AS PALAVRAS CHAVES PARA SAIR DO CAOS
Difícil dizer se o Jockey Club Brasileiro poderá convencer a prefeitura do Rio de Janeiro a liberar as corridas na Gávea nos dias 3 e 4 de maio. Apesar dos diretores do clube explicarem que os portões do hipódromo ficarão fechados e a presença apenas dos cavalos, jóqueis e treinadores no prado, o prefeito Marcelo Crivella, argumenta que corridas de cavalos não são uma atividade essencial. Queda de braço ruim para o JCB. Seja lá como for, o certo é que o reinício das atividades turfística no Rio, ainda parecem estar distante. Portões abertos ao público, permissão da entrada das pessoas no hipódromo, de proprietários e criadores, aberturas dos agentes credenciados e a volta da rotina habitual são situações ainda sem prazo para virar realidade. O futuro ainda está incerto.
A cadeia de pessoas, em diversas atividades, responsáveis por toda a engrenagem do turfe, dirigentes, gestores e profissionais, em geral, já devem começar a se concentrar, e se planejar, para o desafio da retomada. A volta por cima, a procura de dias melhores, estará baseadas em três sentimentos fundamentais para o sucesso: esperança, solidariedade e coragem. A esperança virá em primeiro lugar. Sem a presença dela, o ser humano não consegue nem se levantar da cama. Os primeiros passos depois da crise, ela será a protagonista absoluta no roteiro de superação. A esperança embalará sonhos possiveis e impossiveis. Na sua companhia conseguiremos ter a confiança e o otimismo de acreditar num turfe melhor. A esperança nos ajudará a deixar para trás a crise, as perdas e os percalços. Estaremos contagiados pelo animo, aprenderemos a pensar grande e a manter o estado de espírito sempre elevado. Eu tenho fé no turfe carioca mais forte. Todos nós aprendemos bastante com o coronavírus.
A solidariedade talvez esteja sendo a maior missão nesta sofrível jornada. No turfe temos a convivência pacífica de duas classes sociais bem distintas. De um lado fica a elite, representada por dirigentes, criadores e proprietários de cavalos de corridas. De outro estão os profissionais de turfe, jóqueis, treinadores, cavalariços, turfistas e apostadores. O coronavírus aproximou, de forma democrática, esses dois mundos tão distantes.
O bloco da classe A tem tido amigos e parentes contaminados. Igualmente tem sentido angústia, incerteza e ansiedade. Afinal, o vírus não vê a conta bancária e nem as posses de cada vítima. Ele se aproxima de qualquer um que esteja em seu caminho. A diferença está nas condições para enfrentá–lo. O bloco da classe B enfrenta o inimigo em cômodos acanhados, em pequenos barracos, sem água e saneamento básico. A classe A também se isola, mas em apartamentos de luxo. Entretanto, o vírus se aloja e invade qualquer lugar. Agora já estamos descolados com a lição de casa. O bloco A exercitará a solidariedade e generosidade com o bloco B.
A coragem terá de ser condição inerente para privilegiados e parentes. A diretoria do JCB vai ter de assumir uma atitude arrojada para administrar a crise provocada pela epidemia. Só mesmo o repertório composto por gestão ousada, empreendedora e comprometida terá resultado expressivo. Se fará necessário divulgar e promover eventos turísticos. A maior demonstração de força será dada com a realização do GP Brasil. A data não está definida. Porém, esforços não podem ser poupados. A maior prova do turfe nacional, em caso de sucesso, representará uma autêntica volta por cima.
Os profissionais também deverão fazer a sua parte. Os treinadores precisarão caprichar nas inscrições. Um olho na raia e outro na tabela, com foco absoluto na chamada dos páreos. Os jóqueis precisarão cuidar do peso e da forma atlética para corresponder no dorso dos cavalos. Os cavalariços, fiéis escudeiros, deverão estar cientes da importância do seu trabalho. Carinho, dedicação e apreço pelos animais que escovam. Os cavalos são o sustento de suas famílias. Vamos despertar deste pesadelo mais humildes e prontos para os desafios de nossas vidas.
