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Março | 2020

Páreo Corrido, por Paulo Gama
21/03/2020 - 10h09min

ATÉ O BONDINHO DO PÃO DE AÇÚCAR PAROU...

Há alguns dias, sentado no sofá da sala, para cumprir a determinação dos profissionais de saúde, por causa do Corona vírus, me chamou atenção a notícia, no Jornal “Bom dia Rio”, da TV Globo, de que os passeios turísticos no bondinho do Pão de Açúcar, estavam suspensos por tempo indeterminado. Só aí tive plena consciência da gravidade da situação. Rio de Janeiro sem Pão de Açúcar é a mesma coisa que Paris sem a Torre Eiffel. “Ora bolas! Se interditaram o bondinho está na cara que este vírus maldito não está para brincadeira”, pensei, na ocasião. De imediato, refleti sobre a atividade turfística e nos enormes danos econômicos e financeiros que serão causados por este inimigo público nº1, de todo o planeta, também na indústria do cavalo de corrida. Baita prejuízo!

O Corona vírus é silencioso e se move de maneira sorrateira. Trata–se de um super–vilão! Ele transita com circulação Invisível, dissimulada, escorregadia, sórdida, e, em algumas vezes, de forma mortal. Por enquanto, não existem armas para combate–lo. Sem remédios ou vacinas, que o façam vulnerável. Para fugir dele, a única arma é a fuga. Ficar isolado, confinado, escondido e enclausurado. Se faz necessário ficar ausente das ruas e dos lugares onde ele, caprichosamente, decide passar. E por onde passa, o Corona vírus espalha medo, angústia, pânico e até a morte para os incautos e descrentes da realidade. Os imprudentes pagam a própria vida e dos parentes.

A preocupação da classe turfística para o futuro é com as sequelas que deixará no turfe brasileiro. Parece inevitável que o mesmo caos econômico, que ele tem espalhado na face da Terra, também nos atingirá de maneira irremediável. Antes mesmo deste trágico incidente na história da humanidade, o nosso turfe já enfrentava seus próprios problemas, por diversos fatores. Em âmbito nacional, a redução gradativa e anual do rebanho de equinos, que dificultam as chamadas para formações dos páreos. Além disso, os prêmios defasados para os proprietários, sufocados com a expressiva despesa com a manutenção dos seus puros–sangues, em contrapartida com dotações ridículas. Outro fator a ser considerado é longo distanciamento dos clubes hípicos com a mídia. Como se fizéssemos parte de outra galáxia. 

No caso do Jockey Club Brasileiro, as consequências podem ser piores. Além dos proprietários pagando trato sem que os seus animais faturem com vitórias e colocações, e dos profissionais, jóqueis e treinadores, que vivem de comissão, sem receber também, existem outros agravantes. Em primeiro lugar, a saída da PMU da parceria com o JCB. Este foi um desfalque significativo nos cofres do clube. Algumas despesas pagas pela empresa francesa voltaram para o JCB. Por outro lado, o Movimento Geral de Apostas só faz cair. E, como todos sabem, desta equação desfavorável entre receita e despesa ninguém escapa.

Outros fatores para o futuro próximo não podem ser esquecidos também. Em maio, acontecerá eleição para o JCB, em meio a enorme pressão política. E, em junho, a disputa do GP Brasil, que, a exemplo do que acontece com as Olimpíadas, também pode ficar ameaçado. Com tanta coisa em jogo, a tudo isso deve ser somado um fator importante. A alta faixa etária dos fãs e simpatizantes do turfe. A exemplo do que acontece na Itália, uma população mais vulnerável ao devastador Corona vírus.

Que Deus proteja a todos!




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