Hoje, dia 7 de junho de 2.020, as tribunas de arquitetura francesa do Hipódromo da Gávea, estarão vazias e, portanto, silenciosas. Um magnífico Coliseu, sem a vibração da plateia. Entretanto, na lendária pista de grama que outrora abrigou craques como Itajara, Boticão de Ouro, Tirolesa, Gualicho, Falcon Jet, Flying Finn, Troyanos, Much Better, Indian Chris, Bal A Bali, Plenty of Kicks, entre outros campeões, os gladiadores de quatro patas marcarão presença. O Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, o Derby, às 16h, será corrido de portões fechados pela primeira vez na história. com os potros em buscado prestígio de ser um derby–winner. E, uma hora antes, no Grande Prêmio Zélia Gonzaga Peixoto de Castro, 3ª prova da tríplice–coroa de potrancas, a craque Mais Que Bonita, do Stud Eternamente Rio, tentará chegar a glória de ser tríplice–coroada.
Trata–se de um momento inesperado, dramático e trágico na história da humanidade. Um cenário de angústia temperado por um vírus intitulado, Corona, o maior vilão de todos os tempos. Ele é a trilha sonora da era digital. Um período traumático em que os filhos não podem abraçar as mães, os namorados não podem se beijar, os cidadãos não podem se ver pessoalmente, as crianças não podem brincar nos parques, e, para evitar a contaminação, os seres humanos precisam ter relacionamento computadorizado. Por este motivo, os grandíssimos eventos turfísticos de hoje, que normalmente lotariam o belo prado carioca, terão o silêncio como pano de fundo do maravilhoso espetáculo.
Os puros–sangues, porém, continuarão a correr pelo mundo afora. Eles nasceram para isso. Nada pode impedir este fato consumado. Nem mesmo este cruel Covid 19. Os jóqueis, de máscara, os fazem correr nos Estados Unidos, Hong Kong e no Brasil. E, solicitados, eles reagem com bravura, nobreza e volúpia, características de sua raça. Por isso, hoje teremos um Derby. Um dos tantos momentos extraordinários das nossas vidas. E, também, uma disputa de tríplice–coroa. Dois páreos espetaculares. Os cavalos sempre serão os protagonistas no turfe. Até mesmo num dos dias mais inusitados da história do esporte dos reis, em nosso país.
Por Paulo Gama