BLOCO “UNIDOS POR UM TURFE MELHOR”, PRECISA DESFILAR
Nestes 10 dias sem corridas nos principais hipódromos nacionais, não se pode falar do assunto preferido de qualquer bom turfista: corridas, cavalos, jóqueis e treinadores. Afinal, temporariamente, os protagonistas do espetáculo estão fora de cena. E, portanto, na falta da matéria prima mais atraente, precisamos ser repetitivos e voltar a falar de antigas mazelas deste esporte que tanto amamos. Quem vive da atividade turfística está asfixiado com problemas financeiros. Proprietários importantes diminuíram o plantel. Alguns campos de criação tradicionais encerraram as suas atividades. Vários profissionais de gabarito, jóqueis e treinadores, foram tentar outros caminhos no exterior. Os mais resignados vivem a rotina de remar contra a corrente. Até a fonte secar em definitivo.
Por estas e outras vale a pena tentar, mais uma vez, arejar as cabeças pensantes dos principais clubes hípicos brasileiros. A ferida mais aberta do turfe nacional é a necessidade de aumentar os prêmios pagos aos proprietários de cavalos de corrida. Eles são verdadeiros heróis nesta luta desigual entre as dotações oferecidas pelas entidades turfísticas, e o preço do trato mensal para manter os seus cavalos. Outro dia, um proprietário me mostrou a conta prêmio do seu stud. As especificações de descontos por isso e aquilo fazem o valor recebido por um triunfo ser dizimado no contracheque. Dá vontade de chorar.
Outra providência imediata seria tentar unir forças políticas entre os interessados, talvez com ajuda do Ministério da Agricultura, para deter a redução gradativa do rebanho de equinos no país. Durante longos anos a escada abaixo da diminuição de produtos ocorreu de forma silenciosa. Hoje em dia, nem tanto. Está cada vez mais difícil realizar a formação dos páreos. As turmas são misturadas, os proprietários ficam irritados, os profissionais insatisfeitos e as soluções a cada semana, mais escassas. Se acaba o milho, também acaba a pipoca.
Equilibrar as finanças com multas excessivas aos profissionais, jóqueis e treinadores, não resolvem os problemas dos clubes hípicos. Atrasar em quase uma hora, o final da disputa do último páreo, também não. O que se faz necessário é uma melhor gestão e comprometimento com o espetáculo. O turfista é um cliente. E, ele precisa ser bem tratado. Se o gestor respeita o horário da largada dos páreos que promove é sinal que ele considera o apostador. O contrário é falta de atenção e de consideração. Um desespero absoluto e de retorno financeiro supérfluo e duvidoso.
As opções de entretenimento, com lanches, bebidas, brinquedos para as crianças, food–trucks e etc. não podem ficar restritos aos dias de grande espetáculo. Eles precisam fazer parte da rotina dos hipódromos. Além disso, se faz necessária a aproximação com a mídia especializada em comunicação. Qualquer esporte em que existe a participação de um recordista mundial, a divulgação é imediata nos meios de comunicação de massa. Jorge Ricardo vem montar na Gávea e vai embora para a Argentina no mais absoluto anonimato. O turfe também precisa organizar um plano para o resgate dos pequenos e médios proprietários. Os poderosos têm enjoado a ração com o passar dos anos. Não por falta de condições financeiras. E sim, por que ninguém gosta de jogar dinheiro fora. Se eles, estão tendo dificuldade de aguentar o repuxo. Imaginem os demais.
No meio de tantos blocos deste Carnaval, o nosso, “Unidos por um Turfe melhor”, ficou de fora do desfile em 2.020. Durante longos anos, aqui no Rio de Janeiro, as corridas eram chamadas para as quintas e sextas–feiras à noite, e uma terceira, no sábado à tarde, depois do tradicional bloco “Sovaco de Cristo”, na Rua Jardim Botânico. Este ano não atrapalhamos o bloco e nem ele, nos atrapalhou. Porém, ficamos de fora do cenário carnavalesco e de suas alegrias e adversidades. Sair de cena, fugir e se omitir não resolve qualquer problema. Quanto mais a cara do problema é feia, maior deve ser o ímpeto de encarar e bater de frente com o bicho–papão. Os clubes hípicos têm como razão de existir promover corridas. E isso deve ser feito, independentemente de qualquer que sejam as circunstâncias. Bola para o mato, que o jogo é de campeonato. Já dizia o saudoso locutor Antônio Porto, da Rádio Globo.
