. A neta de Itajara fez galope vistoso, sério e com o peso ideal, fruto do trabalho minucioso e detalhista de um profissional que entende do riscado. Bruno Queiroz, a cada dia melhor, cumpriu a sua parte e agradeceu no microfone a oportunidade que lhe foi dada. "O maior mérito é do Cosminho. Além de trazer a potranca em grande forma, ele me deixou à vontade, e me deu moral. Disse que não precisava dar instrução por que eu conhecia Tanganika como ninguém".
VENÂNCIO NAHID – O consagrado treinador, Venâncio Nahid, completou 2.998 vitórias, ontem à tarde, com New Emperor, do Stud Lo–Ve, na última prova da reunião. A marca de 3 mil, agora, não passa de mera formalidade para o popular "Neném", ganhador de praticamente todos os clássicos do turfe brasileiro.
EM SÃO PAULO – Eron do Jaguaretê, do Stud Jaguaretê, já obteve dois triunfos, depois de voltar da Argentina, onde representou o turfe nacional no Clássico Latino–americano. No sábado, em Cidade Jardim, levou a melhor no GP Cândido Egydio de Souza Aranha, com apresentação soberba de Mário André, e direção precisa do jovem Maicon Mesquita, que começou aqui na Gávea, e só faz ganhar em São Paulo.
