VIAGEM NO TEMPO SENTADO NO BANCO DO PRADO CARIOCA
Às segundas–feiras são bastantes agitadas para os agentes de montarias. É um dia decisivo, onde os compromissos são assinados, para os páreos do próximo final de semana. Tenho o hábito de chegar cedo ao Hipódromo da Gávea. Alguns treinadores gostam de fazer as inscrições na Sala da Repesagem, e a maioria deles, no contato pessoal, fica mais receptivo, para oferecer alguma montaria que ainda não possui um determinado piloto definido. O Braga é um funcionário bastante solícito, competente e atencioso. Se você precisa de alguma coisa, que pode ser papeletas de montaria, ou projeto de inscrições para a semana, ou até mesmo para o próximo mês, ele de imediato resolve a parada. Mais tarde, com o Henrique, é a mesma coisa.
Os treinadores presentes no local pela manhã são Álvaro Castilho, José Ferreira Reis, o “Reizinho”, Júlio César Sampaio, Cesar Gustavo Neto, Luís Felipe Fernandes e Cristina Resende, entre outros. O professor Marcelo Cardoso, as vezes passa por ali, acompanhado de algum aluno ou aprendiz, para mostrar os filmes das carreiras, na sala da Comissão de Corridas. Depois vem a turma do penetrômetro, com a valiosa medida da raia, que decide qual será a pista do programa. No meio deste ambiente de gente ocupada, se cuida da limpeza, dos jardins, dos vestiários, da sauna, dos coletes dos jóqueis, da lavagem das mantas, enfim de toda infraestrutura gigantesca do hipódromo. É o aquecimento para o ponto alto do show, que são as corridas.
Depois deste primeiro contato com os treinadores, a gente vai para o telefone falar com os retardatários, os profissionais que só passam as montarias antes das 10h, prazo final para fazer as inscrições na Secretaria da Comissão de Corridas. Olhei para o banco redondo, que fica em volta da árvore, perto da roleta de entrada, junto ao estacionamento, e me sentei para fazer as ligações. Outrora, ali ficava o Bar do Padoque, e, mais recentemente o Bar Palafita, que encerrou as atividades. Os matinais fervilhavam nos áureos tempos. Os cavalos vinham pelo caminho do prado para se exercitar naquela época. Hoje, treinadores de jóqueis ficam no Bombril, raia auxiliar. E este aprazível local virou um lugar deserto.
Tudo mudou. Aquele lugar, há alguns anos ficava lotado de profissionais, proprietários e caçadores de barbadas. Todos madrugavam para tomar o primeiro cafezinho, para desvendar os mistérios dos resultados das corridas, para comentar os exercícios e aprontos realizados pelos puros–sangues, minutos atrás. Agora, ali sentado, olhei para o balcão do bar desativado. Estava vazio. Nenhuma viva alma. Aquelas discussões acaloradas e todo aquele alarido só existiam e ecoavam nas minhas memórias do passado. Nenhuma viva alma. Apenas este veterano e os seus devaneios. Sentado no banco, solitário, mas acompanhado por fantasmas do passado. Os momentos mágicos se foram. As pessoas e os personagens incríveis, também. Os cavalos extraordinários, cumpriram a sua missão e desencarnaram.
Naquele banco, agora enferrujado, descolorado, torto, e sem qualquer tipo de preocupação de se restaurar, já haviam se sentado grande estrelas do turfe. Alguns apenas para bater um papo. Outros para trocar informações de cocheira. Alguns para dar entrevistas aos jornalistas especializados. Todos os principais jornais cariocas tinham uma página diária sobre turfe nas décadas de 60, 70 e 80. Naquele banco quase destruído, desconfortável, me lembrei de Heitor de Lima e Silva, o “Bolonha” e do professor, Sérgio Resende, ambos estudando o programa antes de ir para as rádios fazer o tão esperado programa matinal. Lembrei das entrevistas com Juvenal Machado da Silva, para o Jornal do Brasil. Do aprendizado com o jornalista Gil Moniz Viana, “O reloginho de Ouro”, cronometrista genial, do jornal, “A Última Hora”. Da parceria com o saudoso Dalto Duarte, de quem fui agente de montarias, logo depois que Jorge Ricardo se transferiu para o turfe argentino.
Naquele banco, em volta da árvore, se sentaram Luís Rigoni, Antônio Ricardo, Ernani de Freitas, e tantos outros monstros sagrados do turfe brasileiro. Bons tempos, em que este banco redondo, em volta da árvore, abrigava esperanças, conflitos, lucros, perdas e tantas paixões de gerações incontáveis de pessoas que amavam com absoluta intensidade este esporte maravilhoso que é o turfe. Este banco redondo, em volta da árvore, tinha um hipódromo lotado, como pano de fundo. Agora, o prado fica deserto nos dias de corridas. As arquibancadas, de arquitetura francesa, com aquela gritaria da multidão nas grandes joqueadas, era a paisagem admirada por quem estava sentado neste banco. O jardim Botânico, o Corcovado, o Horto Florestal, a Pedra da Gávea, a Pedra Bonita e tanta belezura. Para onde foram todos? Como resgatar os bons tempos? Como evitar o pior? A minha sugestão é começar a ressureição por este banquinho singelo. Ele está corroído pela maresia, quase invisível, abandonado, torto, carcomido. Apenas uma pequena e insignificante circunferência, em volta da árvore. Mas pode ser visto e notado. Logo depois que o turfista estaciona o seu carro, passa pela roleta e entra neste templo imortal que é o majestoso Hipódromo da Gávea.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
It’s Well, do Stud Menegotto, fez estreia de luxo na Prova Especial Old Master, com preparo caprichado do treinador Leopoldo Cury, professor, veterinário e profissional dos mais competentes. Dotado de velocidade espantosa, o filho de Put It Back e All Is Well, por Signal Tap foi acionado na largada, por Alexandre Correia, e parecia estar decolando da pista de algum aeroporto. Exibição de gala, num cartão de visita com precocidade, ligeireza e classe. Vale a pena ficar de olho neste potro.
JOQUEADA DA SEMANA
Vagner Borges, a cada dia mais amadurecido na profissão de jóquei, esteve impecável no dorso de Neusely, do Haras Figueira do Lago, na Prova Especial No Regrets, para potrancas da nova geração. Apresentação de classe do veterano Dulcino Guignoni. Confiante na categoria de sua pilotada, Vagner Borges não se incomodou com o seu favoritismo na pedra de apostas. Conduziu a filha de Al Arab e Bernaise como ela gosta, na expectativa para atropelar. Conseguiu percurso limpo e dominou a prova com absoluta tranquilidade. Tudo de maneira simples e sem transtornos como manda o manual dos bons jóqueis.
PERSONAGEM
A cada dia que passa, o aprendiz Juan lemos tem amadurecido da profissão. E na corrida noturna de segunda–feira, na Gávea, exibiu lucidez, rigor e frieza para obter três vitórias consistentes com Lovemetender, do Stud Mo Bay, Bárbara Mel, do Stud Tieppo Borges e Regal Aurora, de Leonardo Ruas de Oliveira, bem apresentados por seus respectivos treinadores, Noé Roberto Santos, o “Boza”, Jairo Borges e Cristina Resende. O garoto veio de Cidade Jardim precedido de boas indicações e, aos poucos confirma as expectativas, sob a batuta do agente de montarias, Leandro Mancuso.
CARLOS LAVOR NA ARGENTINA
Carlos Geovani Lavor viaja amanhã para a Argentina, onde realizará um exercício de distância no craque Não Dá Mais, do Haras Phillipson, para o Clássico Latino–americano de Jockeys Clubs, que será disputado em março, no Hipódromo de San Isidro. O ganhador do Grande Prêmio Carlos Pellegrini se adaptou bem ao prado portenho, se encontra em ótima forma atlética e os especialistas locais o consideram um dos nomes mais fortes da prova. Afinal, agora ele teve tempo para se aclimatar. Quando ganhou o Pelegrini fez longa viagem antes de competir, e venceu, apesar de tudo, por corre de verdade.
VAGNER BORGES LIBERADO PARA HONG KONG
Vagner Borges já tem em mãos o documento de liberação para se radicar no turfe de Hong Kong, onde fez experiência no ano passado. O piloto, que atravessa ótima fase no turfe carioca, admite ainda não ter decidido se aproveita a oportunidade, ou se continua no Brasil. Segundo ele, vários fatores vão influenciar na sua opção. Existe o desejo de montar fora do país e conhecer novos horizontes. Por outro lado, a diferença de cultura, a família e os consagrados proprietários para quem monta no turfe brasileiro, o fazem ainda não estar convicto da melhor decisão.
RICARDINHO VEM MONTAR NORGAARD
O treinador Cosme Morgado Neto confirmou que Jorge Ricardo deverá ser o jóquei de Norgaard, do Stud Red Rafa, no Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, 2ª prova da tríplice–coroa de produtos, no dia 8 de março, na Gávea. Mais uma vez o jóquei contratado, Carlos Lavor, tem compromisso com o Stud Quintella, para conduzir Bávaro Beach, que será inscrito no mesmo páreo. Norgaard foi terceiro colocado no Grande Prêmio Estado do Rio de Janeiro, dominado por Royal Ship, craque do Stud Happy Again.